Hillary Clinton vê espaço para acordo de livre comércio com o Brasil e ressalta parcerias bilaterais

por andre_inohara — publicado 16/04/2012 15h45, última modificação 16/04/2012 15h45
André Inohara
Brasília – Para ela, crescimento econômico com bases democráticas de Brasil e EUA vai influenciar outros países.
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A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mencionou nesta segunda-feira (16/04) a possibilidade de um tratado de livre comércio com o Brasil, como forma de aprofundar as relações bilaterais.

“Precisamos considerar, no futuro, um acordo de livre comércio e ver se o Brasil e os EUA podem basear o crescimento econômico em valores democráticos não só para a região e mundo”, disse a secretária em Brasília.

Hillary também ressaltou a parceria entre os dois países, abordando acordos de cooperação entre os dois países em áreas como inovação, educação, segurança, energia e turismo.

Na capital federal, Hillary participou do seminário "Visão para a parceria econômica no século 21", organizado pela Amcham e CNI (Confederação Nacional da Indústria).

A secretária defendeu uma integração maior entre as duas principais economias das Américas, e admite que há vários aspectos que precisam ser discutidos antes que o acordo possa evoluir para bases concretas.

“Precisamos resolver certos problemas como a bitributação e o estabelecimento de um tratado de investimento bilateral”, acrescentou a secretária.

Um tratado de livre comércio consiste na eliminação de tarifas, quotas e preferências sobre grande parte (ou todos) dos bens importados e exportados entre dois países. Trata-se de uma questão delicada, pois o Brasil é signatário do Mercosul, bloco econômico formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Por esse tipo de acordo, um tratado de livre comércio assinado por um país tem que se estender aos demais participantes.

A secretária de Estado está no Brasil para dar continuidade à agenda de aproximação bilateral que se iniciou com a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil em março de 2011, e que foi retomada durante a estadia da presidente Dilma Rousseff nos EUA entre os dias 9 e 11 de abril.

Veja aqui: Secretário do Interior dos EUA diz que seu governo trabalha para facilitar a entrada de turistas brasileiros

Crescimento econômico traz estabilidade

Para a secretária americana, o crescimento econômico traz estabilidade democrática e social. “Como as duas maiores democracias do hemisfério, Brasil e EUA entendem os valores do caminho de elos econômicos fortes”, observa.

“Isso é bom para a população. O Brasil está enriquecendo e aumentando sua classe média porque está empenhado em tirar os brasileiros da pobreza, abrindo oportunidades para as crianças, para que elas tenham as mesmas condições de se desenvolver.”

Em seu discurso, Hillary enalteceu a ascensão econômica brasileira que, para ela, devido à sua grande dimensão, vai influenciar outros países. Segundo a secretária, o Brasil cresce sustentado em três “pernas”: um governo responsável e inclusivo, um setor privado atuante e uma sociedade civil forte, “que defende aqueles que não têm voz para se expressar, os que não têm acesso à educação e saúde e os que defendem o meio ambiente e a herança cultural”.

Acordos em segurança

Em seu discurso, Hillary disse que os dois países travam uma batalha conjunta contra o narcotráfico. Um dos nossos esforços mais importantes é a parceria entre a prefeitura do Rio de Janeiro e a IBM para criar um sistema integrado de informações entre os diversos organismos municipais.

"O prefeito do Rio, Eduardo Paes, viu que os organismos municipais independentes não partilhavam informações entre si, um problema que existe em todos os governos, posso assegurar."

Para suprir a falta de integração entre as diversas instituições, a IBM trabalha com a prefeitura em um projeto chamado Cidade Inteligente, que consiste na criação de um centro unificado de operações.

"Todas as informações agora são armazenadas em um só lugar. É uma iniciativa da IBM que vai se repetir em todo o mundo. Com isso, a empresa está ajudando o Rio a se preparar para a Copa e a Olimpíada, a se organizar de maneira eficaz", observa Hillary.

Parcerias em inovação, energia e educação

A secretária de Estado dos EUA também disse que a parceria com o Brasil em setores como inovação, educação e energia são a chave para a construção de um futuro livre de incertezas econômicas.

“A inovação não é importante só por conta da tecnologia, mas porque ajuda a enfrentar as adversidades. Ela faz mais do que apenas criar empregos: lança as bases da economia do futuro”, assinala.

Como exemplo, citou a associação de Boeing e Embraer, para a criação de uma cadeia de suprimentos de biocombustíveis para aviação. “As equipes têm de desenvolver uma maneira efetiva de transformar a cana-de-açúcar em combustível de aviação”, cita.

Para Hillary, a pesquisa e o desenvolvimento em inovação têm de ser feitos em conjunto com o setor privado, e por isso pretende intensificar as parcerias no setor. “Vou mandar uma delegação de educadores e líderes empresariais para discutir as maneiras de se criar um sistema tecnológico de inovação no Brasil”.

O intercâmbio de estudantes entre os dois países, por meio do programa brasileiro Ciência Sem Fronteiras e o similar americano “Cem mil para as Américas”, também foi citado pela secretária como exemplo de cooperação bilateral. Apesar de os EUA serem um dos países líderes em inovação, a formação de mão de obra especializada também é uma preocupação que atinge o país, segundo Hillary.

“Uma das preocupações comuns é que há empregos, mas não existe quem possa ocupar esses cargos. Há um grande número de empresas buscando engenheiros e técnicos qualificados e precisamos ver como as empresas podem obter funcionários que necessitam no momento em que precisam.”

Incentivo ao turismo

Em relação ao turismo, a secretária também mencionou o aumento de visitantes brasileiros em terras americanas e as iniciativas para facilitar o trânsito de passageiros. “Queremos aumentar nosso processamento de vistos de turistas e estamos abrindo novos consulados, além de ampliar as parcerias para visitas.”

Por meio da Parceria de Aviação, acordo assinado durante a visita da presidente Dilma aos EUA, mais turistas brasileiros poderão viajar. “Estamos aumentando os vôos entre o Brasil e os EUA, para que empresas áreas respondam adequadamente à procura”, ressalta a secretária.

Apesar de um fluxo respeitável de comércio bilateral, ainda há muitas áreas a serem exploradas. Há espaço para novas parcerias, disse a secretária. "Podemos fazer ainda muito mais. As oportunidades do potencial de comércio e emprego começam a ser explorados agora."

Em 2011, o comércio entre os dois países chegou a quase US$ 75 bilhões, sendo os investimentos dos EUA no Brasil de US$ 15 bilhões. Esse montante representa a maior parte do capital que os EUA direcionam à América Latina, afirma a secretária.

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