“O que estamos vivendo agora vai virar case de Supply Chain no futuro”, afirma Decio Cicone

publicado 26/03/2020 12h57, última modificação 09/04/2020 14h37
Brasil - Faturamento e lucro são importantes, mas foco agora deve ser em continuar suprindo a demanda das pessoas
Com a disseminação do Coronavírus, as empresas de distribuição e logísticas precisam conciliar a segurança de seus colaboradores com a sua viabilidade operacional. .jpg

Com a disseminação do Coronavírus, as empresas de distribuição e logísticas precisam conciliar a segurança de seus colaboradores com a sua viabilidade operacional.

Com a disseminação do novo coronavírus, a área da saúde não é única que não pode interromper suas atividades. O mesmo ocorre com o setor de distribuição e logística, que já está começando a sentir os efeitos econômicos dessa crise. As empresas precisam responder em várias frentes ao mesmo tempo: conciliando a segurança de seus colaboradores com a sua viabilidade operacional. 

De acordo com Decio Cicone, Diretor de Supply Chain da BD, a crise atual nos mostra a importância do Supply Chain para manter o bom funcionamento da sociedade. “A situação está muito fluida – cada dia é uma notícia ou movimento novo. Mas isso que estamos vivendo agora, sem dúvidas, vai virar case de Supply Chain no futuro”, afirma o executivo durante o webinário* “Distribuição e Logística: automação, entrega remota e oportunidade na crise”, que aconteceu no dia 25/03. Além dele, também participaram Marcos Assunção Bagnolesi, Diretor Executivo Comercial da Sequoia, e Marcelo Frias, Diretor Executivo da Rufato. 

Apesar da BD não comercializar nenhum produto que está na linha de frente do combate a COVID-19, Cicone conta que houve um aumento na demanda de alguns insumos e uma sobrecarga no trabalho das equipes. O principal exemplo é a almofada para assepsia, utilizada até então para facilitar a aplicação de insulina. “Em uma falta generalizada dessa almofada, a demanda foi multiplicada por quatro. Consequentemente, além de não termos o produto para combater a doença, acaba que não teremos também para os diabéticos”, diz. 

A saída encontrada pela empresa foi controlar os pedidos antes do faturamento para diminuir a compra desenfreada do produto. “Podemos gerar um impacto gigantesco na sociedade se determinado insumo ficar em falta. Esse controle de pedidos que criamos agora é fundamental para manter o abastecimento da população”, afirma o Diretor, esclarecendo que, até agora, não houve nenhuma interrupção no fluxo de distribuição. 

O IMPACTO NA IMPORTAÇÃO 

A maioria dos produtos comercializados pela BD são fabricados nos Estados Unidos, México, Singapura e alguns países da Europa. Mas expectativa para o mercado de importação não é alta, principalmente o internacional, que viu seu custo quadruplicar em março. “Como as pessoas ainda estavam se adaptando, houve uma instabilidade no frete marítimo e uma queda de disponibilidade de navios. Nessa reta final do mês, já voltamos ao normal. Porém, com o frete marítimo equacionado, vivemos a angústia do frete aéreo por causa do fechamento dos aeroportos”, explica. 

Por outro lado, Cicone revela que, no mercado nacional, não houve nenhum aumento de custo por causa da pandemia. Mas, segundo ele, é possível que aconteça uma alta do preço do frete aéreo local e uma diminuição na disponibilidade de voos nas próximas semanas.

 

DESAFIOS DO SETOR

Não é só o custo que interfere nas atividades de uma empresa especializada em distribuição e logística. O maior problema da Sequoia, especializada em Gestão de Supply Chain, foi o fechamento de estradas na Região Sul do país. “Estradas fechadas, caminhões parados e polícia na nossa porta”, foi assim que Marcos Assunção Bagnolesi, Diretor Executivo Comercial da companhia, descreveu as operações em Santa Catarina.

“Apesar de tudo, precisamos preservar a saúde financeira da Sequoia”, diz. Mesmo mantendo o funcionamento da maior parte de suas atividades, a empresa implantou as medidas legais indicadas. De acordo com Bagnolesi, todos os colaboradores que entram na Sequoia passam pela medição de temperatura e podem se consultar com os dois médicos infectologistas disponibilizados pela companhia. “Tomamos a decisão de afastar as pessoas que podem fazer home office e antecipar férias. Além disso, estamos pensando também em redução da jornada de trabalho”. Porém, apesar da disponibilidade de trabalhar remotamente, o Diretor Comercial da empresa revela que muitos dos problemas ainda precisam ser resolvidos presencialmente no escritório. “Estamos tentando minimizar os impactos do coronavírus, mas para alguns segmentos isso é bem difícil”, afirma.  

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados aqui. 

 

*A íntegra desta transmissão não está mais disponível no Amcham Connect.  
**Esta notícia sofreu alterações desde a sua divulgação.