Filosofia faz as secretárias trabalharem melhor

por gustavo_galvao — publicado 15/04/2013 12h39, última modificação 15/04/2013 12h39
São Paulo – Pensamentos de Heidegger, Sartre, Bauman e Aristóteles podem melhorar a vida profissional
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“Ser humano já significa filosofar”, dizia o pensador alemão Martin Heidegger. Mas, hoje em dia, ficou difícil para secretárias executivas, com tantas preocupações e cobranças, terem tempo para refletir e aplicar pensamentos filosóficos na vida prática. Foi essa a mensagem principal de Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da Faculdade Cásper Líbero. Ele participou nesta quinta-feira (11/04) do Comitê de Secretariado realizado na Amcham São Paulo.

Para Martino, é possível, sim, ter um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. E o primeiro passo é aplicar a filosofia no cotidiano. “Quando se fala em filosofia, às vezes a gente pensa em algo muito distante, mas as grandes questões filosóficas acontecem no dia a dia”, disse. De acordo com ele, o ser humano é capaz de rupturas, a partir do momento em que esteja disposto a refletir sobre as escolhas feitas durante a vida. O filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre defendia a ideia de que “o homem está condenado a ser livre”. Ou seja, ainda que esteja preso a limites, sempre há a possibilidade de mudança, de renovação. “O espanto com a própria existência é o melhor que a gente pode ter”, afirmou o pesquisador.

Eu x outros

Só que o mundo atual está repleto de relações “líquidas”, em permanente fluidez, como explicou o professor. Nesse sentido, o que importa é a tarefa a ser entregue, somente a equipe com quem trabalha, enquanto as outras pessoas são reconhecidas como seres invisíveis ou meros objetos. “Na empresa que a gente trabalha, nós cumprimentamos todo mundo? Ou algumas pessoas fazem parte dos móveis?”, indagou Martino. E, dentro desse conceito estudado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, pode-se compreender que as relações entre os homens estão cada vez mais instantâneas e “coisificadas”.

Um exemplo citado pelo palestrante foi o metrô lotado no horário de pico. Naquele momento, o único objetivo de todos é chegar ao destino. Para alcançar essa meta, não importa o espaço ou o incômodo que possa ser causado ao próximo. “Uma vida plena com os outros começa reconhecendo no outro alguém que é igual a mim”, afirma Martino.

Consumo = felicidade?

Após analisar a vida plena consigo mesmo e com os outros, o teórico apresentou o conceito que as pessoas preservam com as coisas que possuem. “Uma relação que pode ser muito prazerosa, mas também muito destrutiva. Hoje em dia, o consumo não é um meio, mas é visto como uma finalidade em si”. A plenitude de muitos indivíduos acaba sendo alcançada somente no ato de ter, sendo que esse anseio quase sempre não é algo essencial para a vida.

O pesquisador aponta que o caminho é seguir a filosofia de Aristóteles, em que “a virtude está no caminho do meio”, que pode ser encontrado no equilíbrio que cada um individualmente pode descobrir como alcançar. “Como dizia o educador brasileiro Paulo Freire, ninguém educa ninguém, todos nós nos educamos”, finaliza Martino.

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