Reduzir danos é obrigação, marcas precisam é gerar impacto positivo, afirma CEO da Utopies

publicado 08/08/2018 09h51, última modificação 10/08/2018 10h29
São Paulo – Para a fundadora da 1º consultoria europeia sobre sustentabilidade e inovação, é preciso falar de sustentabilidade dentro da estratégia do negócio
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Elisabeth Laville participou da reunião do comitê Estratégico de Sustentabilidade da Amcham - São Paulo no dia 02/08

Fazer menos mal ao meio ambiente não é o suficiente: é necessário caminhar para um modelo de gerar impacto positivo. Essa é a perspectiva de Elisabeth Laville, fundadora e CEO da Utopies, a primeira consultoria e think tank europeia dedicada à sustentabilidade e inovação. A convidada participou da reunião do comitê Estratégico de Sustentabilidade da Amcham - São Paulo, no dia 02/08, para falar sobre o tema da sustentabilidade conectado com a inovação e construção de marcas.

Laville lembrou que, atualmente, as organizações ainda têm uma estratégia de sustentabilidade muito voltada para a minimização dos impactos negativos. O problema é que ter uma área, uma linha de negócios verde ou um prédio sustentável não altera o business as usual, segundo a consultora.

“Nesta era, a sustentabilidade está muito separada da estratégia do negócio. Na maioria das vezes, dentro da sustentabilidade, você não fala de estratégia de negócios. E, na estratégia de negócios, não se fala em sustentabilidade. Eventualmente, existe uma área verde, ou uma linha de produtos verdes, um prédio sustentável. Isso não muda o business as usual, o propósito é manter a licença para operar, o que significa minimizar os efeitos negativos e ficar fazendo a mesma coisa. Não há criação de valor”, explicou.

Um exemplo dado por ela é que carros poluem muito menos do que há 30 anos, usando menos combustíveis fósseis e com motores que geram menos gases nocivos. Individualmente, a solução é boa. O problema é que há muito mais carros nas ruas do que há 30 anos - ou seja, a emissão total aumentou. “O consumo está aniquilando o progresso feito da produção”.

Aos poucos, isso está mudando. Um sinal claro disso para Laville foi a carta de Laurence Fink, CEO e fundador do BlackRock, considerado o maior gestor de ativos no mundo. Divulgada em janeiro de 2018, a carta ressalta que as empresas devem trabalhar com um propósito para atingir seu potencial. Isso envolve diversos tópicos como relação com comunidades, impactos ambientais e diversidade. Para Laville, isso reforça a ideia que companhias que não levam o tema da sustentabilidade de maneira estratégica correm o risco de perder investimento. Como exemplos de boas práticas, Laville citou o Cooperative Bank, um banco no Reino Unido que assumiu publicamente o compromisso de não investir em empresas que prejudicam e impactam negativamente o meio ambiente.

Essa revolução do impacto positivo tem efeitos positivos também nos negócios. Isso envolve atender a demanda de consumidores (86% esperam que empresas tomem ações relacionadas a problemas sociais) e também gera resultados financeiros. Marcas que são envolvidas com a questão da sustentabilidade tem uma performance superior em comparação a empresas que não tem uma atuação tão forte. Isso aparece em alguns KPIs como intenção de compra (44% contra 18%) e intenção de recompra (71% contra 36%).

 

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