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S no ESG: inclusão social como ferramenta de transformação para as empresas

publicado 29/04/2022 11h26, última modificação 29/04/2022 12h22
No último dia de Fórum ESG na Amcham, abordamos o S de Social. Fique por dentro dos principais insights e percepções das lideranças convidadas no último dia!
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Rachel Maia, Conselheira da Unicef, no estúdio com Daniela Aiach, Diretora de Sustentabilidade da Amcham, em conversa sobre diversidade e inclusão.

Muito além do crescimento financeiro, que antes era o maior responsável pela percepção de valor de uma empresa, as pautas ESG se tornaram uma oportunidade para que as corporações façam a diferença na sociedade através de atividades empresariais que atestam responsabilidades com o meio ambiente, bem estar social e a ética corporativa.

O setor privado percebeu que suas iniciativas poderiam ajudar a construir uma sociedade mais justa, e começou a incorporar iniciativas ESG às suas organizações.

Portanto, o ESG representa o futuro e gera oportunidades relevantes para o Brasil e para suas empresas.

No tocante a isto, consciência é a palavra que move o novo mercado do século XXI e, para os stakeholders de todo o mundo, o ESG é a transformação de um mundo mais competitivo, menos desigual e mais verde.

Com o intuito de conscientizar o país a respeito de um mercado com amplas possibilidades de expansão econômica e maior abertura social de diversidade e inclusão, a Amcham tem discutido, ao longo de 3 dias, a pauta ESG, trazendo para debate cada uma das ações que compõem a sigla. Confira a seguir os principais insights do último dia do Fórum:

 

A transformação através do letramento, segundo Rachel Maia

No último dia 28, a Amcham contextualizou mais um dos pilares do ESG, o pilar Social. E para isso, contou com a presença de Rachel Maia, fundadora da RMConsulting, que além de já ter atuado como CEO de empresas como Lacoste e Pandora, Rachel desempenha hoje o papel de Conselheira no UNICEF Brasil, Banco do Brasil, CVC e Vale.

Durante toda sua apresentação, Maia aborda o impacto da inclusão social para empresas e negócios e destaca um dos pontos mais cruciais do pilar Social do ESG. Para Rachel a “inclusão é um pertencimento, não basta simplesmente estar em uma foto, além de trazer o pilar da diversidade para sua mesa, é preciso pensar no tema como uma jornada, não se cobre pontualmente, pense a longo prazo”.

Neste mesmo contexto, ela faz várias ressalvas de como os líderes têm agido diante um fator social tão relevante e eminente como a inclusão social e suas vertentes da diversidade. Afinal, não é possível que apenas um ou dois pilares do ESG sejam exercidos, se todos desejam um mercado mais limpo, competitivo e com abertura para todos.

Questionada acerca do que é necessário para criar uma cultura de inclusão dentro das organizações, Rachel contextualiza que tudo se inicia através do letramento, ou seja, conhecimento. Ela frisa que a sociedade em que vivemos é muito injusta e que para que a cultura seja criada, é preciso que os líderes desenvolvam um posicionamento estratégico para que o pilar social faça parte da agenda, seja uma organização do setor do público, privado ou terciário. Para isso, Rachel ressalta que é imprescindível o letramento, que não se trata somente sobre treinar, mas sim de uma ação de aprendizado.

Rachel se posiciona em relação aos vieses inconscientes e retrata esse fato observando que tudo é uma questão estrutural, de uma sociedade que foi construída de forma arcal. Ela ainda relembra a abolição da escravatura, que prosseguiu sem nenhum tipo de política pública de inclusão e pertencimento e complementa: “Nós não tínhamos um povo escravo, nós tivemos aqui um povo escravizado”, portanto, a questão do letramento é essencial desde esse marco.

Em síntese, o pilar Social deve fazer parte da estratégia da empresa através do conhecimento — diz Rachel. Ela ainda nos convida a fazer o “Teste do Pescoço” e observar, quantitativamente, o quão plural está a diversidade ao nosso entorno, tarefa essa que cabe à sociedade. Para Rachel,a sociedade é quem deve fomentar maiores oportunidades de inclusão, portanto cabe a cada um de nós trazer mais representatividade.

