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Governança como pilar para implantação de ESG

publicado 27/04/2022 11h03, última modificação 28/04/2022 10h15
Especialistas dão insights de como as empresas podem começar a implementação de uma cultura focada em sustentabilidade.
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Sandra Guerra, Sócia Fundadora da Better Governance no primeiro dia do Fórum ESG 2022

Pautas do futuro não se fizeram tão necessárias no presente como temas ligados a ações de sustentabilidade, impacto social e políticas e processos dentro das empresas com o objetivo de promover uma sociedade mais justa. Durante o Fórum ESG realizado pela Amcham em uma plataforma de conteúdo com opção imersiva em formatos 3D e 2D, semelhante ao metaverso, nomes como Fábio Barbosa, Sandra Guerra, Beto Santos e Jaime Gornsztejn trouxeram pontos relevantes sobre tendências corporativas e como a atenção aos requisitos de governança são fundamentais para a implementação sólida de uma cultura ESG - Environmental, Social and Governance.

O evento de 3 dias, numa analogia temporal com a sigla ESG, teve em seu primeiro dia de pauta o tema governança, o que, segundo os especialistas presentes, é o caminho ideal para o desenvolvimento de ações que causem impacto na ponta.

Durante a abertura do primeiro dia de evento, Daniela Aiach, diretora sustentabilidade da Amcham, fez o lançamento da primeira edição da Revista ESG Trends, uma iniciativa da Amcham e da Trashin, um guia com ferramentas, tendências e estratégias de ESG para empresas.

Débora Vieitas, CEO da Amcham, enfatiza que esse encontro inédito e nacional é uma grande oportunidade para se atualizar sobre o tema e entender o que esperar da agenda ESG nos planos de governo durante as eleições brasileiras a fim de que cobre dos governantes cenários e ações cada vez mais consistentes para que se tenha um país competitivo. 

Com quadro de associados representando cerca de 1/3 do PIB nacional, espera-se que da união desses empresários as propostas de ações governamentais, pautadas na relação Brasil e Estados Unidos, maior inserção do Brasil na economia global através de acordos comerciais e de investimentos, sustentabilidade, criação de um mercado de carbono local, ações e agenda de transformação digital possam ser viabilizadas. Confira aqui o conjunto de propostas Amcham endereçadas aos Presidenciáveis 2022. 

 

Afinal, por que entender o que é ESG?

Fábio Barbosa, membro dos conselhos do Itaú-Unibanco, da Gávea Investimentos, da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), da Natura Cosméticos e da Ambev, explica que o empresário pode se atualizar sobre ESG por 3 razões:

Convicção: são empresas que entendem que esse é o melhor caminho a seguir;

Conveniência: são empresas que identificam que é melhor aderir a essa onda para aumentar sua receita ou ter prejuízo, caso não se adeque;

Constrangimento: são aquelas empresas que estão ouvindo seus concorrentes e parceiros falarem sobre o assunto e não querem ficar excluídas.

As empresas precisam estar atentas a esse cenário, pois fundos como a Black Rock possuem mais de 10 trilhões de dólares para empresas que passam em sua triagem de metas de diversidade de gênero, raça, redução de emissão de CO2, entre outros. Ou seja, é importante entender que os investidores estão cada vez mais seletivos.

Ampliar a competitividade do mercado priorizando a sustentabilidade e a responsabilidade social é o que denominamos ESG (Environmental, Social, Governance). Barbosa faz analogias e traz questionamentos acerca da evolução sustentável nos modelos de negócios, deixando claro que é necessário repensar os aspectos sobre a questão ambiental em razão ao que praticamos hoje e de como isso será refletido no futuro.

Que tipo de mercado encontraremos no futuro?

A perspectiva de valor que uma empresa pode alcançar se dispõe de um resultado para o futuro e para isso, é necessário conectar-se e adequar-se ao novo mundo para que o negócio se sustente em uma sociedade que está mudando no decorrer dos tempos. Afinal, responsabilidade social se trata de algo de visão estratégica, da qual busca maior competitividade e menor desigualdade.

