Autoridades defendem maior integração com os Estados Unidos e apontam desafios

por andre_inohara — publicado 04/07/2012 12h57, última modificação 04/07/2012 12h57
São Paulo – Na cerimônia comemorativa da independência americana, Amcham ouviu grandes conhecedores da relação bilateral.
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A aproximação comercial entre Brasil e Estados Unidos se intensificou nos últimos anos e continua a evoluir, na avaliação de grandes conhecedores da relação bilateral.

Eles defendem o reforço dos laços bilaterais, mas o estabelecimento de um acordo de livre comércio entre os dois países, conforme sugerido pela secretária de Estado americana Hillary Clinton em abril, ainda não soa como uma possibilidade nítida.

Veja aqui: Hillary Clinton vê espaço para acordo de livre comércio com o Brasil e ressalta parcerias bilaterais

Na comemoração antecipada do aniversário de independência americana na segunda-feira (02/07) na Amcham-São Paulo, estiveram presentes ex-ministros, embaixadores e autoridades que comentaram sobre o relacionamento do Brasil com a maior economia do mundo. Neste dia 04/07, os EUA completam 236 anos de independência.

Veja aqui: EUA reafirmam importância da parceria com o Brasil durante comemoração da independência americana

Aproximação bilateral realista

Para Sérgio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior  e ex-embaixador (Londres e Paris), uma aproximação maior com os EUA é necessária, dentro de uma abordagem ‘realista’.

“Não acredito que a Alca [Área de Livre Comércio das Américas] possa ser ressuscitada porque algumas cláusulas eram difíceis para um país como o Brasil aceitar”, afirma Amaral.

A proposta visava criar uma área comum de comércio composta pelos 34 países americanos, exceto Cuba. No entanto, a falta de consenso sobre questões agrícolas e cláusulas antidumping inviabilizou o acordo.

Questionado sobre a viabilidade de Brasil e EUA estabelecerem um acordo de livre comércio futuramente, ele indica: “Acho que deveríamos explorar um processo de aproximação realista que permita aumentar ainda mais o fluxo comercial entre os dois países”.

Relação com EUA como prioridade

Para o secretário de Estado da Fazenda do Paraná, Luiz Carlos Hauly, que esteve na Amcham-São Paulo para reunião em 03/07, a relação Brasil-EUA deveria ser vista como prioridade pelo governo brasileiro. Como deputado federal, Hauly foi presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Estados Unidos entre 2005 e 2010.

“Sempre defendi que os EUA, a maior economia do mundo, deveriam ser nosso principal mercado”, comentou, após participar do comitê estratégico de Comércio Exterior.

“Entendo que nós, americanos das Américas, temos que nos unir e nos transformar em um grande mercado consumidor. Dentre os 35 países das Américas, os EUA e o Brasil são os maiores e deveriam estar mais próximos”, destaca.

O embaixador Rubens Barbosa, que representou o País em Washington e Londres, também questionado sobre a possibilidade de um acordo de livre comércio, se mostra um pouco mais pessimista.

“A proposta da secretária Clinton terá o mesmo destino que a sugestão chinesa de livre comércio com o Mercosul. Nenhum dos dois acordos deve acontecer, pois não há condições no bloco sul-americano de se fazerem acordos de livre comércio”, opina. Hoje, o Brasil está amarrado a fazer acordos dentro do Mercosul.

As circunstâncias que dificultam o acordo são a crise internacional e falta de consenso entre os países, de acordo com o ex-embaixador.

Tendência de integração mundial

A integração comercial – seja entre regiões ou com o resto do mundo – é uma tendência inevitável, e o Brasil precisa se inserir nesse contexto, observa Amaral.

“Apesar da crise, a União Europeia está apostando firmemente no reforço de integração entre os membros. Ela vem acompanhada com uma relação muito especial com a África, que tem uma relação tradicionalmente forte com a Europa.”

Outro exemplo dado pelo ex-ministro é a Ásia, que vende mais da metade de seus produtos para a Europa. “O bloco econômico asiático está se integrando de uma forma muito marcante. Hoje, 53% do comércio da Ásia são feitos com países da Europa. E o Brasil, onde fica nesse processo de integração?”, indaga.

A resposta é que o Brasil precisa reforçar seus laços comerciais. “Temos, evidentemente, um acordo com a União Europeia. Não fazemos parte do mundo asiático e mantemos relações boas com a África, mas não temos preferências comerciais com eles e na América não existe uma integração regional”, explica.

CSF e Plano Brasil Maior

O embaixador Rubens Barbosa também comentou a iniciativa do governo de financiar estudantes em carreiras de exatas, por meio do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF). Para ele, trata-se de uma ação acertada.

“O acesso a novas tecnologias e inovação é uma das principais políticas do governo. Dentro desse contexto, a ideia do CsF de enviar 100 mil alunos para estudar fora abre muitas oportunidades para os estudantes brasileiros“, observa.

Veja aqui: Amcham dá novos passos para estimular estágios dos participantes do Ciência Sem Fronteiras no exterior

Como ex-ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral disse que o plano de incentivo à indústria Brasil Maior não atinge os pontos fundamentais da falta de competitividade brasileira.

“O plano poderia ser ainda maior se ele tocasse nas reais questões da competitividade brasileira. A queda da taxa de juro é um ponto positivo, mas a carga tributária ainda é elevada, e a infraestrutura logística precisa de mais investimentos do que tem recebido.”

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