Biden presidente: entenda quais são os impactos esperados nos EUA e no Brasil

publicado 18/11/2020 11h03, última modificação 18/11/2020 11h03
Brasil - Expectativa é que democrata se esforce para retomar alianças globais e se una a outros países à favor da preservação do meio ambiente
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“O ‘trumpismo’ não morreu e sua relevância na internet ainda vai mexer muito com a opinião americana e de todos ao redor do mundo”, diz Manoel Fernandes, Sócio da Bites

Com impactos políticos e financeiros em todo o planeta, a vitória de Joe Biden representa uma incerteza a menos no radar da economia. A disputa foi acirrada e, mesmo com a vitória democrata, Donald Trump mantém viva sua influência nas redes sociais. Cedendo ou não a vitória, o 45º presidente dos EUA continuará fazendo muito barulho.

“O ‘trumpismo’ não morreu e sua relevância na internet ainda vai mexer muito com a opinião americana e de todos ao redor do mundo”, diz Manoel Fernandes, Sócio da Bites. Nos próximos anos, de acordo com o especialista, o presidente eleito enfrentará um grande desafio ao lidar com quatro grandes vetores, potencializados pelo ambiente digital: legitimidade de sua vitória, destino da esquerda democrata, China e crise econômica.

A legitimidade da vitória de Biden já é contestada antes mesmo de se concretizar. Sem apresentar provas, o republicano reclama de uma suposta fraude na apuração e afirma ainda que deve contestar os resultados. “Até o momento, não há indícios de fraude. Além disso, o sistema eleitoral americana dá autonomia para que a discussão seja feita a partir da legislação de cada estado. Para reverter esse cenário, Trump deve contestar mais de um estado e ainda ganha-los”, avalia Fernanda Magnota, reforçando que situações como essa são um prato cheio para a desinformação.

 

EUA NO MUNDO

Com uma visão muito mais tradicional, o democrata colocou a restauração de relacionamentos tensos e o retorno a alianças globais no topo de sua lista de prioridades. “Biden será menos unilateralista e focará mais na colaboração internacional e seus benefícios”, comenta a Sr. Fellow na UIBE Beijing e Colunista da Folha de São Paulo, Tatiana Prazeres.

Além disso, o presidente eleito afirma que também voltará à Organização Mundial da Saúde (OMS), liderará uma resposta internacional ao coronavírus e fará parte do combate às mudanças climáticas uma prioridade.

 

PRIORIDADES NO COMÉRCIO

Especialistas esperam que Joe Biden – um defensor do multilateralismo e das relações internacionais – restabeleça rapidamente os laços com a comunidade internacional e com suas instituições, retomando negociações paralisadas desde o governo republicano. “Os EUA precisam reconstruir a confiança perdida e voltar para o patamar que estava antes para trabalhar com os amigos próximos da Ásia e Europa”, avalia Anabel González, Nonresidente Sr. Fellow do Peterson Institute for International Economics.

 

RELAÇÃO COM O BRASIL

O foco da relação bilateral entre Brasil e EUA deve seguir na busca de um acordo de livre comércio mais abrangente, algo que o presidente Jair Bolsonaro busca desde o início do seu mandato e usou como argumento para apoiar a reeleição do Trump. Com a vitória de Biden, a situação se torna delicada, mas divergências entre os presidentes não necessariamente significam uma relação ruim entre Brasília e Washington.

De acordo com especialistas, o que influenciará essa relação são questões voltadas ao meio ambiente, direitos humanos e democracia. Biden deve se unir a outros países para pressionar governos a reduzir emissões de carbono e aumentar a preservação – e isso pode custar ao Brasil se o desmatamento e as queimadas nos ecossistemas brasileiros piorarem. “Hoje a utopia é ambiental. É hora de o Brasil mudar sua ideia sobre a Amazônia, e enxerga-la como uma herança a ser preservada”, defende o Ex-Embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Sérgio Amaral.

Além da parte ambiental, o Brasil precisa trabalhar para diminuir seus riscos e melhorar sua infraestrutura para se tornar atrativo para o investimento americano. Em relação a China, apesar de Biden rejeitar uma guerra comercial, o governo brasileiro deve permanecer neutro e continuar as alianças com as duas nações.