Uma coisa é nítida: a nova sociedade constituiu um novo padrão de consumo, modelado por razões éticas, ambientais, inclusivas e cidadãs. Os jovens são responsáveis por incorporar esse novo critério e isso tem se propagado. Por isso, logo, os investidores serão mais criteriosos em direcionar seus investimentos. Fábio ainda afirma que para uma empresa estar conectada com o mercado ela deve acompanhar as mudanças do mesmo. Além disso, este padrão se trata de uma mudança necessária e que vem crescendo de forma acelerada, iniciando-se na Europa, EUA, China e por último, Brasil.

Desta maneira, isto significa que, o que realmente importa é o que uma companhia faz e de que modo ela faz. Além de ponderar isso, é válido considerar que sua transparência deve ser incontestável para seus grupos de interesses (sejam eles investidores, clientes, funcionários ou fornecedores). A sustentabilidade deve compor e fazer parte da estratégia da empresa.

 

ESG é sobre criação de valor

Quando uma empresa tenta criar valor econômico, qual problema dos seus stakeholders ela está abordando?

Sandra Guerra é fundadora da Better Governance e uma das precursoras de governança corporativa no Brasil. Sandra, que tem atuado como conselheira e presidente de conselhos de administração desde 1995, ressalta que priorizar o lado econômico é um pilar essencial para que o ESG se mantenha em uma organização.

Numa época onde tudo está online, é de extrema importância que as organizações se preocupem com o legado que estão deixando, tendo em vista que com o fácil acesso à informação faz com que os consumidores e investidores procurem marcas cada vez mais alinhadas com seus propósitos.

No entanto, o processo de implantação desses propósitos deve ocorrer tone at the top, ou seja, é necessário que se pense estrategicamente e defina metas claras com o problema que de fato está sendo resolvido. Esse modelo de pensamento tem se tornado cada vez mais imperativo e crescente, inclusive com adesão de pequenas empresas que têm buscado desenvolver soluções alinhadas com seu posicionamento.

Assim como a nova geração de consumidores está cada vez mais seletiva, os investidores também estão. Sandra Guerra aponta um dado do qual diz que “nas próximas décadas 30 trilhões de dólares serão transferidos através das mãos de  Millenials e 66% do poder de compra será controlado por mulheres”. Isto faz com que todo o grupo de stakeholders repensem qual corporação mais se enquadra nos atributos que a tornam competitivas, que minimizem os impactos ambientais e que cada vez mais reconsidere uma organização que filtra as mudanças de mercado e que fomentam a transparência, a inclusão e a diversidade (seja ela de gênero, de ideia ou de origem geográfica).

Com mais de 25 anos de vivência em governança corporativa, Sandra explica que com a criação de valor permite um envolvimento motivacional interno, uma vez que a equipe passa a ver o impacto que as ações da empresa estão proporcionando como geração de empregos, redução de emissão de carbono, diversidade e inclusão social, ao invés de simplesmente implantar rotinas de governança simplesmente para cumprir requisitos legais ou mercadológicos.

Sandra pontua ainda 4 passos para praticar e começar a prática de ESG, ressaltando a importância de ser papéis muito transparentes dentro da administração, considerando aspectos como:

- Princípios: um sistema de governança pautado em transparência, equidade, accountability e responsabilidade corporativa;

- Diversidade: seja ela por competências, de generosidade, ideias, origem geográfica para gerar um debate enriquecido de ideias;

- Processos e dinâmicas: que permitem o livre debate e capacidade de expressar ideias;

- Escuta ativa: as empresas cada vez mais precisam ouvir os stakeholder, antes mesmo que eles venham até empresa, visando buscar fórmulas e modelos compatíveis com as soluções propostas;

Em suma, a ESG visa oportunizar melhores decisões de investimentos e aproveitamento do mercado financeiro no Brasil, tendo em vista as questões ambientais, sociais e de governança, que possibilitem um mercado limpo, sustentável e mais competitivo, por meio de estratégias simples e imediatas,e que envolvam líderes dispostos a mudar o cenário da sustentabilidade empresarial atual.

Podemos até mesmo deduzir como será o mercado ou a economia do futuro, mas acima de tudo, o mais importante é, como as empresas estão se comportando hoje? Elas atuam a favor de um mercado sustentável e comprometido com relação a uma governança com capacidade de expressar ideais em relação às melhorias deste novo mercado e dessa nova geração sustentável?

