Para inovar, é preciso não ter medo do erro

por gustavo_galvao — publicado 24/05/2013 16h56, última modificação 24/05/2013 16h56
São Paulo – Em workshop, consultor disse que o aprendizado deve estar pautado em projetos pilotos
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“A experimentação deve acontecer em um ambiente controlado para se expor pouco e aprender muito”, disse Maximiliano Carlomagno, sócio-fundador e administrador da consultoria Innoscience. Ele foi o palestrante do Workshop de Inovação, que aconteceu na quinta-feira (23/05), na Amcham-São Paulo. A sua orientação principal para os empresários que participaram do evento foi o investimento na prática das ideias que têm grande chance de dar certo. “O processo de inovação tem de identificar as oportunidades e gerar, refinar, testar e executar as ideias”, orientou.

Arriscar algo novo, segundo o consultor, sempre gera um grau de incerteza. Por isso, a empresa não deve fazer um grande investimento e desenvolver um programa megalomaníaco que, caso não seja bem sucedido, possa trazer dividendos. A orientação dele é justamente o contrário: optar por um projeto piloto simples, em que o gasto seja mínimo, mas o aprendizado seja compensador tanto para os funcionários da empresa quanto para os seus consumidores finais. 

“O projeto piloto não é para dar certo, mas para dar errado. Deve ser uma busca intencional do erro”, alertou Maximiliano Carlomagno. De acordo com ele, essa pode ser uma grande oportunidade para a empresa testar uma inovação que, no futuro, alavancará os negócios da companhia. Todavia, o consultor propõe o erro, mas de forma controlada, como um laboratório, pois a tentativa por meio da experimentação é uma das etapas do processo de inovação.

Como inovar

Antes do workshop, os empresários participantes preencheram um questionário com as principais dúvidas sobre as estratégias de inovação. Com base nisso, Carlomagno apresentou quatro tópicos importantes que devem ser analisados: a relação com os clientes, a ambição da própria empresa, o que a concorrente está fazendo e as mudanças sociais.

A partir desse pilar, é preciso identificar os perfis de profissionais que podem colaborar com os projetos de inovação e, mais do que isso, participar deles. “A inovação está ao alcance de todos e pode ser desenvolvida”, disse o consultor. No entanto, existem caminhos para direcionar melhor os funcionários na busca pela inovação com base em suas próprias funções. “Existe o criador das ideias, o refinador, que aprimora os conceitos, o experimentador e o executor”, menciona.

Após a seleção com base na competência de cada profissional, eles devem ser organizados dentro do ciclo da inovação. Esse sistema é compreendido pela etapa da idealização, conceitualização, experimentação e implementação. Diante dessa maturação dos conceitos desenvolvidos dentro desses projetos, o escopo inicial sofre mutações e, na maioria das vezes, se transforma completamente. “95% das ideias que deram certo diferem do escopo original. Foi o caso do Viagra, que foi concebido para hipertensão pulmonar e, na fase de experimentação, provocou outras reações”, contou.

Viver o cliente

A inovação pode ser encontrada no cotidiano dos consumidores de determinado produto. Mas nem sempre as empresas estão preocupadas em “viver o cliente”. Maximiliano Carlomagno apontou que muitos executivos entendem que a relação com aqueles que recebem o produto ou serviço está pautada somente em pesquisas. “Vivenciar a realidade dos clientes é outra coisa, pois eles são as fontes primárias de ideias”, explica o palestrante, que lembra o caso de uma empresa que sugeriu ao vice-presidente passar um final de semana com uma família na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Outro conceito apresentado é de que clientes são importantes, mas ainda mais crucial é visualizar os não clientes. “Aqueles que não consomem são uma enorme oportunidade de inovação, pois não há tanta concorrência”, orientou ele, que lembrou de empresas que passaram a lançar produtos em outros segmentos para fortalecer a marca e aumentar o seu alcance no mercado.

Há ainda os chamados “lead users”, aqueles que fazem um uso mais intenso do produto e o transformam. “A indústria de skate, de quase US$ 1 bilhão no mundo, surgiu basicamente de dois públicos. Os surfistas, que colocavam rodinha nas pranchas, e os que usavam patinetes e arrancavam a parte da frente do brinquedo”, contou.  Como eles inovam antes que o mercado surja com uma novidade, acabam sendo uma fonte de ideia barata e que deve ter uma interação maior com a empresa.

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