Ainda sobre o posicionamento dos líderes em relação à inclusão e diversidade dentro das companhias, Rachel situa sua opinião sobre como os líderes devem implementar o pilar Social em suas companhias. Ela declara isso com a seguinte fala: “Líderes precisam pensar em diversidade com métricas e indicadores, não adianta apenas aprender a fazer uma fala adequada ao tema. Para investir em diversidade, comece com você, toda ação tem que gerar bem ao próximo e incluir. Como empresa e organização, capte talentos por novas vertentes. Inove, pluralize, transforme e busque talentos diferentes. Não busque as mesmas fontes, atravesse a ponte, tem talentos também na periferia”.

 

A responsabilidade social corporativa não é sobre estar apenas em uma cadeira, e sim sobre termos algo a retribuir à sociedade

Javier Constante, Solange Sobral, Jorge Oliveira , Alexandre Carreteiro e Carla Fabiana participaram de um bate-papo moderado por Fernanda Kantor que atua como Chief Risk Officer (CRO) na Citi, onde abordaram suas perspectivas concernentes à responsabilidade social corporativa.

As grandes transformações são feitas por todos, mas são encaminhadas pelo líder: a visão de Solange Sobral sobre diversidade e inclusão nas empresas.

Solange Sobral atua como Vice-Presidente Partner de Operações na CI&T, ao ser questionada sobre como ela tem incentivado as ações de diversidade, estando em uma posição de alta liderança, ela deixa claro que, responsabilidade social corporativa não é sobre estar apenas em uma cadeira, e sim sobre termos algo a retribuir a sociedade, o que de fato, é uma responsabilidade para abrir caminhos a outras pessoas.

Ela ainda diz que a melhor forma de liderar é com exemplo, ou seja, a melhor forma de uma liderança transformar um assunto dentro de uma empresa é tendo ações concretas. 

Solange diz que se envolver com a causa e com os pilares do ESG é o que uma empresa deve fazer, de fato. Além disso, ela deixa um questionamento às empresas a respeito do quanto elas de fato estão trazendo o ESG para o cotidiano e como os líderes e toda a comunidade estão envolvidos com as causas sociais.

Ela complementa ainda que o ESG não é só uma área, ele deve ser seguido através de uma agenda, um grupo de ações para que o ESG de fato se concretize e permaneça como parte da organização.

Para Solange, a estratégia sozinha não muda uma empresa, sendo assim necessário o acompanhamento na parte tática e na execução, através das atividades do dia a dia. Solange frisa que é possível que uma liderança gere uma transformação local e possa ser escalada para o nível corporativo e assim mudar a cultura de uma empresa. As grandes transformações são feitas por todos, mas são encaminhadas pelo líder. Diversidade e inclusão não é sobre tratar igual, é sobre tratar da forma como cada um precisa ser tratado.

 

“Nós temos 400 anos de escravidão, isso não pode ser ignorado”: Alexandre Carreteiro fala sobre as iniciativas da Pepsico no tocante social

No mesmo bate-papo Alexandre Carreteiro que atua como Presidente da PepsiCo Brasil Alimentos é convidado a dar um conselho a pequenas e médias empresas a respeito da responsabilidade social corporativa. Ele começa dizendo que o pilar social deve ser unido de forma estratégica aos pilares da governança e ambiental.

Nesse aspecto, Alexandre pauta que a Pepsico elevou o tema a uma iniciativa responsável por dar foco e tocar no tema  social de maneira central na estratégia da companhia. Para Alexandre o ESG é uma jornada, por isso devemos saber o nosso ponto de partida sendo o letramento racial o primeiro ponto a ser pautado e abordado no quesito Social. 

Para Alexandre, entender o passado é necessário “nós temos 400 anos de escravidão, isso não pode ser ignorado.” Por isso, a Pepsico tem executado ações de letramento racial para a toda a empresa, assim como a criação de grupos de afinidade, que estão envolvidos em todas as estratégias da empresa, desde a revisão de campanhas publicitárias à mentorias, levando a todo o grupo as próprias vivências e desafios como seres humanos.

