Comércio internacional: os principais pontos para uma agenda de integração da América Latina

publicado 06/08/2020 18h40, última modificação 06/08/2020 18h40
Brasil – Documento do BID analisa quatro grandes tópicos a fim de impulsionar uma nova agenda de políticas
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Especialistas afirmam que a maioria dos países da América Latina e do Caribe ganharam com a liberalização entre 1990 e 2015

O comércio internacional, que tem sido uma fonte significativa de geração de riqueza para o mundo, sofria uma grande ameaça já antes mesmo da pandemia, com retrocessos e protestos. Com a crise do coronavírus, houve uma série de medidas de restrição aos negócios exteriores, abrindo espaço ao protecionismo e ao conceito de soberania doméstica.  

Desta forma, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) publicou o documento “Trading Promises for Results - What Global Integration Can Do for Latin America and the Caribbean”, que analisa quatro grandes tópicos com base em evidências dos últimos anos a fim de impulsionar uma nova agenda de políticas internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe. Os quatro tópicos abordados são: liberalização, 30 anos de política comercial, economia política e agenda comercial. Clique aqui para acessar o relatório completo.  

A publicação foi apresentada durante o nosso webinar “Comércio Internacional e Agenda de Integração no Pós-Pandemia”, no dia 30/07. Na data, contamos com a participação de Abrão Neto, nosso Vice-Presidente Executivo; Morgan Doyle, Representante do BID no Brasil; Dan Ioschpe, Presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI); Welber Barral, Conselheiro e Sócio Fundador da BMJ Consultoria; e Mauricio Mesquita, Economista-chefe e coordenador de pesquisa do Setor de Integração e Comércio do BID.  

Mauricio explica que a maioria dos países da América Latina e do Caribe ganharam com a liberalização entre 1990 e 2015, levando em conta o impacto sobre o salário real. Já em relação aos empregos, apenas os países da América Central que exportavam mais para o NAFTA tiveram ganho considerável nos anos 90. Entretanto, a indústria intensiva em trabalho sofreu com o impacto asiático nos anos 2000: o Brasil perdeu 0,3% do emprego manufatureiro, por exemplo.  

Além disso, a liberalização aumentou a desigualdade nos anos 90 e a reduziu nos anos 2000. “Claramente, os resultados não estavam à altura das expectativas, mas observamos também que havia expectativas muito infladas. Se utilizarmos uma métrica mais razoável, obtivemos resultados importantes em termos de acelerar enriquecimento”, afirma Mauricio. Ele lembra ainda que, para evitar os efeitos colaterais da integração comercial, é preciso que ela seja muito bem planejada, negociada e acompanhada quando implementada.  

 

BRASIL  

Na análise do coordenador de pesquisa do Setor de Integração e Comércio do BID, o Brasil e seus sócios no Mercosul precisam ampliar o acesso aos principais mercados do mundo. “Não vejo outra maneira de países como o Brasil, Venezuela e Argentina de conseguirem se aproveitar dos ganhos de crescimento que o comércio pode gerar sem ter uma estratégia de integração de liberalização que inclua tanto os acordos preferenciais, mas não apenas estes, porque eles não são suficientes”, pontua.  

Dan concorda: o Brasil precisa da integração ao mundo e acelerar a inserção nas cadeias globais. Mas isso, por si só, não é suficiente: é necessário também comprometimento com a agenda econômica interna, principalmente no que diz respeito às reformas. “Gostaria de ver um foco no trabalho de todos na direção de fazer essa malha de acordos na maior rapidez possível e nos colocar no jogo, mas infelizmente isso só não vai resolver. Temos que atacar a agenda da produtividade e da competitividade”, manifesta, lembrando que tranquilidade institucional é cada vez mais relevante e no Brasil o cenário é totalmente contrário.  

 

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