Em busca de investimentos estrangeiros, governos federal e estadual usam e apoiam missões, consultorias e ações de relacionamento como formas de promoção comercial

por andre_inohara — publicado 12/11/2012 12h30, última modificação 12/11/2012 12h30
Brasília – Representantes de MRE, MDIC e estados brasileiros participaram do evento de lançamento de novos títulos da série How to Do Business and Invest in Brazil da Amcham em Brasília.
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Cientes de que o ambiente de negócios brasileiro não é facilmente compreendido por investidores estrangeiros, tanto o governo federal como as administrações estaduais têm reforçado suas ações de divulgação comercial.

Além de missões (road shows) e consultorias, vêm sendo feitas parcerias com a iniciativa privada para ajudar os interessados a decifrar o emaranhado burocrático e encontrar as melhores oportunidades.

Durante o evento de lançamento de novos títulos da série How to Do Business and Invest in Brazil da Amcham, em Brasília, na última quinta-feira (8/11), representantes do governo federal e de estados debateram sobre o que estão fazendo para cativar o interesse do capital externo.

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O consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e hoje presidente da Brazil Industries Coalition, foi o mediador do encontro. Ele, que também é presidente do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo, defendeu que o Brasil precisa se tornar mais conhecido.

“O Brasil não é um país para principiantes. Embora seja democracia consolidada, tem um emaranhado de regras que precisam ser informadas aos investidores”, afirmou ele, abrindo o evento.

Balanço da série

Gabriel Rico, CEO da Amcham, fez um balanço da série How to neste ano. De janeiro a outubro, surgiram cinco novos títulos e outros nove tiveram seu patrocínio renovado. “Chegamos a 19 publicações ao todo, o que não é pouca coisa. Nossos títulos cobrem todas as facetas de como investir e fazer negócios no Brasil”, destaca Rico.

“Entre os guias, temos quatro desenvolvidos em parceria com estados (São Paulo, Paraná, Pernambuco e Goiás), e o que impressiona é que, de janeiro a outubro, triplicamos o número de downloads [dos guias]”, acrescenta.

Camila Moura, gerente de Comércio Exterior da Amcham, anunciou que uma nova parceria com o Estado de Minas Gerais para publicar um guia de negócios sobre o estado foi fechada, com previsão para publicação no início de 2013.

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Ministério das Relações Exteriores apoia missões e monitora investimentos

A estrutura que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) possui para tornar o Brasil mais conhecido no exterior conta com uma rede de promoção comercial espalhada em pelo menos 100 escritórios, “entre embaixadas e consulados”, conforme o secretário Cristiano Franco Beibert, chefe da Divisão de Investimentos do MRE.

“Temos apoiado missões comerciais e também monitoramos as oportunidades de investimento por meio de uma divisão que tem a responsabilidade de acompanhar os aportes realizados”, destaca Beibert.

Essa estrutura internacional tem sido bastante demanda pelos estados, que vão ao exterior em busca de parceiros para as mais diversas obras. “É interessante notar como os governadores têm viajado para divulgar seus estados no exterior. Recentemente, o representante de Goiás (Marconi Perillo, PSDB) foi aos Estados Unidos e o da Bahia (Jaques Wagner, PT) a Cingapura”, exemplifica.

O MRE também mantém o portal BrasilGlobalNet, que possui “grande estoque de informações sobre o Brasil e exterior”, como descreve Beibert. Através desse meio eletrônico, os interessados têm acesso a um banco de dados de empresas estrangeiras e mercados para produtos brasileiros. Agora, os guias How To Do Business and Invest in Brazil, descrevendo as oportunidades de investimentos no  País, podem ser acessados no portal.

MDIC tem área para captar informações sobre estados

No MDIC, a área encarregada de coletar e divulgar informações sobre oportunidades de investimentos produtivos é a Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai). A rede foi concebida devido à necessidade de dados que as empresas tinham em nível federal e estadual, explica Eduardo Celino, coordenador-geral de Investimentos da Renai.

A rede ajuda a dar mais visibilidade às regiões brasileiras com grande potencial de crescimento. No portal da Renai, há informações sobre como e onde investir. “Os estados têm espaço para divulgar quais são os principais projetos e ficam disponíveis informações necessárias para despertar interesse dos investidores potenciais”, detalha Celino.

“Os investidores estrangeiros já tem conhecimento da região Centro-Sul, mas divulgamos outras com potencial, como o Norte e Centro-Oeste, que crescem acima da média nacional.”

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Goiás quer diversificar economia

Localizado no Centro-Oeste brasileiro, Goiás quer diversificar sua economia, atualmente concentrada no agronegócio, melhorando a infraestrutura para atrair mais investimentos produtivos.

“Nossos investimentos em infraestrutura são audaciosos”, afirma Alexandre Baldy, secretário da Indústria e Comércio do Estado de Goiás.

“Estamos investindo quase R$ 3 bilhões em infraestrutura rodoviária para gerar competitividade. Também temos investido em um aeroporto de cargas entre Goiânia e Brasília, e temos duas ferrovias, a Centro-Atlântica e a Norte-Sul”, detalha o secretário.

Baldy disse que o Estado também tem estudado formas de desburocratizar os investimentos. Para elevar sua projeção internacional, Goiás atua junto com o MRE em missões internacionais e também com o MDIC, em parceria constante.

“Temos buscado visibilidade para fugir do histórico de que Goiás e fundamentalmente um Estado agropecuário”, argumenta Baldy. “Uma grande parceria que fizemos foi com a Amcham através do guia How to, para trazer a visibilidade para um Estado que cresce acima da média nacional”, acrescenta ele.

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Pernambuco quer aumentar exportações

O desenvolvimento econômico de Pernambuco nos últimos anos fez do Estado o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do Nordeste, atrás apenas da Bahia. Em comércio exterior, Pernambuco é a quarta força da região, uma posição que o Estado quer melhorar.

“Apesar de sermos o segundo maior PIB do Nordeste, somos tímidos em comércio exterior e temos muito que fazer”, avalia Alberto Galvão, vice-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco.

Entre as iniciativas em andamento para viabilizar o aumento das vendas externas, estão a capacitação da mão de obra. “Participamos de programas da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e do Banco Mundial para profissionalizar técnicos em atração de investimentos”, argumenta Galvão.

Além disso, Pernambuco também está inscrito no programa Primeira Exportação, do MDIC, que busca incentivar as pequenas e médias empresas a conquistar mercados no exterior.

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