DCI: Brasileiros têm mais interesse em abrir negócios nos EUA

publicado 28/04/2015 11h11, última modificação 28/04/2015 11h11
São Paulo - Segundo a Amcham, solicitação de guias informativas sobre internacionalização ao país se elevou em mais de 400% entre 2013 e 2014
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A série How To US, série de guias Amcham voltado para brasileiros interessados em investor nos EUA, registrou um crescimento de 400% no número de dowloands em 2014.

O crescimento do interesse do empresariado em investir em território americano é tema da principal manchete desta terça (28/4) do jornal DCI. Confira reportagem da jornalista Paula Salati:

DCI: Brasileiros têm mais interesse em abrir negócios nos EUA

São Paulo - Segundo a Amcham, solicitação de guias informativas sobre internacionalização ao país se elevou em mais de 400% entre 2013 e 2014
Paula Salati
São Paulo - Mesmo com a valorização do dólar frente ao real, o número de brasileiros interessados em abrir empresas nos Estados Unidos tem se elevado, informam associações e consultorias ouvidas pelo DCI.
A diretora de Produtos e Serviços da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Camila Moura, diz que o volume de solicitações de guias informativas sobre internacionalização aos EUA teve um aumento de mais de 400% entre 2013 e 2014. Nesse período, os pedidos passaram de 850 para 4.603 mil.
"Para nós da Amcham, esse é um termômetro de que as empresas brasileiras estão tentando entender melhor o mercado americano e quais os tipos de investimentos que podem ser feitos no país", afirma Moura.
As empresas brasileiras de tecnologia continuam sendo as que mais procuram se estabelecer nos Estados Unidos. No entanto, a diretora da Amcham conta que "os serviços tiveram uma movimentação importante nos últimos meses". "Houve, por exemplo, na área de educação, interesse em abertura de escolas de idiomas nos EUA, de ensino de língua portuguesa. Temos também casos de estúdios de pilates interessados em abrir negócios no país, como também franquias na área de alimentos. Esses são alguns dos projetos que estão em processo de entrada nos Estados Unidos", informa a representante.
Além das áreas mencionadas, empresários brasileiros do setor de vestuário também têm buscado informações sobre como abrir pontos de venda em território norte-americano. Consultorias de diversas áreas, assim como empresas de recursos humanos são outros que buscam internacionalização.
Agronegócio
"Algo recente que tem despertado o interesse dos brasileiros é o investimento no agronegócio, seja por parte de empresas que tentam entrar com produtos novos no mercado norte-americano, ou que se transferem para o país com o objetivo de adquirir tecnologia, ou mesmo companhias nacionais que buscam parcerias com americanas para poder atuar", conta Moura.
A entrada no agronegócio norte-americano, via internacionalização de empresas, não ocorre somente na área de commodities, esclarece a diretora da Amcham. "Temos exemplos de empresas brasileiras [parceiras de americanas] que atuam na cadeia do agronegócio, fornecendo produtos para serem utilizados na fabricação de adubos e fertilizantes", exemplifica. "Temos outra que desenvolvem softwares para elevar a produtividade do campo. Nessa área, o Brasil tem uma grande expertise".
Câmbio
O sócio da consultoria tributária internacional Drummond CPA, Michel de Amorim, diz que a alta do dólar não alterou a demanda de empresas nacionais interessadas em se estabelecer nos Estados Unidos. Muitas delas, conta ele, veem na valorização da moeda norte-americana, uma forma de aumentarem suas receitas. No entanto, o especialista ressalva que é preciso avaliar bem se determinada operação pode ser vantajosa ou não, principalmente quando se trata de questões tributárias.
Amorim explica, por exemplo, que qualquer dividendo remetido dos EUA para qualquer país é tributado em 30%. "É muito importante, portanto, no processo de internacionalização, um bom planejamento fiscal", considera o sócio da Drummond CPA.
Dentre os clientes da consultoria, há um volume grande de prestadoras de serviços e de empresas de tecnologia que procuram montar negócios nos EUA. "Serviços e tecnologia são setores mais simples, que dependem muito mais de capital intelectual. É mais fácil a contratação de funcionários e a mão de obra é mais enxuta. Já a abertura de uma indústria requer um aporte mais significativo", afirma Amorim.
O processo de internacionalização mais comum continua tendo como ponto de partida a exportação. As empresas nacionais exportadoras, à medida que vão conhecendo mais o mercado norte-americano, passam a planejar o seu estabelecimento no país.
O segundo passo, geralmente, é abrir pontos de distribuição de produtos nos EUA, até chegar à terceira etapa, de montagem do negócio.
Imigração
Além de expandir negócios, muitos brasileiros investem nos Estados Unidos com o intuito de obterem autorização de moradia. Amorim diz que a maneira mais comum continua sendo a transferência de empresas.
"O empresário expande uma operação ou estabelece uma operação nova nos EUA. À princípio de caráter temporário, e à medida que se monta um bom plano de negócios, que seja consistente, é possível conseguir um visto", afirma o representante da Drummond.
Uma outra forma também é o programa de visto EB-5. Este é um processo migratório voltado para investidor estrangeiro pessoa física, que deseja residir permanentemente nos EUA. Segundo as regras do programa, o empreendedor deve investir de US$ 500 mil até US$ 1 milhão em locais pré-estipulados pelo Departamento de Imigração norte-americano (USCIS).
De acordo com dados do Banco Central (BC), os Estados Unidos aparecem como o quarto destino de maior investimento brasileiro direto no exterior. No primeiro trimestre de 2015, o Brasil enviou aportes no valor de US$ 389 milhões aos EUA, metade dos recursos destinados no primeiro trimestre do ano passado, que somaram cerca de US$ 651 milhões.

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