#PremioECO: consumo atual é insustentável e aumenta responsabilidade das empresas, diz Helio Mattar

publicado 25/08/2016 14h02, última modificação 25/08/2016 14h02
São Paulo – Para o presidente do Instituto Akatu, consumidores vem absorvendo mais recursos do que o planeta pode produzir
consumo-pic01.jpg-5017.html

O uso de recursos naturais para produzir bens está atingindo níveis críticos. Cresce, assim, o papel das empresas em limitar o consumo excessivo e criar produtos mais sustentáveis. Essas foram algumas conclusões de Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, no 5º Seminário de Sustentabilidade da Amcham – São Paulo na quarta-feira (24/8). “As empresas serão atores sociais fundamentais para a educação do consumidor, formação de uma nova mentalidade de consumo e a viabilização de estilos sustentáveis de vida. E temos pouco tempo para isso.”

Hugo Bethlem, sócio-diretor da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, e Luiz Carlos Dutra, sócio-diretor da FSB, também debateram o papel das empresas no desenvolvimento da sustentabilidade. O encontro foi realizado em parceria com o Estadão. Além do evento, o Estado hospedará o blog Ecoando, que trará temas de responsabilidade social e ambiental e também a cobertura do Prêmio Eco, com cases e estratégias de empresas.

O Prêmio ECO da Amcham foi o pioneiro do Brasil em reconhecer práticas de sustentabilidade empresarial. As inscrições poderão ser feitas até 15/9 no site www.premioeco.com.br. A cerimônia de premiação acontecerá em dezembro, na Amcham São Paulo.

Cenário ambientalmente insustentável

Com alto nível de consumo, o mundo caminha rapidamente para um cenário ambientalmente insustentável, segundo Mattar. Citando dados da organização não governamental Global Footprint Network, responsável por calcular o Earth Overshoot Day (Dia de Sobrecarga da Terra, em português), Mattar disse que o mundo consome 60% a mais de recursos naturais a cada ano.

De acordo com o Global Footprint Network, isso significa que é preciso processar os recursos de 1,6 planeta Terra para atender à atual demanda de consumo. A tendência é aumentar, segundo Mattar. “Se mantido o atual modelo de produção, vamos precisar de mais do que quatro planetas em vinte anos.”

Com produtos mais econômicos, as empresas têm feito sua parte para reduzir a necessidade de consumir três planetas a mais nos próximos anos. Com novos modelos de negócios, as empresas podem criar produtos e serviços duráveis que estimulem o consumo consciente. “Precisamos de uma transição que vá além da tecnologia, se quisermos construir uma sociedade realmente sustentável, que terá o suficiente para todos e para sempre.”

Para Bethlem, a conscientização sobre a importância da sustentabilidade também é uma responsabilidade empresarial. “O desafio para uma companhia é mudar seu foco de lucro acima de tudo, para o desenvolvimento das pessoas.” De acordo com Dutra, a mudança tem que partir de cima e envolver toda a empresa. “Os drivers da sustentabilidade são liderança, engajamento e multiplicação. Se não houver escala, não fazemos a diferença.”

registrado em: