Geração de energia com casca de aveia faz da PepsiCo uma das vencedoras do Prêmio Eco 2013

publicado 05/12/2013 09h00, última modificação 05/12/2013 09h00
São Paulo – Pioneiro na operação mundial da companhia, projeto substitui combustível fóssil
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A aveia que a PepsiCo usa para fabricar os produtos Quaker, em Porto Alegre-RS, serve também para produzir a energia utilizada na própria unidade. A biomassa feita com a casca do cereal gera vapor para a caldeira, que antes era movida a gás natural. Com isso, conseguiu-se substituir uma fonte não renovável de energia e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

O projeto, em vigor desde julho de 2011, ganhou o Prêmio Eco 2013 na modalidade Práticas de Sustentabilidade, categoria Processos, entre empresas de grande porte.

Dentro da operação mundial da companhia, é o primeiro projeto de energia a partir do resíduo de um produto base, segundo Léa Mayor, diretora de Meio Ambiente, Saúde e Segurança da PepsiCo.

O projeto desenvolvido no Brasil segue a estratégia global de “performance com propósito”, diz a executiva. “A empresa é sempre orientada para resultados, mas queríamos gerar benefícios tangíveis e intangíveis para os consumidores e funcionários, por isso surgiu a ‘performance com propósito’, que representa o correto, o certo a ser feito para o negócio, por que ser sustentável”, explica.

Essa estratégia tem três pilares: sustentabilidade ambiental, sustentabilidade de talentos (comunidade interna) e sustentabilidade humana (que envolve resultados para a comunidade externa, como o valor nutricional dos produtos, por exemplo). O projeto gaúcho se encaixa no primeiro, que já possuía um programa mundial com foco em redução do consumo de água, energia e resíduos sólidos.

Desse norte surgiu a ideia de usar a casca de aveia, que era vendida integralmente para ser usada como farelo em ração animal. “Mas identificamos que havia um poder calorífico muito benéfico, com a vantagem de gerar menos cinzas durante o processo, o que é importante para a redução de emissão de materiais na atmosfera”, relata Léa.

Números

O poder calorífico da casca de aveia é de 4.395 kcal/kg, superior ao de outros insumos em 20% a 30%, segundo a empresa. A PepsiCo desenvolveu o projeto em parceria com a APS Soluções em Energia, que cuida da parte técnica do equipamento, enquanto a primeira adquire o vapor gerado.

Com a nova fonte, a unidade deixou de comprar 43 mil m³ por mês de gás natural e de emitir 1.042 toneladas de gases de efeito estufa (cálculo feito com base no GHG Protocol). Também reduziu em 38% o consumo de energia por Kg de aveia produzida na unidade. Houve redução de 1.440 toneladas de resíduos por ano, o que representa 20% do volume total da cascas do cereal – os outros 80% ainda são vendidos para ração animal.

Financeiramente, há economia de R$ 92 mil ao ano. Ao final de cinco anos de contrato, serão R$ 464 mil economizados. O investimento da PepsiCo será quitado em julho de 2016, quando os custos com o vapor deverão representar 10% do valor antes gasto com gás natural (entre R$ 50 mil e R$ 60 mil por mês).

De acordo com Léa Mayor, a PepsiCo já estuda replicar o projeto com outros tipos de insumos na biomassa.

Sustentabilidade

A executiva comenta que a companhia se inscreveu no Prêmio Eco por considerar a robustez do projeto e a importância da premiação. Ela diz que os critérios de avaliação do prêmio, o júri e a forma como o projeto é auditado conferem seriedade.

“O prêmio tem de vir de uma entidade que leve a sustentabilidade como um valor, pois não é apenas uma questão de ser ecolegal ou politicamente correto, mas de sobrevivência do próprio negócio”, afirma.

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