A visão do setor privado sobre a parceria bilateral entre Brasil e Estados Unidos

publicado 10/09/2020 16h37, última modificação 10/09/2020 16h38
Brasil - Mesmo com o pouco tempo útil no ano e as eleições americanas batendo à porta, algumas iniciativas podem ser concluídas em breve caso haja esforços bilaterais concentrados
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“Nós temos uma tendência em analisar em quais regiões as empresas devem realocar suas cadeias de valor, e o Brasil deveria ser um desses parceiros estratégicos dos Estados Unidos se tivesse condições apropriadas”, a analisa o Presidente da Dow

Uma relação bilateral mais sólida entre Brasil e Estados Unidos seria relevante para ambos os países – e, segundo Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, a concretização de tal desejo está mais perto do que nunca de acontecer. De acordo com dados dos EUA, o comércio de bens e serviços entre as duas nações alcançou US$ 100 bilhões em 2019 e estoque de investimentos norte-americanos diretos na economia brasileira seria de aproximadamente US$ 71 bilhões. 

Os números são robustos, mas ainda há muitos desafios para aprofundar a relação: aumentar a competitividade, melhorar o ambiente de negócios brasileiro e reduzir a burocracia são alguns dos obstáculos a serem superados. “O Brasil também tem uma carência enorme de infraestrutura. E por causa dessa infraestrutura deficitária, grande parte das empresas são competitivas da porta para dentro, mas não da porta para fora”, observa Marco Stefanini, CEO da Stefanini Group, durante webinar promovido por nós no dia 08/09. 

Além do investimento e cooperação em infraestrutura, Stefanini cita outras três medidas apresentadas como prioridades pelo Fórum de CEOs Brasil-EUA, uma iniciativa que reúne 20 executivos, além de representantes e autoridades dos governos de ambos os países. No curto prazo, o grupo busca avançar com a conclusão da primeira etapa de um acordo comercial, colaboração no setor de tecnologia, além de melhorias na saúde, educação e desenvolvimento da força de trabalho.  

 

10 MEDIDAS 

Não é só Fórum de CEOs Brasil-EUA que enxerga nos temas uma possibilidade concreta de avanço no fortalecimento da relação dos países. Durante a transmissão, nosso VP Executivo, Abrão Neto, comentou sobre o documento Brasil-Estados Unidos 10 Possíveis Entregas, enviado no último mês para autoridades responsáveis pela agenda bilateral, que aborda uma série de propostas feita pela entidade para fortalecer o comércio exterior e o fluxo entre as regiões ainda em 2020.  

Como prioridade, figura a conclusão da primeira etapa de um acordo comercial, buscando desburocratizar, reduzir custos e agilizar o comércio bilateral. “São temas que já estão em negociação pelos dois governos, como facilitação de comércio, boas práticas regulatórias, comércio digital e combate a corrupção. Tudo isso faz a diferença no dia a dia dos negócios, e pode diminuir em mais de 30% os custos do comércio”, afirma. Além disso, nosso VP Executivo acredita que esse acordo inicial também pode abrir portas para a criação de um acordo de comércio mais abrangente. 

Mesmo com o pouco tempo útil no ano e as eleições americanas batendo à porta, a cooperação bilateral – tanto no combate a pandemia e retomada econômica quanto em infraestrutura, energia, defesa e agronegócio – também seria bem-vinda para aprofundar a relação dos países. “Como o fluxo investimentos e comércio caiu cerca de 25% este ano, o destaque seria para as medidas como restabelecimento do fluxo de passageiros e ações para reoxigenar a economia”, revela Abrão Neto. Javier Constante, Presidente da Dow para Brasil e América Latina, concorda: ter esse fluxo facilitado é fundamental para estreitar o relacionamento e cristalizar mais negócios. 

Além disso, entram na conta o fortalecimento da diplomacia parlamentar, o início de negociações de um acordo para evitar a dupla tributação, a participação plena no Global Entry e a acessão à OCDE. Durante a transmissão do webinar, Todd Chapman, Embaixador dos Estados Unidos, reforçou o forte apoio à entrada do Brasil na organização. “Com isso, a economia brasileira se tornará mais competitiva e aumentará sua capacidade de atrair investimentos nacionais e estrangeiros”, opina.

 

LUZ NO FIM DO TÚNEL  

Para melhorar sua imagem, o Brasil também precisa se esforçar para criar um ambiente de negócios favorável e atrativo para investimentos estrangeiros. De acordo com o Presidente da Dow, há algumas iniciativas que permitem enxergar uma luz de solução, como a reforma trabalhista e o marco da Lei da Liberdade Econômica, mas ainda há muito a se fazer. As reformas tributária e administrativa, diz ele, são peças-chave para facilitar o relacionamento comercial dentro e fora do Brasil.

“Globalmente, nós temos uma tendência em analisar em quais regiões as empresas devem realocar suas cadeias de valor. E o Brasil deveria ser um desses parceiros estratégicos dos Estados Unidos se tivesse condições apropriadas. É uma oportunidade que o Brasil não pode perder”, comenta.