Se as empresas querem diversidade, não adianta recrutar nos mesmos lugares, diz Monique Evelle

publicado 01/10/2018 10h38, última modificação 01/10/2018 17h19
São Paulo – Diversidade de pensamento e classe está fora dos locais tradicionais

A empresária e ativista Monique Evelle é contundente ao afirmar que a dificuldade das empresas em recrutar candidatos de diversidade é porque elas não procuram onde eles estão.

“Empresas, vamos falar a verdade. Quais são as faculdades que vocês chamam aqui em São Paulo? USP, Mackenzie e PUC. Vocês não vão encontrar diversidade de pensamento e de classe lá. Então não adianta falar em diversidade”, afirma, no Fórum de Diversidade da Amcham-São Paulo na quinta-feira (27/9).

As empresas têm que circular em ambientes de diversidade, continua. “E sabe por que a empresa não sabe? Porque vai procurar (candidato) no Mackenzie, na PUC. Não vai procurar na Casa 1 [Centro de Cultura e Acolhimento LGBT], que elas não sabem que existe. Não sabe que existe o Redes Vivas [coletivo de profissionais de saúde para atendimento ao público LGBT e negro]. Porque as empresas não circulam.”

Para a ativista, o mais importante não é a empresa contratar profissionais de diversidade. É dar condições efetivas para que mais deles tenham oportunidades de fazer carreira e liderar - o que ela chama de proporcionalidade.

“Diversidade existe nas empresas. É só olhar para o porteiro e o jovem aprendiz. Mas eu (que sou negra) quero me sentar com diretores e diretoras que estão lá. Quero ser essa pessoa que assina, mas não quero ser a única. É por isso que falo da proporcionalidade.”

Monique comenta que a baixa renda e lacunas na formação são realidades para os negros, geralmente moradores de bairros periféricos e violentos. Quando uma empresa anuncia vagas para esse público em processos tradicionais, terá naturalmente uma receptividade baixa.

“A empresa está falando de transformação digital. Mas não conseguiu nem entender que aquele menino que não vai enviar o currículo para a sua empresa, para aquela vaga em inglês, está tentando garantir um negócio muito simples na Constituição. Que é o direito à vida.”

Outra questão levantada pela empresária é a receptividade nas empresas. “Tudo bem colocar pessoas negras, LGBT, deficientes, nos lugares. Só que nem todo mundo está preparado para receber.”

Sem equacionar essas questões, os públicos de diversidade não se sentirão convidados. “Não adianta colocar publicidade, se não acontece dentro. Porque a primeira coisa que olham é onde estão os profissionais de diversidade”, disse Monique.

Assista à íntegra:

 

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