Brasil não é foco de espionagem dos EUA, garante deputado luso-americano

publicado 17/09/2013 13h45, última modificação 17/09/2013 13h45
Washington – Congressista também é autor de projeto de lei que prevê parceria estratégica Brasil-EUA
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Os políticos brasileiros que participaram da missão parlamentar da Amcham nos dias 9 e 10/9 ouviram de seus colegas americanos que a espionagem praticada pelos Estados Unidos é para fins exclusivamente de defesa e que o Brasil não é o alvo principal.

“Vamos falar sobre o elefante branco na sala. A espionagem que fazemos não é para fins comerciais, mas para nos proteger, e o Brasil não está em nosso foco”, assegura o deputado republicano luso-americano Devin Nunes. Devin acrescentou que (Edward) Snowden não estava autorizado a lidar com as informações divulgadas e o Governo ainda analiza se elas são verdadeiras ou não.

Ele também é membro da comissão Ways & Means, equivalente à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara federal brasileira. O grupo é responsável por analisar e aprovar as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), órgão acusado de praticar espionagem.

O congressista disse aos parlamentares brasileiros ser difícil para os Estados Unidos pedir desculpas ao Brasil no caso Snowden (ex-técnico de informática da NSA que revelou o esquema de espionagem), porque seu país ainda não sabe a veracidade das informações que ele diz ter passado.

O Brasil deveria se preocupar mais com casos de espionagem da China e Rússia, pois são esses países que controlam empresas e que, portanto, poderiam se beneficiar de informações comerciais. Nunes sustenta que os Estados Unidos não tem empresas estatais e portanto não teria como se beneficiar de informações sobre a Petrobras.

“Ainda estamos vendo o que ele realmente falou para saber se é verdade. Fica difícil pedir desculpas por algo que ainda não sabemos o que é”, declarou. A comitiva brasileira que foi aos EUA era formada por dois senadores: Ana Amélia (PP-RS) e Vital do Rêgo (PMDB-PB). Os deputados federais eram Mendes Thame (PSDB-SP), Cândido Vaccarezza (PT-SP), Duarte Nogueira (PSDB-SP), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hugo Napoleão (PSD-PI) e Júlio Delgado (PSB-MG).

A parceria estratégica

Nunes também é autor do projeto para elevar o Brasil a parceiro estratégico dos Estados Unidos. Em linhas gerais, a proposta de parceria econômico-estratégica Brasil – Estados Unidos seria mais abrangente que a fechada com a China, mais focada em economia e comércio. O relacionamento político seria mais próximo, envolvendo canais diretos de negociações entre as duas presidências.

No segundo e último dia da visita (10/9), os parlamentares brasileiros se encontraram com seus pares americanos e visitaram o Capitólio, sede do Congresso americano. No café da manhã, representantes do Brazil Caucus, espécie de Frente Parlamentar Estados Unidos – Brasil, falaram da importância da relação dos Congressos para empurrar alguns assuntos importantes na agenda bilateral. Nunes também faz parte desse grupo.

Uma difícil conversa no Departamento de Estado

Quando a comitiva visitou o Departamento de Estado (DoS, na sigla em inglês), o clima não foi dos mais cordiais, em função do episódio da espionagem americana. O vice-secretário adjunto do DoS, Kevin Whittaker, adotou um tom conciliatório para dialogar com os políticos brasileiros.

Whittaker admitiu que seu país pratica atos de espionagem apenas com o intuito de se defenderem de ameaças externas, e ao mesmo tempo reconheceu a importância da relação com o Brasil. O secretário, no entanto, refutou que seu país faça espionagem com objetivos comerciais, e reiterou que o Brasil não é o alvo principal das escutas do governo americano.

Encontro com Debbie Stabenow

O último compromisso oficial da missão parlamentar foi o encontro com a senadora democrata Debbie Stabenow, uma das políticas mais influentes do Congresso americano. Ela reservou parte do tempo de sua agenda para receber a missão brasileira, e se disse empenhada em construir uma relação bilateral mais consistente.

O encontro foi rápido, pois os políticos americanos estavam envolvidos com a votação a respeito de um possível ataque à Síria. A congressista esteve no Brasil há pouco mais de um mês, para discutir com seus pares brasileiros a Lei Agrícola de seu país, e projetos conjuntos para modernizar a infraestrutura logística.

De acordo com MichelleTchernobilsky, gerente de relações governamentais da Amcham, a congressista se disse otimista em relação à manutenção do acordo de repasse de recursos ao Instituto Brasileiro do Algodão na Lei Agrícola que deve ser votada até o fim do ano. A comitiva brasileira saiu do encontro favoravelmente impressionada, avalia Michelle. Para ela, o mais importante da visita foi o de dar visibilidade mútua ao trabalho de ambos os congressos.

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