Comércio entre Brasil e Estados Unidos não será afetado por novo governo, diz embaixadora

publicado 17/11/2016 15h42, última modificação 17/11/2016 15h42
São Paulo – Em Seminário na Amcham embaixadora ressalta que há muito mais o que unir do que a separar os dois países
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Cerca de 200 executivos, a maior parte deles ligados a negócios entre Brasil e Estados Unidos, estiveram presentes na manhã da quinta-feira, 17, na sede da Amcham para o Seminário Futuro da Relação Bilateral Brasil – Estados Unidos. O evento discutiu os impactos e as perspectivas de negócios entre os países com a eleição de Donald Trump como o novo presidente americano.

Os painéis tiveram a participação de jornalistas, dirigentes de empresas multinacionais brasileiras com negócios nos Estados Unidos, think tanks, além da embaixadora Liliana Ayalde e do ministro Ernesto Henrique Fraga Araújo, diretor do departamento dos Estados Unidos, Canadá e assuntos interamericanos do Ministério das Relações Exteriores.

Confiram os principais destaques:

Liliana Ayalde - Embaixadora dos Estados Unidos no Brasil

“O interesse dos Estados Unidos em fazer parcerias com o Brasil não vai mudar com a chegada do novo presidente.”

“É importante lembrar que os EUA e o Brasil sempre foram amigos, fomos o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil, em 1822. Nossa amizade sobreviveu a todas as mudanças políticas.”

“Mesmo com o Brasil passando por um processo de impeachment enquanto as Olimpíadas exigiam concentração - tudo isso em um cenário econômico difícil -nós não descuidamos do trabalho para fortalecer as relações bilaterais.”

“O estado da nossa relação bilateral é forte e caminha na direção correta. (...) Há muito mais a nos unir do que a nos distanciar.”

Raymond A Colitt - Brasilia Bureau Chief, Bloomberg News
“Em relação à mudança de governo, eu ouvi respostas de que tudo ou nada pode mudar e os dois lados tem razão. Não tem resposta padrão, depende de onde você está. Na Bovespa, por exemplo, tudo mudou. O provável aumento de juros nos Estados Unidos significará uma fuga de capitais das economias emergentes, o que afeta a taxa de juros aqui.”

“As relações com o Brasil não estavam no foco dos Estados Unidos, ao contrário do México, por exemplo. E isso pode ser até uma vantagem.”

Joseph Leahy - correspondente-Chefe no Brasil, Financial Times
“A relação entre Brasil e Estados unidos não vai mudar diretamente, mas sentiremos os efeitos da mudança de forma indireta como, por exemplo, com a mudança na taxa de juros dos EUA.”

“Não sabemos como será a política de Trump. Isso vai depender da atitude que ele adotar em relação ao comércio exterior.”

Claudia Trevisan - correspondente do Estado de São Paulo em Washington
“Os Estados Unidos tem um perfil de presidente que nunca se viu, personalista e com um discurso anti-Estado.”

“A questão é qual Trump vai governar os Estados Unidos. Tem o Trump do teleprompter, aquele disciplinado, que lê discursos escritos por seus assessores e o que se viu no Twitter, um Trump agressivo e impulsivo. “


A visão dos think tanks

Paulo Sotero, Diretor - Brazil Institute of the Woodrow Wilson International Center for Scholars
“Não somos parte do problema, mas, sim, da solução.”

“Podemos ter oportunidades de abertura de mercado. O Brasil precisa decidir o que espera do relacionamento com os EUA.”

Peter Hakim - President Emeritus & Senior Fellow, The Dialogue – Leadership for Americas
“A América Latina não é uma prioridade para eles. A vitória não foi dada a Trump por fatores externos. A questão é a política doméstica.”

“Eu acho que é difícil fazer qualquer suposição. O Donald Trump costuma fazer surpresas.”


Impactos na iniciativa privada

Ailtom Barberino Nascimento - Vice-Presidente Executivo Global da Stefanini
“Nós não acreditamos em grandes impactos. Se o Trump fizer um governo baseado no Twitter, a Índia deve se preocupar e nós não. Agora, se ele fizer um governo mais moderado, não vejo mudanças tão importantes. “

“Acho que o mais relevante é o que nós esperamos para o Brasil. “

Jerry O’Callaghan - Diretor de Relações com Investidores da JBS
“Todos os sinais até agora são de crescimento econômico. Para uma empresa que está no setor de alimentos como a JBS, qualquer estímulo econômico americano é bom.”

“Eu acho que nós temos que abrir o diálogo. Está faltando o diálogo. O Brasil também não quer assumir muito a sua política protecionista. Tem que ter diálogo e concessões dos dois lados.”

Ministro Ernesto Henrique Fraga Araújo - Diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos - Ministério das Relações Exteriores
“Devemos evitar clichês para falar de Trump. A grande imprensa dos Estados Unidos é muito partidária e 90% do influxo de ideias que temos sobre ele vêm dali.”

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