Barack Obama inicia visita ao Brasil

por daniela publicado 18/03/2011 11h25, última modificação 18/03/2011 11h25
Daniela Rocha
Brasília – Na visão da Amcham, presença do presidente dos EUA no País representa oportunidade histórica para elevar patamar da relação bilateral.
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A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, iniciada neste sábado (19/03), demonstra a intenção de aprofundamento das relações bilaterais e o reconhecimento pelos americanos da importância que o País assume no contexto global.

“A viagem de Obama ao Brasil é curta, são apenas algumas horas de trabalho, de contato, e acreditamos que talvez não tenhamos uma quantidade tão grande de acordos firmados e de avanços tão concretos. Entretanto, essa visita deve marcar a condição de um clima muito favorável para acelerar negociações que estão em curso e agir em novas frentes de integração dos dois países”,  diz Gabriel Rico, CEO da Amcham. 

A viagem de Obama ocorre em um momento inédito. Os Estados Unidos ainda enfrentam dificuldades por conta da grave crise financeira que eclodiu no final de 2008 e acumulam déficits. Enquanto isso, o Brasil vive uma fase pujante, despontando como um dos principais líderes globais em termos de soluções nas áreas energética e de alimentos, entre outras. 

O Brasil é o único país entre as dez maiores economias mundiais que não tem nenhum tipo de acordo formal com os EUA nas áreas de comércio, investimento e tributos. De acordo com Rico, trata-se de uma agenda que deve ser negociada de forma vigorosa para que ambas as nações sejam beneficiadas. 

Propostas do empresariado

A Amcham, ao longo dos anos, tem atuado para fomentar a maior integração Brasil-Estados Unidos. A vinda de Obama consiste em um momento decisivo para reforçar as demandas do setor privado junto a representantes dos governos dos dois países. 

“Precisamos derrubar os obstáculos que inibem a atração de companhias americanas e investimentos dos EUA aqui. Além disso, as empresas brasileiras, que cada vez mais investem no mercado americano, também precisam contar com um cenário mais favorável”, afirma Gabriel Rico. 

A Amcham, junto com o Brazil-US Business Council da US Chamber of Commerce, detalhou em entrevistas coletivas realizadas em Washington (15/03) e São Paulo (17/03) a agenda do setor privado que será endereçada ao presidente americano. 

Os principais pontos sugeridos são:

• Aprovação do Tratado de Cooperação Econômica e Comercial (Teca, Trade and Economic Cooperation Agreement) como mecanismo pelo qual futuros acordos comerciais possam ser negociados

• Avanços rumo ao estabelecimento de um Tratado para Evitar a Bitributação (BTT, Bilateral Tax Treaty), a partir da ratificação do Acordo para Troca de Informações Tributárias (Tiea,Tax Information Exchange Agreement )

• Progressos na cooperação energética, incluindo biocombustíveis

 • Maior financiamento à infraestrutura para colaborar com o cumprimento de metas relativas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016

Foco nos investimentos

O CEO da Amcham avalia que o Brasil necessitará de elevados recursos, especialmente para o aperfeiçoamento da infraestrutura, e que pode se beneficiar de uma parceria mais forte com os EUA. 

O fato de Obama vir acompanhado de uma comitiva composta por várias autoridades – secretário de Comércio, Gary Locke; secretário do Tesouro, Timothy Geithner; secretário de Energia, Steven Chu; representante comercial (USTR), Ron Kirk; e presidente do Export-Import Bank (Exim Bank), Fred Hochberg -, é outro indicativo da relevância da visita. Sinaliza que os Estados Unidos querem dar um salto qualitativo na contrução de parcerias estratégicas nas áreas de petróleo, combustíveis renováveis, produção agrícola e novas tecnologias, entre outras, avalia Rico. “Participa da comitiva o presidente do Exim Bank, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) do lado americano, o que demonstra claramente o interesse em grandes projetos no Brasil." 

