Gênero, Raça, LGBT e PCD: como lidar e somar as diferentes nuances da diversidade?

publicado 03/10/2018 09h11, última modificação 04/10/2018 10h44
São Paulo - Para especialista, empresas precisam pensar diversidade como o ponto onde os marcadores sociais das diferenças se tocam

A complexidade da diversidade é justamente pensar no tema de maneira ampla, para abranger todos, e ao mesmo tempo respeitar a particularidade de cada grupo minorizado. O tema do segundo painel do Fórum de Diversidade foi justamente a interseccionalidade, definida por Ricardo Sales, sócio-fundador da Mais Diversidade como o ponto onde os marcadores sociais das diferenças se tocam. “Na prática, pensar em interseccionalidade é refletir sobre onde as diferenças se cruzam. Pensar que é importante, fundamental e urgente falar sobre gênero, mas que não falamos em mulher só como categoria universal. Falamos sobre mulher trans, mulher negra, mulher com deficiência”, explica. Em seu trabalho como consultor, ele vê que as políticas de inclusão que são insuficientes são aquelas que não olham pra interseccionalidade.

Identificar esses grupos, onde eles estão nas organizações e gerar análises qualitativas sobre pode ajudar. Como lembrou a Dra. Mylene Ramos, juíza Federal do Trabalho do TRT da 2ª Região, não há 54% de pessoas negras nos cargos altos das empresas - mas essa diversidade é encontrada quando se olha para os terceirizados. Por isso, é necessário pensar na inclusão em todos os níveis. “No Brasil, os negros são os primeiros  a serem demitidos e os últimos a serem re-contratados. A mulher negra recebe o pior salário possível. Cerca de 54% dos brasileiros são negros. Vamos permitir que eles fiquem na cozinha ou vamos trazer para o salão de baile?”, provocou.

No caso, a ausência de grupos também denuncia algo. Em 20 anos trabalhando como professora da Faculdade de Engenharia da UNESP, Daniela Mourão nunca viu pessoas trans ali - além dela mesma. Entre alunos, professores e servidores, não ver pessoas trans a fez questionar: “Se não estão aqui, onde estão? Por que não encontramos pessoas trans em locais em que o emprego ou cargo requer visibilidade?”, questiona. Ela ainda coloca que as pessoas trans que estão estabelecidas no mercado são aquelas que transicionaram depois de se formarem. Atualmente, apenas 18% das pessoas trans conseguem se formar no Ensino Médio. Para ela, o melhor jeito de combater o preconceito é pela convivência entre as pessoas.

Uma barreira para Pessoas com Deficiência (PCDs), como lembra Guilherme Bara, gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço ECO na Basf, é a acessibilidade. E isso significa mais do que ter rampas, softwares ou outras ferramentas para o colaborador com deficiência. “A deficiência é inerente ao corpo. mas a incapacidade depende da relação entre a minha deficiência com as barreiras do meio. Eu, para mexer em um computador que não tem recursos de acessibilidade, eu sou totalmente incapaz. Mas, se esse computador tiver acessibilidade, me torno completamente capaz. A mesma coisa com um cadeirante e uma rampa. Muitas vezes essa falta de acessibilidade é uma rampa, mas a maior parte das barreiras é a atitudinal, a invisível. é a falta de oportunidade, gestor que tem uma tarefa para um colaborador com deficiência como uma viagem e acaba passando a tarefa para outra”, relata.

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