 

Inclusão no DNA: Javier Constante fala sobre as ações de inclusão da Dow 

Composto por mulheres, negros, LGBTQI+ e pessoas que apresentam diversidade geográfica, o conselho da Dow está categorizado com um dos boads mais diversos do mundo corporativo. Javier ressalta que 31% de sua liderança global e 52% da liderança no Brasil é composta por mulheres. Nesse caso, ele ressalta  que uma das ações chave para a Dow é não focar somente na contratação, mas também no plano de carreira.

Neste mesmo painel de discussão, Javier Constante, Presidente da Dow e membro do Conselho de Administração da Amcham diz que a diversidade e a inclusão em algumas empresas precisam de consistência. Ele ainda ressalta que na Dow, o tema de equidade e respeito a comunidade LGBTQIA+ é trabalhado há mais de 20 anos em sua sede nos Estados Unidos, sendo importante engajar seus funcionários, através da participação de grupos de afinidade para termos diversidade. Além do mais, na Dow, o bônus da empresa é medido por parâmetro de inclusão.

Javier deixa uma recomendação para as empresas. Para ele, a liderança é importante mas é necessário olhar para lideranças táticas também, porque muitas vezes os processos de discriminação acontecem nessa parte, sendo isso um ponto de perda de talentos diversos para as companhias.

 

Respeito ao próximo: para Jorge Oliveira o diálogo é a chave para engajar os stakeholders nas ações de responsabilidade corporativa

Ao ser questionado sobre como envolver os stakeholders nas ações de responsabilidade corporativa para que elas sejam efetivas, Jorge Oliveira que é CEO da ArcelorMittal Tubarão - Aços Planos América do Sul pontua que o diálogo é a chave para engajar todos os interessados como conselho, lideranças e comunidade.

Jorge afirma que quando o Estado cresce, a empresa também cresce, por isso, a ArcelorMittal Tubarão desenvolve seus programas sociais em parceria com várias lideranças da sociedade, que fica responsável por eleger a pauta de ações e programas sociais para os próximos três anos.

 

Inclusão é poder se sentir parte de tudo: como Carla Fabiana enxerga o papel do líder nas ações de diversidade

Carla Fabiana que atualmente é Gerente Global de Diversidade e Inclusão na Gerdau é convidada a responder sobre qual conselho ela daria para as pessoas empenhadas em levantar ações para defender essas causas dentro das companhias e como a estratégia Top-Down pode dar certo para lideranças intermediárias.

Carla avalia que ter um profissional dedicado ao tema da diversidade dentro de uma organização é muito relevante, pois dá celeridade e foco ao tema. Porém, esse não é o único caminho possível para tornar essa pauta viável. Ter uma pauta centrada na agenda da companhia, com a atenção da alta liderança focada e disposta a desenvolver estratégias a favor da diversidade e inclusão é fundamental para que as agendas sejam cumpridas.

Para ela, nenhuma estratégia se sustenta se não estiver envolvida na agenda da alta liderança. Ela ressalta que a média liderança tem um papel importante e pode influenciar a alta liderança trazendo detalhes da relevância do tema para o negócio além de influenciar a organização trazendo esse tipo de discussão para a dentro.

Portanto, a inclusão é uma jornada, devendo ser pensada em longo prazo, com metas e indicadores inseridos às metas das lideranças, que devem estar incluídas no processo de transformação social.

Sendo assim, a Amcham objetiva seus esforços junto a grandes líderes com o intuito de transformar o mercado, reduzindo as desigualdades públicas e ambientais, visando formas de preservar o meio ambiente e reforçar oportunidades relevantes para o Brasil e países desenvolvidos a executarem as mesmas ações.

Vale ponderar que todos os pilares do ESG (Ambiental, Social, Governança) posicionam um papel altamente importante para a conquista de um mercado econômico e competitivo menos desigual, mais limpo e sustentável. 

E para empresas que querem fazer a diferença no mercado e sobreviver ao futuro, a Amcham tem a 1º Trilha de Capacitação para fornecedores ESG, o primeiro programa completo de formação de executivos focado no desenvolvimento de parceiros e cadeia de suprimentos. Serão 12 encontros online para explanar sobre os princípios estratégicos da sigla que norteiam o futuro.

A Amcham liga. Se liga! Venha fazer parte de um grupo de mais de 4 mil empresas e 100 mil executivos que se relacionam e se capacitam com o objetivo de encontrar soluções para as necessidades corporativas do momento. Seja um associado Amcham Brasil!