Profissionais que equilibram vida pessoal e trabalho atingem resultados de maneira constante

por andre_inohara — publicado 05/03/2012 14h05, última modificação 05/03/2012 14h05
São Paulo – Executivos chegam mais cedo aos postos de comando, e com isso também surgem antecipadamente questionamentos sobre felicidade, metas e relacionamentos.
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O conflito entre vida pessoal e profissional está chegando mais cedo para os jovens profissionais, pois ao mesmo tempo em que a idade média dos executivos vem diminuindo, aumentam também as pressões da vida corporativa. Os prazos para entrega de resultados estão cada vez mais curtos, assim como os recursos necessários para seu cumprimento.

A busca pelo equilíbrio entre as várias esferas da vida também ficou mais urgente, de acordo com Paulo Maffei, sócio diretor da consultoria de recursos humanos Ação Positiva. Para ele, conciliar prioridades não é apenas saudável, mas também produtivo.

“Executivos e pessoas equilibradas vão trazer resultados de maneira mais constante e equilibrada para as suas equipes, empresas, clientes e stakeholders de forma geral”, disse o consultor, durante o Café de Relacionamento realizado pela Amcham-São Paulo na quarta-feira (29/02).

O fato de assumir responsabilidades de comando cada vez mais cedo também antecipa questionamentos como a busca da felicidade, metas e relacionamentos. “Nessa fase, é importante um bom acompanhamento e orientação”, segundo Maffei.

Executivos admitem se sentir infelizes

Quando era executivo de grandes empresas multinacionais, Maffei disse que sempre procurava formar equipes com perfil equilibrado. Muitas vezes, deixou de contratar profissionais que diziam que a vida deles era o trabalho.

“Alguém que se orgulha de ser workaholic e trabalhar 18 horas por dia terá problemas. Uma hora ele vai 'espanar', ou com a equipe ou com a própria saúde”, argumenta.

Além disso, casos em que executivos de alto escalão se sentem culpados por não terem equilibrado a vida familiar e a carreira profissional são frequentes. Maffei citou os dados de uma pesquisa de satisfação do livro ‘Executivos: sucesso e infelicidade’, de Betania Tanure, Antonio Neto e Juliana Andrade (Elsevier, 2007).

Em uma amostra de 956 executivos de médio e alto escalão, 84% deles disseram estar infelizes na vida profissional, enquanto que 54% estavam descontentes no aspecto pessoal.

É possível encontrar realização pessoal em uma carreira bem sucedida, pois a felicidade individual é uma questão de escolha, destaca. “É nossa obrigação, e não das empresas, procurar o equilíbrio familiar, profissional e espiritual.”

Buscando o equilíbrio

Trabalhar duro é necessário, mas é possível ter vida pessoal estabelecendo prioridades. Maffei conta uma experiência pessoal que passou quando começou a trabalhar em uma empresa americana como diretor executivo.

Ele se reportava a um chefe que tinha por hábito ligar de Miami para os executivos sediados no Brasil após o expediente, para solicitar informações da companhia.

Percebendo que naquelas ligações não havia nada que não pudesse ser tratado em horário comercial, orientou os demais diretores a desligarem o telefone corporativo após o expediente. Somente o dele ficaria ligado.

Em outro dia, quando seu chefe ligou, perguntou o que estava fazendo. “Respondi que estava no supermercado, com minha esposa, e perguntei se tinha acontecido algum problema”, recorda-se. Seu chefe disse que não, e que falaria com ele no dia seguinte.

Maffei se antecipou e retornou o contato pela manhã, constatando que nenhum assunto urgente foi tratado. Dias mais tarde, o superior de Maffei voltou a fazer a mesma coisa, e o encontrou passeando no shopping center com a filha.

“Liguei para ele no dia seguinte e consegui estabelecer alguns horários para conversar sobre a empresa dentro do expediente. Ele passou a não ligar mais depois do horário”, resume.

Há, no mundo corporativo, uma valorização da cultura de trabalho excessivo. “Cria-se um vício onde as pessoas ficam com muita culpa quando saem no horário. Muitos até ficam enrolando, para não ter que fazer isso”, lamenta.

Com o episódio, Maffei deu a entender que muitas vezes é preciso ser firme ao comunicar uma decisão. “De maneira sutil, é preciso impor nosso espaço. Todos têm vida pessoal ou deveriam ter”, argumenta.

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