Produção industrial fraca faz Banco Fator revisar projeções econômicas

por andre_inohara — publicado 04/07/2013 15h47, última modificação 04/07/2013 15h47
São Paulo – Economista-chefe disse que atividade produtiva não retomará vigor passado
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A produção industrial brasileira abaixo do esperado foi determinante para que o Banco Fator revisasse para baixo suas expectativas para 2013. “Nossa previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) vai mudar de 2,4% para 2,2%”, disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves no comitê de Finanças da Amcham-São Paulo realizado na quinta-feira (4/7).

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O dado da produção industrial dessa semana foi a “pá de cal” que evidenciou a deterioração do cenário econômico, destaca o economista, “Não dá pra recuperar a produção com o que está acontecendo no mundo e com a (fraca) demanda doméstica”, afirma.

Em 2/7, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que a produção industrial caiu 2% entre maio e abril. A queda ficou abaixo do piso das estimativas de mercado, que iam de -1,7% a zero.

Para Gonçalves, a desaceleração industrial que ocorre hoje é um fenômeno relacionado à demanda futura, e não de eventual falta de incentivos governamentais.

O economista conta que nem mesmo as condições facilitadas de crédito para máquinas e equipamentos do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), estão atraindo os empresários.

“O custo de capital não é tudo. Se o empresário não enxergar, lá na frente, para quem vai vender, não vai aumentar sua capacidade hoje. A percepção de quem vai comprar adiante é bem mais importante”, argumenta Gonçalves.

Além disso, o empresariado se frustrou com os modelos de leilões de concessões de infraestrutura do governo, que dão pouca lucratividade. “Oferecer uma taxa de 5,5% de retorno em um projeto de trinta anos, como o das usinas elétricas, não é interessante”, exemplifica ele. “O governo está falando agora em 7,5%, mas porque não subir para 8,5% ou 9%?”, indaga Gonçalves.

Piora de expectativas e de gastos públicos

A piora das expectativas é sustentada pelos indicadores da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor da entidade recuou 0,4% ante maio, para 112,9 pontos. É o menor patamar desde março de 2010, quando o indicador bateu em 111,6 pontos.

Gonçalves também cita o Índice de Confiança do Comércio (ICOM). O indicador que mede o sentimento dos varejistas a cada período de três meses, caiu 3% entre a medição encerrada em junho e a do ano passado. A queda foi maior quando se compara o período de junho e o do trimestre findo em maio: 3,6%. “A percepção é muito ruim”, resume o economista.

Também não há indicações de que o governo conseguirá economizar mais, dificilmente cumprindo a meta de superávit primário de 2,3% do PIB. “O governo disse que vai cortar R$ 28 bilhões. Não vai dar tempo. Primeiro, ele não sabe de onde tirar e, segundo, o Congresso não deixa”, comenta Gonçalves. Para ele, uma estimativa realista seria a de 1,6% do PIB.

2015 para não esquecer

Para o Banco Fator, as estimativas para 2013 em relação ao câmbio são de R$ 2,27, IPCA  entre 6% e 6,5% (teto da meta do Banco Central) e taxa Selic a 9,5%. O economista acredita em uma alta de 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), subindo para 8,5% ao ano, em 10/7.

A economia brasileira vai continuar desacelerando, com reflexos nos próximos anos, segundo Gonçalves. “2015 é o ano que não vamos esquecer. A economia estará desacelerando e a inflação será alta e resistente.”

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