Brasil e Argentina têm oportunidades em serviços ligados ao setor imobiliário

por giovanna publicado 23/11/2010 14h58, última modificação 23/11/2010 14h58
São Paulo – Amcham-Brasil recebe delegação do país vizinho para discutir relação de complementaridade para potencializar negócios.
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O Brasil e a Argentina, países emergentes que têm vivenciado forte expansão no setor imobiliário, veem espaço para explorar oportunidades em serviços relacionados a essa área, caso de engenharia, arquitetura, design e consultoria.

A Amcham-Brasil recebeu nesta segunda-feira (22/11), em sua sede em São Paulo, uma delegação de executivos do país vizinho. A entidade organizou um evento especial, chamado “Doing Business with Argentina”, para promover networking e auxiliar no desenvolvimento de parcerias e novos negócios, disseminando o conhecimento sobre características específicas do ambiente de negócios das duas nações.

“A conjuntura é bastante favorável. Tanto o Brasil quanto a Argentina possuem muita rentabilidade no segmento imobiliário e é possível atuar mais fortemente no intercâmbio de serviços”, comentou Fernando Furci, líder de Comércio Internacional e Desenvolvimento de Negócios da Amcham-Argentina.

“O Brasil necessita, para prosseguir seu desenvolvimento e levando em consideração os eventos esportivos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, de profissionais como engenheiros e arquitetos. As vantagens de intensificar negócios nessa área são a curta distância entre os países e uma série de facilitações dentro do Mercosul, como preferência de investimentos, tratado para evitar bitributação e obtenção de vistos de trabalho de forma mais simplificada”, acrescentou José María Allonca, diretor da Câmara de Comercio Argentino Brasileña (Cambras).

Além de organizar esta reunião, a Amcham-Brasil conduziu outras atividades entre os dias 22 e 25. A entidade levou a comitiva argentina para conhecer a dinâmica e o plano de expansão do Porto de Santos, realizou uma palestra de capacitação sobre o mercado brasileiro e agendou reuniões estratégicas com executivos de companhias associadas.

Mercado argentino

O mercado imobiliário argentino tem crescido na faixa de 7% a 8% ao ano desde 2003. Em 2008, em função da crise, o desempenho do setor foi um pouco menor, de 5%, mas, ainda assim, acima do registrado pela economia do país como um todo.

Pedro Nicholson, sócio do Estúdio Beccar Varela de advocacia e membro do comitê de Real Estate da Amcham-Argentina, ressaltou que o país trabalha para atrair investimentos na área imobiliária. Segundo ele, a classe média está crescendo e há mais de três milhões de residências demandadas. Além disso, cidades médias ainda não contam com shopping centers, o turismo pujante na Argentina exige mais hotéis e há carência de conjuntos comerciais com instalações mais modernas.

“O potencial da Argentina é alto, mas o país está atrasado nos financiamentos imobiliários e precisa aperfeiçoá-los. Ainda não há fundos de investimentos”, destacou.

Outra consideração do especialista é que a inflação argentina tem sido um fator negativo nesse cenário, ficando na ordem de 9% ao ano segundo indicadores do governo, mas chegando a 25% ao ano na avaliação do setor privado. “Pela legislação, as prestações imobiliárias não podem ser indexadas, corrigidas levando-se em consideração o índice da inflação. O que as incorporadoras fazem é um ajuste com base nos custos dos materiais.”

Via dupla

De acordo com José María Allonca, da Cambras, o Brasil tem investido no setor imobiliário em solo argentino. É o caso da Cyrela, com empreendimentos em Buenos Aires, e da Odebrecht e da Camargo Correia, responsáveis por obras importantes de infraestrutura no país.
 
Allonca, porém, afirma que o Brasil está cada vez mais no radar dos empresários argentinos. “Há um interesse muito alto, pois todos sabem o que está acontecendo com a economia brasileira, sobre seu cenário de estabilidade de inflação. Os argentinos têm buscado preparação para entrar nesse mercado.”

Segundo o representante da Cambras, outros pontos positivos do Brasil são os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atendem as necessidades de companhias de diversos portes, e as linhas disponibilizadas no varejo para os consumidores finais, com taxas de juros inferiores às praticadas na Argentina (aproximadamente 12% ao ano no Brasil contra 20% na Argentina).

Reformulação urbana

O debate sobre oportunidades de intercâmbio de serviços e a necessidade de aumento do fluxo de investimento entre os países no setor imobiliário têm como pano de fundo o desenvolvimento economia dos dois países, que tem causado fortes modificações em grandes centros urbanos. “A arquitetura deve pensar no contexto dessas transformações, nos novos usos para instalações, na modernização de edificações obsoletas e na sustentabilidade”, disse Gabriela Pastorino, sócia do escritório Egozcue Vidal y Pastorino Arquitectos, que também participou do evento na Amcham-São Paulo.

“Hoje, mais de 50% da população mundial vivem em áreas urbanas e, em 2040, serão 80%. Na era urbana, os desafios estão relacionados principalmente à mobilidade e à qualidade dos serviços e das residências, o que exige inovação”, completou Fabio de Marco, sócio da Oficina Urbana.

Os dois arquitetos apresentaram casos de sucesso de recuperação de áreas urbanas no Peru, na Colômbia e na própria Argentina, como é o caso de Porto Madero, em Buenos Aires, bairro que era degradado, uma área de cais, às margens do rio da Prata e que se transformou em um de seus principais pontos turisticos, com restaurantes e bares badalados e onde estão estabelecidas grandes empresas e imóveis residenciais de alto padrão.

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