Eleição de Trump deverá afetar Brasil de forma mais indireta, avaliam correspondentes internacionais

publicado 21/11/2016 14h04, última modificação 21/11/2016 14h04
São Paulo – Provável mudança na taxa de juros dos EUA pode significar fuga de capitais de economias emergentes
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A mudança de governo nos Estados Unidos deve afetar o Brasil de forma mais indireta. Este foi o consenso entre os correspondentes internacionais que participaram do Seminário Futuro da Relação Bilateral Brasil e Estados Unidos realizado pela Amcham - São Paulo no dia 17/11, quinta-feira. Para Raymond A Colitt, chefe do escritório de Brasilia da Bloomberg News, o principal efeito a ser sentido será a provável subida na taxa de juros dos EUA. "O provável aumento de juros nos Estados Unidos significará uma fuga de capitais das economias emergentes, o que afeta a taxa de juros aqui, sendo mais difícil abaixá-la. Isso significa uma recuperação mais lenta da economia brasileira", afirmou.

Collit conta que ouviu opiniões extremamente divergentes sobre como a eleição de Trump afetaria o Brasil e as relações entre esses Estados. "Eu ouvi respostas de que tudo ou nada pode mudar e os dois lados tem razão. Não tem resposta padrão, depende de onde você está", pondera. No entanto, considera que, durante a campanha, pouco se falou entre as relações entre Brasil e EUA - o que pode inclusive significar uma vantagem. A relação que mais deve mudar deve ser com o México, segundo o correspondente.

Para Joseph Leahy, Correspondente-Chefe no Brasil do Financial Times, concorda que os efeitos serão sentidos de forma indireta. "Não sabemos como será a política de Trump. Isso vai depender da atitude que ele adotar em relação ao comércio exterior. Isso pode apresentar tantas oportunidades quanto desafios", argumenta. Leahy considera ainda que o maior desafio para o Brasil será continuar com as relações bilaterais que vêm sendo construídas e ampliadas nos últimos três anos.

Segundo Claudia Trevisan, correspondente do Estado de São Paulo em Washington, Trump não poderia ser um candidato com perfil mais oposto ao de seu antecessor, Barack Obama. "Agora os EUA tem um perfil de presidente que nunca se viu, personalista e com um discurso anti-Estado", avalia. Isso será um desafio para diversas instituições americanas, como a imprensa, por exemplo, que entrou em confronto constante com Trump durante sua candidatura.

A eleição de Trump e o Brexit, para a correspondente, são fenômenos que representam um sentimento de rejeição da população desses países ao processo de globalização. "A questão é qual Trump vai governar os Estados Unidos. Tem o do tele-prompter, aquele disciplinado, que lê discursos escritos por seus assessores e o que se viu no Twitter, um Trump agressivo e impulsivo", finaliza.

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