Novo Relatório Integrado deverá ser principal comunicação entre empresa e todos os seus públicos

por simei_morais — publicado 06/06/2013 14h54, última modificação 06/06/2013 14h54
São Paulo – Com informações de todas as áreas da empresa, modelo funciona como raio-x completo do negócio
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Enquanto os relatórios pontuais – de finanças ou sustentabilidade, por exemplo- são uma fotografia dessas áreas, o relatório integrado poderá mostrar a empresa como um todo, como num filme. Essa é a ideia por trás do relatório integrado, um novo modelo de reportar a todos os públicos as principais informações de uma corporação.

“Diferente do relatório de finanças, por exemplo, que não é legível para leigos, o relatório integrado tem como objetivo ser lido e compreendido por todos os steakholders. Será o principal meio de comunicação com todos os públicos: investidores, governos e sociedade”, afirma Maurício Colombari, sócio de Assurance da PwC.

Ele apresentou o novo modelo durante o comitê aberto de Finanças da Amcham – São Paulo na quarta-feira (05/06), ao lado de André Gonçalves, gerente geral de Relações com Investidores da Fibria Celulose, que comentou a experiência da companhia em migrar de relatórios específicos para o mais abrangente.

O relatório integrado (RI) é proposto pelo IIRC (International Integrated Reporting Committee), organização que promove a integração de informações de finanças, sustentabilidade e governança nos relatórios corporativos. A estrutura conceitual está em discussão pública em dez países (o documento está disponível para leitura e sugestões no site do IIRC). “Há um ano, esse assunto tomou o mercado no mundo todo”, cita Colombari.

Transparência

No Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lidera a discussão por meio da Comissão Brasileira de Acompanhamento, que congrega companhias, auditorias, especialistas em sustentabilidade, ONGs, associações, bancos e investidores. “Os modelos passados já não são mais suficientes para os investidores. A iniciativa do BNDES já é um indicativo de que o próprio banco deve passar a exigir o relatório integrado para avaliar a liberação de financiamentos”, aponta.

O interesse com o RI, diz o consultor, é chegar a um modelo que atenda à demanda global cada vez maior por transparência nos negócios e facilidade de aceso aos diferentes dados de uma empresa. “O balanço contábil tem ativos e passivos, enquanto o de sustentabilidade normalmente mostra informações só positivas. Mas aí você pode verificar no contábil que há uma provisão para um grande contingente ambiental [e cruzar os dados]. Esse integrado, então, é mais transparente”, exemplifica.

Princípios do RI

Segundo Colombari, o RI deve conter estratégia e orientação para o futuro do negócio. “Metade dos relatórios [atuais] que analisamos não consideram estratégias”, destaca o consultor. Conectividade das informações, capacidade de resposta aos steakholders, materialidade e concisão, e coerência e comparabilidade das informações são outros princípios que devem estruturar o relatório.

O conteúdo deve conter não apenas o tradicional capital financeiro, mas os dados do capital intelectual, manufaturado, humano, social, de relacionamento e ambiental.

“As bases [do relatório] são as mesmas [para todo mundo], mas o relatório é customizado, de acordo com o setor da empresa e suas especificidades. Tem de inserir os aspectos relevantes, do coração da empresa”, pontua.

Na prática

A Fibria Celulose, uma das brasileiras que já estão mobilizadas para fazer o RI, formou um grupo de trabalho com profissionais de sustentabilidade, controladoria e relações com investidores. O foco deles é preparar o caminho para migrar ao novo modelo.

Uma das primeiras questões práticas do grupo foi o que fazer, diante da agenda fixa de publicação de relatórios “tradicionais”. “Cada documento, cada compromisso, tem um público diferente, além de prazos e focos”, comenta André Gonçalves, gerente geral de Relações com Investidores da Fibria.

A decisão foi não atrasar a publicação de nenhum relatório, uma vez que são exigências de mercado, mas antecipar os que não são de natureza financeira. “As empresas que têm sustentabilidade como estratégia estão mais bem preparadas para o RI”, cita.

Já seguindo esses novos preceitos, a empresa decidiu publicar, em 2012, a estratégia de, em 15 anos, reduzir um terço de sua área plantada, apoiada em inovações tecnológicas. “É um comprometimento a longo prazo, mas há projetos estratégicos de curto prazo que vão endossar esse posicionamento”, declara. “Um dos objetivos é mostrar quais os fatores de risco para o mercado se relacionar com a gente”, completa.

Para Gonçalves, o RI não é apenas mais um relatório, mesmo porque é mais conciso e tem dados conectados. “Tende a ser o principal relatório. O movimento global mostra um consenso bem grande, para o qual o mercado está migrando. Vai ser uma realidade em breve”, destaca.

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