Basf, Danone, GE, Libbs, BMA, Goodyear e AES compartilham suas ações de Compliance e Gestão de Risco

publicado 27/07/2016 16h33, última modificação 27/07/2016 16h33
São Paulo – III Seminário Compliance e Gestão de Risco da Amcham reuniu cases referências no tema. Confira os destaques
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A adoção de programas efetivos de combate à corrupção se tornou uma das grandes prioridades para as organizações que querem se proteger de fraudes, principalmente aquelas relacionadas a terceiros. Para falar sobre estratégias para monitoramento, minimização de riscos e a Lei Anticorrupção, a Câmara Americana de Comércio em São Paulo promoveu o III Seminário de Compliance e Gestão de Risco, que aconteceu hoje, (27/7), reunindo um time de especialista de diversos setores.

O evento foi dividido em dois painéis, que abordaram os impactos da gestão de riscos para o compliance e o monitoramento da efetividade dos programas. No final, um o Coordenador-geral do Ministério da Transparência, Antonio Carlos Vasconcellos Nóbrega, falou sobre o programa de integridade e seus efeitos na competitividade brasileira. Confira os principais destaques:

José Leonelio de Souza - Business development head de governança, risco e compliance na Thomson Reuters
“Sem dúvida nenhuma a Lei Anticorrupção influenciou, influencia e continuará influenciando qualquer empresa que esteja sediada no Brasil. Um das coisas do decreto que regulamenta a Lei determina que as empresas devam, sim, avaliar a qualidade dos programas de integridade dos seus terceiros”.

“Eu monitoro aqueles que são de alto risco com especial atenção. Além disso, para todos os outros, eu também tenho um monitoramento contínuo. Na medida em que eu avalio dinamicamente as pessoas que se relacionam comigo, eu posso chegar à conclusão que alguém que não tinha risco, passou a ter”.

Fábio Cunha - Diretor jurídico, regulatório e compliance na Danone
“Tem empresas que têm um apelo de marca muito grande, como a Danone. A multa é irrelevante perante a marca. Ninguém vai comprar um produto se nós estivermos associados a um escândalo corrupção. Por mais que não vá diminuir a qualidade do nosso produto, efetivamente, ninguém quer se associar a uma marca que está relacionada a um escândalo. Para nós não é uma opção estar exposto a esse tipo de situação”.

Gabriela Nolasco - Compliance leader in Latin America na GE Energy Connections
“Acho muito importante ter um monitoramento que seja efetivo e não esteja só no papel, que na prática esteja acontecendo e que cada funcionário da empresa seja responsável por aquilo do dia a dia. Não adianta o jurídico orientar a assinatura de um determinado contrato se o time do projeto não se sente responsável por acompanhar aquilo”.

Maurício Roncato - Head de riscos e compliance na Libbs Farmacêutica
“O risco é inerente ao negócio. O risco faz parte da sua condição de negócio, mas é preciso descobrir esses fatores. O que é que vai impulsionar que ele se concretize? O que é que permite que ele cause um impacto na companhia? É preciso tratar isso de maneira coerente. Colocar no plano de ação e fazer o follow-up constantemente”.

Adriana Dantas - Sócia líder da área de ética corporativa/compliance na BMA
“No que se refere à revisão, um instrumento efetivo é a aprendizagem dos processos internos. Eu acredito fortemente que as crises são oportunidades de progresso”.

“Na minha experiência eu noto que as investigações conduzidas,a análise das denúncias que foram feitas - seja por meio dos canais de denúncia ou de forma oral -, são meios muito eficazes de identificar como o programa de compliance deve ser monitorado e revisto”.

André de Oliveira - Diretor Jurídico na BASF e Presidente da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas
“O tema se apresenta como um desafio e o quadro brasileiro hoje faz com que ele seja ainda maior. Eu tenho sentido que a sociedade como um todo tem se movimentado na direção de evoluir na questão dos padrões de conduta e o setor privado tem um papel significativo nessa dinâmica”.

“Para nós, o compliance pertence a todos, mas vem de cima, da liderança. Com isso, a gente contribui para a cultura na empresa”.

“Eu tenho absoluta certeza de que o mercado começa a comprar mais produtor de quem tem compliance”.

Gabriela Ciccone - Diretora Jurídica na Goodyear
“Nossas lideranças respiram compliance e a gente multiplica essa sensação”.

“A Lava Jato muda o ambiente de negócios no país e, com isso, o compliance começa a surgir com mais força e a cultura passa a ser mais presente”.

“A gente estimula todo o tipo de denúncia. A investigação se inicia através da denúncia”.

Pedro Bueno Vieira - Vice-presidente de Assuntos Legais, auditoria e compliance na AES Brasil
“Eu acumulo jurídico, compliance e auditoria interna. A diferença para mitigar é o report do compliace, que é uma linha pontilhada para mim e uma linha sólida para o compliance mundial, que fica nos EUA”.

“No final do dia compliance é treinamento, treinamento e treinamento. A cultura tem que impregnar, principalmente, para quem tem uma rotatividade muito grande. É fundamental um treinamento eficaz quando a pessoa que entra e ao longo da vida desse funcionário. As regras são bastante rígidas e você deixa muita gente descontente”.

Compliance veio para ficar e não tem retorno com relação a isso. Essa é a mensagem passada diariamente. Acho que esse é o caminho”.

Antonio Carlos Vasconcellos Nóbrega, Coordenador-geral de responsabilização de entes privados do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle
“Vivemos em uma tempestade perfeita com eventos esportivos no Brasil (Olimpíadas e Copa do Mundo), um momento político peculiar, as manifestações populares em 2013 e a Lava Jato, maior operação policial da historia do país, que gera uma conjuntura de fatores que talvez leve a mudanças significativas. E dentro dela, o compliance ganha destaque”.

“A lei é nacional. A Lei Anticorrupção vale para esfera federal, estadual e municipal. Ela é bem ampla. Inclusive, eu acredito que com o passar do tempo essa lei será mais utilizada por estados e municípios”.

 

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