Faltam políticas públicas para os produtos verdes, aponta especialista

por giovanna publicado 20/06/2011 15h33, última modificação 20/06/2011 15h33
Recife – Apesar da alta demanda de mercado, o valor desses itens ainda é alto
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O preço ainda é o maior empecilho para o consumo em larga escala de produtos verdes, aqueles pensados para causar baixo impacto ambiental. De acordo com Claudio José de Andrade, coach de Sustentabilidade para executivos, é preciso criar políticas públicas que estimulem e beneficiem esse tipo de produto.

“O que torna o produto verde caro é o alto valor acumulado na cadeia produtiva. As políticas públicas precisam favorecer todas as partes dessa cadeia, desde o fornecedor de insumos verdes até a empresa que venderá o produto” defendeu Andrade, que participou do encontro de comitês de Marketing e Sustentabilidade da Amcham-Recife na última quinta-feira (16/06).

Andrade citou como exemplo o alto valor de adubos e produtos químicos utilizados na produção de alimentos orgânicos, o que encarece o produto final disponibilizado ao consumidor. De acordo com o especialista, políticas públicas que barateiem esses insumos são importantes para que o preço final caia.

Marketing verde

Andrade, que também atua como facilitador do Instituto Ethos para aplicação dos indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial, abordou em sua palestra na Amcham-Recife os aspectos do marketing verde. Este tipo de marketing se caracteriza pelo movimento das empresas para criarem, colocarem no mercado e divulgarem produtos ambientalmente responsáveis.

Os benefícios para as empresas que utilizam o marketing verde vão desde aumento na facilidade para conseguir financiamentos até vantagens competitivas na atração e retenção de talentos. “Para que esses benefícios se concretizem, é importante que a empresa seja transparente em seus processos e na promoção desses produtos verdes. Do contrário, o público atento demonstrará sua insatisfação com a companhia, o que acarretará danos à sua reputação”, analisou Andrade.

Na visão do especialista, as empresas de construção e embalagens são as que mais se destacam atualmente na utilização do marketing verde. “Por exemplo, temos no mercado grande oferta de embalagens feitas de resinas de milho e batata, que se decompõem mais rápido do que aquelas produzidas com plástico”, ilustrou.

Andrade aponta ainda que, por outro lado, a indústria de tecidos ainda se utiliza pouco do marketing verde. “A tecnologia já permite que se disponibilizem tecidos feitos de material reciclado, como garrafas PET, por exemplo, mas há pouco interesse das companhias na comercialização desses produtos”, avaliou Andrade.

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