Recuperação de florestas é base para garantir reservas hídricas e substituir matriz energética fóssil

publicado 14/12/2017 15h37, última modificação 14/12/2017 16h09
São Paulo – Para José Penido (Fibria e Coalizão do Clima, Florestas e Água), o “verde das florestas recupera o azul da água dos rios”

Para José Penido, líder da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas desmatadas nas próximas décadas é fundamental para garantir o abastecimento hídrico das cidades e a base para uma matriz energética livre de combustíveis fósseis (gás e petróleo). O replantio foi um compromisso assumido pelo Brasil no acordo de Paris sobre o clima.

“O verde (das florestas) é que produz o azul (da água). Se o Brasil plantar 12 milhões de hectares, provavelmente seis milhões serão de mata nativa. A outra metade, cultivada com lógica econômica, protegeria a formação de água nos mananciais que servem as grandes cidades e também geraria madeira para produzir energia renovável”, argumenta Penido, na cerimônia das empresas vencedoras do Prêmio ECO da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (14/12).

Penido também é presidente do conselho de administração da Fibria e debateu as perspectivas da sustentabilidade empresarial ao lado de Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da B3. Deborah Vieitas, CEO da Amcham, moderou o debate.

O Brasil é um dos poucos países no mundo que tem condições de produzir energia a partir de matrizes mais limpas, defende o executivo. “Se plantarmos pelo menos dez milhões de hectares, como previsto no plano de longo prazo, em 2050 o Brasil não teria mais nenhuma geração de energia com produto fóssil. Seria uma combinação de hidrelétrica, biomassa, solar e eólica.”

A recuperação florestal também tornaria a produção hidrelétrica mais estável. Para o executivo, é um “erro estratégico imenso” investir no modelo de hidrelétricas de reservatório – mais sujeitos à sazonalidade climática e que provocam alto impacto ambiental. “Nossos reservatórios estão totalmente vazios. A única energia que pode encher nossos reservatórios de forma estável é a de biomassa [originada das florestas de uso comercial]”, defende Penido.

O plantio de três milhões de hectares de floresta seria suficiente para substituir a geração de energia a partir de combustíveis fósseis (gás, carvão e diesel) no Brasil. “Isso daria em torno de dez gigawatts (GW) de capacidade instalada”, detalha Penido. Para comparar, a usina de Itaipu tem capacidade anual de 14 GW de energia.

Para dar certo, é preciso engajamento das empresas e do governo. “Com alguma ajuda na formulação estratégica de uma meta pública nacional de geração de energia com esse portfólio, poderíamos criar uma lógica econômica virtuosa de energia para o Brasil”, acrescenta Penido.

 

Criação de valor compartilhado 

Entre as empresas de capital aberto, o monitoramento de riscos climáticos é realizado na grande maioria que integra o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. De acordo com uma pesquisa da B3, 91% das empresas integrantes do ISE incluem os riscos e oportunidades decorrentes da mudança do clima no planejamento estratégico e gerenciamento de riscos.

“A inclusão de riscos climáticos no negócio é a grande novidade da carteira [atualizada a cada trimestre]. É uma agenda de respeito socioambiental que entrou definitivamente nos conselhos de administração”, detalha Favaretto.