Brasil e Estados Unidos lançam Diálogo Estratégico de Energia na quarta-feira (17/08)

por daniela publicado 15/08/2011 17h51, última modificação 15/08/2011 17h51
Daniela Rocha
São Paulo - Secretário-adjunto de Energia americano, Daniel Poneman, esteve reunido na Amcham com executivos brasileiros, trocou informações sobre o setor e detalhou o acordo.
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O Brasil e os Estados Unidos lançam na próxima quarta-feira (17/08) o US-Brazil Strategic Energy Dialogue, mecanismo de diálogo bilateral na área de energia. O documento será assinado em Brasília pelo secretário-adjunto de Energia americano, Daniel Poneman, e por sua contraparte no País, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Poneman participou nesta segunda-feira (15/08) de reuniões com representantes do setor privado brasileiro na Amcham-São Paulo, onde trocou informações sobre o setor energético e detalhou o novo acordo bilateral, que foi demandado pelos presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, na época da visita do líder americano ao Brasil, em março.

“Estamos começando esse diálogo que os dois presidentes solicitaram. Neste primeiro momento, não vislumbramos chegar a um grande número de medidas efetivas a serem assinadas. É o início de uma conversa robusta. Nossa ideia é que, quanto mais envolvermos a iniciativa privada nas discussões, mais teremos condições de endereçar os temas, ter resultados concretos”, destacou Poneman. 

O Diálogo Estratégico de Energia engloba quatro áreas principais, pré-definidas pelos presidentes dos dois países: petróleo e gás natural; eficiência energética; biocombustíveis e outros tipos de energias renováveis; e energia nuclear.

Intensificação de parcerias em petróleo e gás

Em relação a petróleo e gás, o secretário-adjunto enfatizou que as companhias dos dois países vêm mantendo um longo e produtivo relacionamento, mas que as parcerias tendem a se intensificar à medida que o Brasil desponta como um grande player nessa área.

Ele citou o fato de a Petrobras estar operando no Golfo do México há alguns anos e de diversas empresas americanas também atuarem no território brasileiro. “O mercado hoje é global e funciona melhor quando as companhias trabalham de forma colaborativa. Isso é fundamental para a segurança energética”, ressaltou.

Etanol e Copa

O secretário-adjunto americano avalia que a cooperação em biocombustíveis deverá ganhar mais impulso. Especificamente sobre o etanol, Poneman considera que os objetivos centrais são descobrir maneiras de tornar a produção mais competitiva, especialmente do produto de segunda geração (celulose), e desenvolver novas demandas, como a aplicação na aviação. Para ele, a tendência será de commoditização.

Sobre a discussão no Congresso americano que culminou na aprovação de um acordo no Senado dos EUA prevendo o fim dos subsídios aos produtores de etanol de milho, assim como a eliminação da tarifa de importação do combustível de US$ 0,54 por galão, Poneman enfatizou que será preciso aguardar o desfecho.

“Há discussões sobre esse tema no Congresso, no momento em que se abordam também diversas deliberações sobre a política de impostos do País”, comentou.

Poneman ressaltou que o fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 abrirá possibilidades de cooperação bilateral em eficiência energética e redução na emissão de poluentes causadores do efeito estufa. “Os planejamentos urbanísticos poderão visar mais eficiência energética e baixo carbono.”

Energia nuclear

Por fim, referindo-se à colaboração na área de energia nuclear entre os dois países, o representante americano garantiu que irá além da tecnologia aplicada, com muita ênfase em segurança. Ele afirmou que antes mesmo dos terremotos no Japão, que causaram o incidente na usina de Fukushima, Brasil e EUA já discutiam o assunto.

Daniel Poneman iniciou sua agenda no Brasil em São Paulo. Nesta terça-feira, ele cumpre uma série de compromissos no Rio de Janeiro e depois partirá para Brasília, finalizando o roteiro. Esta é a segunda vez que o secretário-adjunto vem ao Brasil, sendo que a primeira foi há alguns anos , quando veio conhecer Foz do Iguaçu, no Paraná.

Sobre o secretário-adjunto

Daniel B. Poneman foi indicado pelo presidente Barack Obama para o cargo de secretário-adjunto de Energia em 20 de abril de 2009 e foi confirmado pelo Senado dos Estados Unidos em 18 de maio de 2009. Sob a liderança do secretário de Energia, Steven Chu, o secretário-adjunto também atua como chefe de operações do Departamento de Energia.

Poneman iniciou sua carreira no Departamento de Energia em 1989 como bolsista da Casa Branca. No ano seguinte, ingressou no Conselho Nacional de Segurança como diretor de Política de Defesa e Controle de Armas.

De 1993 a 1996, Poneman serviu como assistente especial do presidente e diretor sênior para Controles de Não-Proliferação e Exportação no Conselho de Segurança Nacional.

Antes de assumir o posto de secretário-adjunto, Poneman serviu como um dos principais membros do Grupo Scowcroft por oito anos, fornecendo conselhos estratégicos para empresas em uma ampla variedade de projetos e transações internacionais. No  intervalo de seu trabalho junto ao governo, ele também atuou como advogado por nove anos em Washington, DC.

Poneman formou-se em Direito em Harvard e possui doutorado nessa área pela mesma universidade. O secretário-adjunto possui ainda diploma em Letras da Universidade de Oxford. Ele em vários trabalhos publicados sobre questões de segurança nacional e é autor do livro “Nuclear Power in the Developing World and Argentina: Democracy on Trial” (“Energia Nuclear no Mundo em Desenvolvimento e Argentina: Na Trilha da Democracia”). A obra “Going Critical: The First North Korean Nuclear Crisis” (“Sendo Critico: A Primeira Crise Nuclear Norte-coreana”, com coautoria de Joel Wit e Robert Gallucci), recebeu em 2005 o prêmio Douglas Dillon por Autoria Distinta na Diplomacia Americana.

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