Principal desafio das multinacionais brasileiras é superação de barreiras culturais

publicado 27/03/2015 14h02, última modificação 27/03/2015 14h02
São Paulo – Embraer, Gerdau e Stefanini contam sobre como criaram operações bem sucedidas fora do Brasil
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Três grandes multinacionais brasileiras, Embraer, Gerdau e Stefanini, tiveram que superar resistências culturais próprias e também externas para conquistar mercados em outros países.

Na cerimônia de posse do Conselho de Administração da Amcham 2015, na quinta-feira (26/3), os presidentes Frederico Curado (Embraer) e Marco Stefanini (Stefanini), além do vice-presidente da Gerdau Guilherme Gerdau Johannpeter, disseram que a adaptação a outras realidades foi o principal desafio para alcançar posições de destaque no exterior.

“A barreira cultural é o grande desafio para as empresas brasileiras se tornarem globais”, afirma Stefanini. A empresa de serviços de TI fundada por ele em São Paulo opera atualmente em 34 países e fatura US$ 1 bilhão por ano. Metade do faturamento vem das operações de outros países, revela o executivo.

Construindo novas operações ou adquirindo concorrentes locais, o processo de internacionalização da empresa passou por dificuldades de adaptação. “Não estávamos preparados para ter equipes prontas para assumir a gestão em outras regiões. Tivemos que convencer os executivos locais ou trocá-los por aqueles mais afinados com nossa filosofia de trabalho.”

O fundador da empresa conta que, para facilitar a adaptação em cada país, o principal executivo de cada operação da Stefanini no exterior é nativo na maior parte dos casos.

Gerdau

Quando a Gerdau quis operar nos Estados Unidos, no início de 2000, sua filosofia organizacional ajudou a abrir portas na região. “Tínhamos padrões elevados de segurança do trabalho, o que facilitou nosso diálogo com a comunidade local”, disse Guilherme Gerdau.

Antes do mercado norte-americano, a Gerdau operava nas América do Sul e Central. Atualmente, a Gerdau é uma das principais siderúrgicas americanas, e suas operações na América do Norte (EUA, Canadá e México) representam 32% do faturamento total do grupo.

Consolidada nas Américas, a Gerdau busca mercados em outros continentes, como a Ásia e Europa. Estabelecendo-se na Índia, a empresa ainda procura entender os costumes locais. “Em matéria de internacionalização, nosso maior desafio hoje é transmitir nossa cultura e forma de gestão na Índia. Ainda estamos interpretando qual a forma de fazer negócios por lá”, detalha Gerdau.

Embraer

Ser bem sucedido no exterior não é apenas uma questão de possuir clientes de outros países, afirma Frederico Curado, presidente da Embraer. “Temos que nos inserir na sociedade local. Uma coisa é exportar, ter clientes em outros países, e outra é fazer parte da sociedade e ser reconhecida como tal.”

Curado disse que é preciso participar da vida local não só oferecendo empregos à comunidade, mas também formando profissionais. “Com a inserção local, temos acesso à tecnologia e fundos de pesquisas exclusivos para nativos”, acrescenta Curado. Atualmente, a Embraer possui 85% de seu faturamento vindo da operação norte-americana.

A integração com outras realidades ajudou a Embraer a criar uma cultura global que abriu portas para o continente asiático, especialmente a China. Mas tanto Curado como os outros dois executivos disseram que a expansão para fora traz riscos e deve ser uma decisão de longo prazo. “Se não tivéssemos decidido pela internacionalização, não estaríamos no patamar que ocupamos hoje”, assinala Curado.

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