Práticas de responsabilidade social avançam entre empresas de capital fechado

por andre_inohara — publicado 10/12/2012 16h00, última modificação 10/12/2012 16h00
São Paulo – Sociedade, profissionais e investidores têm exigido do mundo corporativo respeito a princípios socioambientais.
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O engajamento com práticas de sustentabilidade no mundo corporativo está chegando também às empresas de capital fechado, que em tese não precisariam dar satisfações de seus atos ao mercado e à sociedade.

Elas têm buscado replicar iniciativas de companhias influentes, abertas, que se esforçam intensamente para operar dentro da legalidade e de princípios socioambientais.

“Tem havido interesse de empresas de capital fechado de estarem se avaliando por meio de índices de sustentabilidade”, afirma Roberta Simonetti, diretora do GVCes – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

“Elas ainda não são muitas, mas temos pensando em criar algo nesse sentido para elas se avaliarem e se compararem com as de capital aberto”, acrescenta ela, que participou do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo ocorrido na última sexta-feira (07/12).

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Ou seja, a aderência crescente das empresas a tais práticas tem a ver com a exigência atual de consumidores e profissionais. É uma tendência irreversível e salutar tanto para o meio ambiente como o mercado em geral, conforme a especialista.

“Se as empresas não praticarem sustentabilidade, vão perder funcionários, bem como o aval da sociedade para operar. Além disso, o investidor não vai mais olhar para elas”, continua Roberta. Há a percepção de que a boa imagem de uma empresa não se forma apenas com resultados financeiros consistentes.

“É cada vez mais clara a existência de ativos intangíveis [como valor de marca, tecnologia e qualidade de vida]”, argumenta Roberta. “E ainda há a questão da percepção de risco do investidor. Uma empresa que tem controles internos e está atenta à escassez de recursos terá um risco de perda ou descontinuidade bem menor.”

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Idicadores empresariais de sustentabilidade no Brasil

Na FGV, a especialista ajudou a desenvolver o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa, uma carteira que reúne ações de empresas com práticas reconhecidas de responsabilidade social.

Além do ISE, há indicadores de sustentabilidade em uso no Brasil como o GHG Protocol, ferramenta usada para quantificar e gerenciar emissões de gases do efeito estufa (GEE). Criado nos EUA, o GHG visa a quantificar as emissões de GEE.

A FGV também desenvolve indicadores verdes para o setor financeiro, em conjunto com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Trabalhamos com a Febraban para construir uma matriz de indicadores do protocolo verde [passo para a implementação de uma agenda de sustentabilidade no setor financeiro], e a oferta de produtos e serviços com responsabilidade socioambiental”, comenta ela.

Para criar uma metodologia de indicadores, é preciso considerar várias dimensões. “Há a social, a ambiental, a econômico-financeira e a de governança corporativa”, exemplifica Roberta. “Mas também tem muita coisa relacionada a mudanças climáticas, transparência e riscos que o produto ou serviço apresenta”, acrescenta ela.

De modo geral, a adesão tem sido qualitativa, avalia Roberta. “As grandes empresas já aderiram. São elas as que têm recursos financeiros, humanos e envergadura para liderar o processo porque levam toda a sua cadeia de fornecedores a acompanhá-las.”

A liderança dessas empresas no tema da sustentabilidade, ao influenciar a cadeia de valor, é uma forma eficiente de fazer com que a sustentabilidade se espalhe. “Temos estudos que mostram que empresas que participam de iniciativas voluntárias setoriais se beneficiam porque trocam experiências. Isso é bom, pois precisamos de um mundo mais colaborativo”, destaca Roberta.

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