Políticas públicas e conscientização são essenciais para estimular sustentabilidade empresarial

publicado 31/07/2015 14h56, última modificação 31/07/2015 14h56
São Paulo – Vencedoras do Prêmio ECO dizem que muitos projetos ficam no papel por falta de incentivos
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Para que a sustentabilidade empresarial se desenvolva no Brasil, é preciso haver políticas públicas de longo prazo e conscientização sobre a importância do tema, concordam as seis empresas vencedoras do Prêmio ECO 2014 – Rhodia, Raízen, Itaipu Binacional, Pontal Engenharia e Beraca.

“A regulamentação tem papel fundamental para que as empresas deem passos seguros no caminho da sustentabilidade. Muitos projetos não saem do papel devido a barreiras burocráticas que os inviabilizam economicamente”, disse Gabriel Gorescu, gerente de marketing e inovação da Rhodia, no 4º Seminário de Sustentabilidade da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (30/7).

A Rhodia venceu o Prêmio ECO 2014 na categoria Práticas de Sustentabilidade (Produtos e Serviços), ao apresentar o Amni Soul Eco – um fio sintético biodegradável para roupas e tecidos que se decompõe em até três anos nos aterros sanitários.

Claudio Borges Oliveira, diretor de relações externas e sustentabilidade da Raízen, também manifestou o desejo de políticas específicas para estimular práticas socialmente responsáveis nas empresas. “Gostaria que o tema da sustentabilidade fosse prioridade para o governo. É importante ter um plano consistente de desenvolvimento da sustentabilidade, e também uma estratégia de atuação conjunta entre setor privado e governo”, assinala Oliveira.

A Raízen ganhou o ECO 2014 na mesma categoria da Rhodia, pelo seu projeto de etanol de celulose. O combustível é obtido através do aproveitamento do bagaço de cana, o que gera aumento de produção de até 40%, e sem necessidade de expandir a área plantada.

Margaret Groff, diretora financeira executiva da hidrelétrica de Itaipu Binacional, defendeu um a necessidade de diretrizes mais claras para os resíduos sólidos. “Há muita coisa a ser feita quanto à destinação de lixo. Estamos falando, por exemplo, de educação e engajamento de todos.” A Itaipu foi uma das vencedoras na categoria Práticas de Sustentabilidade (Processos), com a adoção de práticas sustentáveis na produção de energia.

Conscientização

A vertente educacional foi abordada pela construtora Pontal Engenharia e a fornecedora de insumos para cosméticos Beraca. “As pessoas têm que entender que os recursos naturais são finitos. Na Beraca, sempre buscamos formas de extrair insumos, evitando cortar árvores ou provocar desequilíbrios ambientais”, afirma Thiago Terada, gerente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Beraca.

A parceria da Beraca com as universidades de São Paulo (USP) e de Columbia, nos EUA, para medir o impacto de suas ações em comunidades extrativistas do Norte e do Nordeste brasileiros deu à empresa um prêmio ECO no ano passado, em Práticas de Sustentabilidade (Processos).

Para Ivo Corrêa Faria, diretor executivo da Pontal Engenharia, quanto mais os conceitos de sustentabilidade se popularizarem, mais projetos desse tipo surgirão. “Com mais consciência, teremos mais espaço para iniciativas socioambientais.” Em 2014, a Pontal venceu em duas categorias: ELIS (Estratégia, Liderança e Inovação para a Sustentabilidade), em função da adoção da sustentabilidade nas estratégias de negócio, e em Práticas de Sustentabilidade (Processos), pela redução de resíduos em construções.

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