CEO da Amcham: China e Brasil pretendem estreitar e equilibrar relação comercial

por daniela publicado 12/04/2011 15h57, última modificação 12/04/2011 15h57
São Paulo- Segundo Gabriel Rico, que está em missão no país asiático, também há interesse de os chineses ampliarem investimentos no Brasil.
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O Brasil e a China demonstram forte interesse no aprofundamento das relações comerciais e de investimentos. A avaliação é de Gabriel Rico, CEO da Amcham, que participou nesta terça-feira (12/04), ao lado de Camila Moura, gerente de Comércio Exterior da entidade, do seminário empresarial “Brasil-China: para além da complementaridade”. O evento faz parte da agenda da primeira visita da presidente Dilma Rousseff à China.

“O evento marcou uma enorme disposição dos dois países e das duas comunidades de negócios para estreitarem relações e investimentos. Há complexidades comerciais em curso, já que a China pretende importar menos e exportar mais produtos industrializados, e o Brasil quer aumentar a pauta de exportação de industrializados para a China. Existe muito interesse, mas também questões comerciais a serem acertadas”, destacou Rico.

Segundo ele, a intenção de ambos os países é que seja possível chegar a um maior equilíbrio da balança comercial. “Essa é uma questão bastante complexa”, ponderou.

Esse aumento do equilíbrio comercial passa pela maior competitividade do Brasil,  tema que é objeto do programa "Competitvidade Brasil - Custos de Transação" da Amcham, iniciado em 2010 e que tem continuidade neste ano para  ajudar a remover os principais gargalos a uma maior competitividade do Pais no cenário global: déficit de mão de obra técnica, deficiências de infraestrutura, excesso de burocracia e baixa eficiência do Estado.

Brasil e China em números

A China, a segunda maior economia do mundo, passou a ser a primeira parceira comercial do Brasil a partir de 2009, superando os Estados Unidos, que tradicionalmente ocupavam o posto.

Em 2010, o Brasil teve saldo positivo de US$ 5,192 bilhões na relação comercial com a China, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Enquanto as vendas brasileiras para o país asiático somaram US$ 30,785 bilhões, representando um aumento de 46,5% em relação a 2009, as importações da China representaram US$ 25,593 bilhões, um incremento de 60,8% sobre o ano anterior.

Apesar de as exportações do País à China crescerem ano a ano, saindo de um patamar ínfimo de US$ 1,902 bilhão em 2001 e, atualmente, superando a casa dos US$ 30 bilhões, são compostas por uma pauta essencialmente de produtos básicos (83,6% do total). Os principais produtos brasileiros que entraram no mercado chinês em 2010 são minérios de ferro não aglomerados; grãos de soja; óleos brutos de petróleo; pasta química de madeira não conífera; óleo de soja bruto; açúcar de cana bruto; aviões; fumo e a liga ferronióbio.

Já a China coloca no mercado brasileiro principalmente produtos manufaturados, com maior valor agregado. No ano passado, os principais foram: partes para aparelhos receptores, de radiofrquência e televisão; dispositivos de cristais líquidos (LCDs); componentes para telefonoa; telas para microcomputadores; lâmpadas fluorescentes; partes para aparelhos de ar condicionado; circuitos integrados e telefones celulares.

Investimento chinês

De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a China investiu US$ 18 bilhões no País no ano passado. A maior parte foi direcionada para o Rio de Janeiro (US$ 9,020 bilhões) e para Minas Gerais (US$ 7,326 bilhões). Mas também houve aportes em São Paulo (US$ 889 milhões); Bahia (US$ 495 milhões); Goiás (US$ 320 milhões); e Pernambuco (US$ 12 milhões).

Os investimentos chineses foram direcionados aos setores brasileiros de petróleo e gás (54,7%); mineração (22,3%); siderurgia (11,8%); portos (3,4%); energia elétrica (3,3%); automotivo (1,4%); ferro e aço (1,4%); agribusiness (1%); máquinas para construção (0,4%); e bancário (0,2%).

“Existe um enorme interesse dos chineses pelo Brasil em razão de todas as características geopolíticas do País. Há uma perspectiva de pesados investimentos chineses no Brasil”, afirmou Rico.

Missão da Amcham

A visita de Dilma Rousseff à China coincidade com a segunda missão comercial da Amcham ao país. A comitiva desembarcou em Hong Kong nesta segunda-feira (11/04). A cidade é o primeiro destino da viagem, que ainda inclui Cantão e Xangai.

As 12 empresas participantes são representadas por 20 pessoas, em busca de negócios e parcerias nos setores de máquinas, equipamentos, autopeças, produtos químicos, computadores e eletrônicos A missão se encerra em 23/04.

Em Hong Kong, os membros terão a oportunidade de visitar feiras de produtos eletrônicos como a HKTDC Electronics Fair, HKTDC ICT Expo e Global Sources Electronics Fair, além de ir à fábrica da Gree, multinacional fabricante de equipamentos de ar condicionado.

A missão segue para Guangzhou (Cantão) no dia 14, importante região industrial chinesa. Além de visitar companhias locais, a delegação também participará da 109ª Canton Fair, a maior feira multissetorial do mundo.

Marcando a etapa final da viagem, a comitiva se direciona no dia 19 para Xangai, sede de grandes empresas e da Auto Shanghai, uma das maiores feiras automobilísticas do mundo. Até o dia 23, data de retorno para o Brasil, os empresários poderão fazer contatos na feira automobilística e agendar visitas empresariais.

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