Liderança compartilhada melhora o trabalho das equipes

por gustavo_galvao — publicado 02/05/2013 16h41, última modificação 02/05/2013 16h41
São Paulo – Consultores apontam que é preciso romper a hierarquia e dar voz a todos os funcionários
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Os empregados não precisam ter, necessariamente, uma relação subordinada com o chefe. A nova tendência para as empresas é permitir uma liderança compartilhada. Foi o que disse Maurício Goldstein, sócio-fundador da consultoria Corall. Ele participou, ao lado de Vicente Gomes, que também é sócio-fundador da Corall, e de Guilherme Tiezzi, sócio da Agenttia Trade Marketing & Value Builders, do Comitê Estratégico de Gestão de Pessoas realizado na quinta-feira (02/05), na Amcham-São Paulo.

“Em vez de ter poucas pessoas com liderança e outros que obedecem, é importante começar a compartilhar essa autoridade para que muitos tenham protagonismo”, disse Goldstein. De acordo com ele, é importante que a governança corporativa não preserve uma hierarquia, mas um trabalho colaborativo. “Um exemplo seria uma empresa com 500 funcionários e nenhum gerente. Cada um vai coordenando as atividades para fazer com que elas aconteçam, por meio de uma auto-responsabilidade compartilhada entre as duas partes”, explica.

Acupuntura organizacional

De acordo com Vicente Gomes, também da consultoria Corall, a equipe precisa trabalhar de forma mais comunicativa, com uma liderança diluída entre os profissionais ou com um chefe que seja mais flexível. O primeiro passo é abrir o diálogo e estar disposto a incorporar as ideias da equipe na rotina de trabalho. “O próprio fato das pessoas terem uma voz ativa na coordenação do trabalho já dá um grande impacto na felicidade e no reconhecimento dentro da empresa”, ele aponta.

Esse conceito de redistribuição das funções, onde cada um pode responder por várias áreas, é explicado por Gomes como uma espécie de “acupuntura organizacional”. Segundo o consultor, essa mudança funciona da mesma forma como quando a agulha toca em um ponto do corpo e reflete em outro durante o tratamento de uma acupuntura. “Os pequenos pontos provocam grandes mudanças no grupo”, explica.

Mas o que falta aos gestores é acreditar no funcionamento dessa estratégia. Por isso, Gomes propõe que a companhia se paute em exemplos bem sucedidos de liderança compartilhada. “Se você começa a ver alternativas que dão certo, você fica mais forte, pode aprender com o outro e dialogar não só dentro, mas entre as organizações”, afirma. Segundo ele, é preciso seguir em direção às parcerias com outras empresas e aprender com o que deu certo e o que deu errado.

Relação com os clientes

Outro exemplo de mudança na estrutura dos poderes dentro da companhia foi apresentado pelo empresário Guilherme Tiezzi. Ele falou sobre o case de seu próprio negócio, a Agenttia, empresa em que é sócio-diretor e atua em redes colaborativas de distribuição, com o objetivo de promover o ganha-ganha nas relações entre o fabricante e os canais de venda.

Ele propõe que as indústrias atuem em parceria com suas redes de clientes (supermercadistas, distribuidores, revendedores, etc), como alternativa aos altos custos para entrar nos grandes canais. “O que sempre acontecia era o ganha-perde, mas agora as margens estão diminuindo e tem de haver um novo diálogo entre os atores da rede”, afirma. 

Segundo Tiezzi, falta aos atores uma maneira diferente de se comunicar com esses canais, que precisa ser estabelecida. “Nem a indústria se preocupou com o diálogo e a articulação de uma rede baseada em relações mais de longo prazo e confiança, nem o dono da revenda e do atacado foi convidado a falar”, diz. Para ele, essa discussão sobre diálogo e parceria suscita conceitos que não são exatamente novos. “Mas ficaram para trás após a revolução industrial”, declara.

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