Em face dos recentes conflitos nos países árabes, as descobertas do pré-sal brasileiro tornaram-se ainda mais relevantes sob o ponto de vista estratégico de suprimento do mercado americano. “Há muitas citações de autoridades sobre maior aproximação nesse aspecto porque a produção do pré-sal, mesmo no médio prazo, é basicamente voltada à exportação e os EUA teriam no Brasil um fornecedor interessante a um custo político bem menor do que o atual dos países árabes”, destaca Rico.

Atenção também será dada aos biocombustíveis, que têm papel importante de substituição do petróleo. Segundo o CEO da Amcham, esse é um item que tende a ganhar maior ênfase, principalmente, quando se utiliza a biomassa, como o do bagaço de cana, como matéria-prima para a indústria de plásticos, no caso do Brasil. “Somos absolutamente favoráveis à eliminação dos subsídios americanos não só para o etanol, mas para todos os produtos agrícolas brasileiros exportados aos Estados Unidos. O interessante é que essa é uma postura tanto da Amcham quanto do US Business Council.”

Para o US Business Council, há indicativos de que será assinada a expansão do acordo bilateral sobre biocombustíveis, assinado em 2007 entre os governos dos dois lados, englobando aspectos relacionados à aplicação na aviação civil.

Prospecção iniciada

Antecipando a visita de Obama, o secretário adjunto de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, José Fernandez, veio ao País em fevereiro para prospectar oportunidades comerciais e de investimentos, principalmente na área de infraestrutura.  Ele participou de evento na Amcham em São Paulo no dia 11/02.

Conforme Fernandez, o interesse maior dos Estados Unidos está nos projetos do setor energético brasileiro.

“Inegavelmente, o Brasil agora pertence ao grupo dos maiores players mundiais na área de energia, não apenas porque o País será brevemente o maior produtor de petróleo da América do Sul, mas porque a Petrobras é uma influente companhia global”, destacou o secretário na ocasião, em referência ao terreno favorável a empreendimentos e transações na cadeia do pré-sal e ao que ainda pode ser desenvolvido na camada pós-sal.

Fernandez lembrou ainda as possibilidades geradas pelos eventos esportivos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que serão sediados no País. 

A visita de Obama

O presidente dos EUA, Barack Obama, vem ao Brasil acompanhado da mulher, Michelle, das filhas, Malia e Sasha, e de uma comitiva composta por representantes do governo, além de empresários. Ele terá uma série de atividades em Brasília e no Rio de Janeiro.

Na capital federal (19/03), os principais pontos da agenda de Obama são encontro com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto e participação no CEO Fórum Brasil-EUA (fórum de altos executivos) e em seminário com foco em energia e infraestrutura promovido pelo Brazil-US Business Council com apoio da Amcham. No seminário, Obama deverá discursar por cerca de 45 minutos.

No Rio de Janeiro (20/03), o presidente americano pretende conhecer o programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) da Secretaria Estadual de Segurança Pública, que instituiu polícias comunitárias em favelas, entre outras atividades.  

Após a passagem pelo Brasil, Obama seguirá para Chile e El Salvador. 

Perfil de Barack Obama

Barack Obama, do partido Democrata, é o 44º presidente dos Estados Unidos. Ele foi eleito em 04/11/2008, após disputa com o republicano John McCain, e assumiu o posto em 20/01/2009.

Obama nasceu no Havaí em 04/08/1961, local onde seu pai, oriundo do Quênia (África Oriental), conheceu sua mãe, natural do estado de Kansas (EUA).  

O presidente americano se formou advogado na Harvard Law Schoool, tendo se tornado o primeiro afro-americano a ser presidente da prestigiada publicação Harvard Law Review. Ao concluir o curso, Obama mudou-se para Chicago. No senado estadual de Illinois, aprovou uma grande reforma ética e ampliou serviços de saúde. Como senador dos Estados Unidos, ultrapassou as linhas partidárias para aprovar uma reforma inovadora sobre atividades de lobby, a retirada de circulação de alguns tipos de armas e  a implementação de um sistema online para dar transparência aos gastos federais. 

Obama é casado com Michelle, com quem tem duas filhas, Malia, 12, e Sasha, 9.

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