Embaixadora americana disse que Brasil e EUA trabalham para dobrar fluxo comercial; veja vídeo

publicado 02/12/2015 14h42, última modificação 02/12/2015 14h42
São Paulo – Por uma relação “mais ambiciosa”, países discutem facilitação comercial e propriedade intelectual
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A Embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, disse que seu país está trabalhando junto com o Brasil para aumentar o fluxo de comércio bilateral nos próximos anos. “A presidente Dilma Rousseff falou, durante a visita de junho ao presidente Barack Obama (EUA), que gostaria de uma parceria comercial mais ambiciosa e duplicar o comércio bilateral nos próximos cinco anos. Nesse sentido, estamos trabalhando para aproveitar oportunidades de melhorar aspectos específicos que poderiam ser obstáculos ao aumento de comércio”, disse a embaixadora.

Liliana esteve na Amcham – São Paulo na quarta-feira (2/12), e debateu com empresários brasileiros as perspectivas de internacionalização e incentivos aos investimentos brasileiros nos Estados Unidos. O evento foi organizado pelo SelectUSA, programa do Departamento de Comércio dos EUA para estimular investimentos estrangeiros nos Estados Unidos, em parceria com a Amcham Brasil. 

Veja abaixo trechos da entrevista coletiva de Liliana:

Depois do acordo de facilitação de comércio bilateral em março, houve algum avanço para aumentar a convergência regulatória?

Liliana Ayalde: Sim. Há dez dias, promovemos um diálogo comercial com parceiros e grupos de trabalho específicos que focaram aspectos de facilitação de comércio, harmonização de padrões e todos os temas acordados nos memorandos assinados durante a visita da presidente Dilma (aos EUA) em 30 de junho. Houve avanços concretos em áreas técnicas.

Dentro da agenda comercial, o que se tem priorizado são aspectos específicos para melhorar e aumentar a troca comercial. São temas de propriedade intelectual e facilitação de comércio. Também conversamos com o Ministério da Agricultura sobre temas preliminares necessários a qualquer tipo de acordo.

A Parceria Transpacífico [acordo de comércio entre EUA e mais 11 países da região do Pacífico] poderia distanciar um pouco os EUA do Brasil?

Liliana Ayalde: A agenda comercial está avançando. Os doze países membros da Parceria Transpacífico estão trabalhando em seus congressos e parlamentos para a aprovação do acordo. Com o Brasil, estamos trabalhando em uma série de atividades que melhoram o ambiente comercial entre os dois países.

O momento de crise econômica que o Brasil passa é um impulso para o país se abrir mais ao comércio exterior?

Liliana Ayalde: Temos dialogado com muito interesse sobre os fatores necessários para uma relação comercial mais ambiciosa. A presidente Dilma Rousseff falou, durante a visita de junho ao presidente Barack Obama (EUA), que gostaria de uma parceria comercial mais ambiciosa e duplicar o comércio bilateral nos próximos cinco anos. Nesse sentido, estamos trabalhando para aproveitar oportunidades de melhorar aspectos específicos que poderiam ser obstáculos ao aumento de comércio. São temas ligados à alfândega e outros aspectos de facilitação. O trabalho está avançando, temos parceiros bastante animados e comprometidos, como o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Como os EUA também são um dos maiores exportadores de alimentos, há muitas possibilidades comerciais.

E como a senhora vê a receptividade do empresariado brasileiro ao comércio exterior?

Liliana Ayalde: O fato de a Parceria Transpacífico (TTP, na sigla em inglês) ter sido assinada tem despertado muito interesse. Estamos trabalhando com o setor privado, a Amcham e outras entidades para facilitar (o acesso a) palestras informativas. Há dez dias, trouxemos o conselheiro da USTR [Timothy Reif, conselheiro-geral da Representação de Comércio dos EUA – USTR, em inglês] que esteve muito engajado no tema do TTP, para falar sobre o conteúdo e responder a perguntas do setor privado. CNI, FIESP e outras entidades estão muito interessadas, e vamos fazer mais atividades conjuntas para falar sobre aspectos concretos de facilitação do comércio.

Sobre o evento de hoje realizado pelo SelectUSA, não há um pouco de contrasenso incentivar brasileiros a investir nos EUA nesse momento de crise?

Liliana Ayalde: Não, porque é uma maneira de (os empresários brasileiros) ampliar suas perspectivas. Os EUA são um país fácil de fazer investimentos. Temos recursos e acesso a outros mercados estrangeiros. Então é uma maneira de fazer os empregos crescerem nos dois países. Já faz cinco anos que os investimentos brasileiros nos EUA aumentam. Nesse período, vimos que o Brasil é o país que mais aumentou o volume de investimentos diretos nos EUA.

Mas o evento de hoje é parte de um programa mais amplo (de atração de investimentos para os EUA). A organização esteve no Rio no dia 1/12 e seguirá para Belo Horizonte em 3/12. Cada cidade visitada contou com mais de 200 empresas que aproveitaram a oportunidade de conversar com especialistas e representantes de estados americanos como a Flórida e Geórgia, além de Porto Rico (protetorado americano). Cerca de oito ou nove estados levaram representantes que falaram dos benefícios a empresas que investirem por lá. Mas há serviços de informação de todos os 50 estados americanos sobre vistos, imigração e regras, tudo para fazer negócios. As empresas têm a oportunidade de ver se é melhor investir no Texas, Geórgia ou Califórnia. Estamos organizando a próxima edição em junho de 2016. Esperamos que o Brasil continue sendo um participante importante.

Veja a entrevista de Liliana Ayalde abaixo: 

 

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