A Governança é responsável pela tomada de decisões para criação de valor, fazendo com que o papel da companhia seja de executar com transparência todas as ações, bem como avaliar todos os aspectos ambientais e governamentais praticados pela mesma. Quando falamos em governança, nos referimos a uma liderança que preza por um sistema que se baseia em quatro princípios, os quais auxiliam uma organização a desenvolver seu propósito com base na ESG. São eles: transparência, responsabilidade, accountability e responsabilidade corporativa.

As empresas entendem, de fato, que a ESG é uma responsabilidade ou a consideram como uma reputação? A empresa do agora deve se preocupar na geração de valor em que a ESG irá agregar na organização. Para isso, é necessário que a empresa demande algumas competências, que ocasionalmente, promoverão valor a companhia, sendo elas: diversidade (em todos os âmbitos) e escuta ativa. Neste caso, a escuta ativa não se trata de apresentar respostas em relatórios, mas sim de interpretar as mudanças das partes interessadas.

Para que estes parâmetros possam ser aplicados, a Governança deve ser primordial e sua importância bem descrita enquanto uma empresa desejar transformar o mercado através da união do comércio, da sustentabilidade e responsabilidade social. Sandra deixa claro que, em uma organização todos devem estar alinhados em relação às novas perspectivas, afinal, a ESG é executada a partir de um todo.

Questionada por Beto Santos, diretor da Onetrust, a respeito de como uma empresa deve melhorar o diálogo com os investidores em relações as questões da ESG,   Sandra Guerra aponta que deve haver um sistema de Governança definido, onde se é possível executar orientações que decidem o futuro da organização e a criação de valor ambiental, social e econômico. Sandra ainda complementa que é necessário compreender a perspectiva dos investidores.

Jaime Gornsztejn que é Diretor de Stewardship e Governança Corporativa da Federated Hermes, complementa o que Sandra diz com a seguinte fala: “Tem sido muito produtivo desenvolver a cultura do engajamento com os Conselhos. Há dois ou três anos era muito difícil um investidor ter acesso a um conselheiro de uma empresa brasileira, e isto está mudando e, para nós investidores, tem sido fundamental”.

Portanto, é preciso que a empresa defina o que é importante e necessário para ela. Unindo a concisão e a materialidade para que todo o processo venha ser valorizado e que um repertório seja criado. Além do mais, se aplicados  os princípios (já citados acima) de forma compatível com a companhia, será possível atingir uma governança muito mais sólida, independente do porte da empresa.

Bruno Laskowsky, Diretor do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) cita um exemplo de decisão e governança dentro da empresa. Laskowsky diz que definiu como o maior KPI ( Key Performance Indicator, ou seja, Indicador-Chave de Desempenho) da empresa o impacto gerado na ponta, citando a chamada de carbono, referenciando a mesma como pequena, em termos de volume financeiro, porém com o impacto direcional gerado na ponta, muito abrangente em questões de sinalização de mercado, tornando isso, então, algo cultural. Além do mais, o BNDES visa realizar transações justas para chegar a uma economia neutra em carbono, objetivando sempre o aumento econômico e o desenvolvimento sustentável.

Sendo assim, a Amcham objetiva seus esforços junto a grandes líderes com o intuito de transformar o mercado, reduzindo as desigualdades públicas e ambientais, visando formas de preservar o meio ambiente e reforçar oportunidades relevantes para o Brasil e países desenvolvidos a executarem as mesmas ações.

Desta forma, é relevante enfatizar que isto ocorrerá com base nos cinco pilares definidos pela Amcham, sendo eles: Relações Brasil-Estados Unidos; inserção do Brasil na economia global; criação de um mercado de carbono local; sustentabilidade e Transformação Digital. Por fim, vale ressaltar que, a ESG não é uma restrição, mas sim uma oportunidade de viabilizar um futuro melhor, para economia e para o meio ambiente.

E para empresas que querem fazer a diferença no mercado e sobreviver ao futuro, a Amcham tem a 1º Trilha de Capacitação para fornecedores ESG, o primeiro programa completo de formação de executivos focado no desenvolvimento de parceiros e cadeia de suprimentos. Serão 12 encontros online para explanar sobre os princípios estratégicos da sigla que norteiam o futuro.

A Amcham liga. Se liga! Venha fazer parte de uma comunidade de mais de 4 mil empresas e 100 mil executivos que se relacionam e se capacitam com o objetivo de encontrar soluções para as necessidades corporativas do momento. Seja um associado Amcham Brasil!