Produção sustentável de palmito de pupunha dá à Coopalm o Prêmio ECO 2011

por andre_inohara — publicado 18/11/2011 15h17, última modificação 18/11/2011 15h17
São Paulo – Cooperativa conseguiu agregar agricultores familiares e viabilizar modelo de produção inclusivo e ambientalmente responsável

A Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm) conseguiu unir retorno econômico e social na produção de palmito de pupunha no sul da Bahia e conquistou o Prêmio ECO 2011 na modalidade “Sustentabilidade em Processos”, entre as empresas pequenas e médias.

A cerimônia de entrega da premiação será em 02/12, na sede da Amcham-São Paulo.

Foi por meio de parcerias e um modelo mais participativo de negócios que a Coopalm desenvolveu um sistema competitivo e sustentável de produção de palmito de pupunha, que assegurou renda e moradia ao pequeno produtor.

O começo foi difícil, revela o presidente da cooperativa, Raimundo Souza dos Santos. A desconfiança era devido às experiências anteriores de modelos de cooperativa, que foram mal sucedidos.

Quebra de barreiras

As barreiras só começaram a ser quebradas quando os produtores perceberam que fariam parte de todo o processo produtivo. “Como o conselho administrativo da cooperativa também era formado por produtores, começou a surgir mais confiança”.

Esse modelo possibilitou que o palmito premium Cultiverde, da Coopalm, alcançasse a segunda posição no ranking das marcas mais vendidas no País no início de 2011.

O faturamento da Coopalm evoluiu de R$ 1,4 milhão em 2006 para R$ 12,7 milhões em 2010. De acordo com a cooperativa, as receitas de 2011 devem alcançar R$ 17,6 milhões.

A metodologia da Coopalm segue premissas de desenvolvimento sustentado, como a Governança Participativa. O sistema pressupõe co-responsabilidade social, econômica e ambiental de todos os envolvidos.

Parcerias

A primeira parceria da Coopalm foi com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), garantindo crédito para o plantio de pupunha.

Além da renda média, os produtores recebem da cooperativa assistência técnica qualificada e remuneração por mérito.

Outra parceria fundamental foi com a Fundação Odebrecht, lembra Santos. “Eles entraram com assessoria técnica e divulgação de produtos. Antes, os produtores bem que tentavam produzir, mas não tinham conhecimento suficiente.”

A cooperativa criou fundos rotativos de crédito, uma espécie de adiantamento aos produtores para que não percam a época de plantio enquanto aguardam a liberação do financiamento do Pronaf.

Quando o modelo de cooperação se consolidou, surgiram parcerias para garantir a industrialização e a comercialização do palmito.

Aliança cooperativa

Tendo como base a confiança e a colaboração, a Coopalm fechou contratos de fornecimento com uma indústria privada de beneficiamento – a Ambial – e redes varejistas, constituindo a Aliança Cooperativa Estratégica do Palmito.

A Coopalm garante quantidade, constância e qualidade da produção. Por sua vez, a Ambial se responsabiliza pela qualificação e certificação do produto final, enquanto as redes varejistas compram a produção para revenda.

A origem do produto se tornou um diferencial em um mercado em que boa parte da concorrência oferece palmito de origem duvidosa a preços baixos.

Por meio da Aliança Cooperativa Estratégica do Palmito, o número de produtores da Coopalm passou de 37 em 2006 para 519 em 2010, sendo 93% agricultores familiares.

Reconhecimento

Quando o Prêmio ECO foi anunciado para a Coopalm, Souza disse ter experimentado um sentimento de satisfação, em função das dificuldades enfrentadas no início do projeto.

“Imaginar que uma cooperativa formada por produtores desacreditados e que muitos tentaram desestimular deu certo é um orgulho muito intenso”, comemora.

Prêmio ECO 2011

Neste ano, o Prêmio ECO foi estruturado em duas modalidades: “Estratégia, Liderança, Inovação e Sustentabilidade” (Elis) e “Práticas de Sustentabilidade” – esta subdividida nas categorias “Sustentabilidade em Produtos e ou Serviços” e “Sustentabilidade em Processos”.

A modalidade Elis se relaciona a modelos de negócios e estratégias mais amplas da empresa que incorporam a sustentabilidade.

Já a categoria “Práticas de Sustentabilidade” é subdividida em duas: “Sustentabilidade em Processos” e “Sustentabilidade em Produtos ou Serviços”.

A subdivisão de Processos reconhece métodos produtivos que levam em conta atributos de sustentabilidade, tanto na sua própria operacionalização quanto nas políticas que os orientam e nos indicadores que avaliam seus resultados.

Em “Sustentabilidade em Produtos ou Serviços”, são premiados os produtos, serviços ou linhas de produtos ou serviços com práticas incorporadas de sustentabilidade.

Os atributos devem fazer parte do ciclo de vida do produto ou serviço, ou seja, da concepção/design, fabricação/elaboração, distribuição, consumo/prestação e descarte/reutilização.

São doze os projetos ganhadores neste ano. Confira aqui.

29 anos reconhecendo práticas de sustentabilidade

O Prêmio ECO foi lançado em 1982, sendo o pioneiro no reconhecimento de empresas socialmente responsáveis e que desenvolvem práticas de sustentabilidade. Já mobilizou 1.979 companhias (entre brasileiras e multinacionais), com 2.455 projetos inscritos e 213 condecorados.

Realizado em parceria com o jornal Valor Econômico, o Prêmio ECO abre espaço para participação de todas as classes de empresas atuantes no País segmentadas por porte, inclusive as públicas.

Desde 2009, o foco da premiação é a "Inovação Sustentável na Gestão dos Negócios", procurando valorizar a sustentabilidade nas diferentes esferas da operação empresarial.

 

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