Pesquisa Amcham: empresariado brasileiro aponta que reforço em infraestrutura se destaca entre os principais desafios para potencializar comércio exterior

por daniela publicado 26/05/2011 11h55, última modificação 26/05/2011 11h55
André Inohara e Daniela Rocha
São Paulo – Segundo a sondagem, simplificação do sistema tributário e novas políticas de incentivo também são fundamentais para ampliar transações.
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Na visão da iniciativa privada, para que o Brasil se torne uma verdadeira potência mundial do comércio exterior, é preciso avançar principalmente em melhoria da infraestrutura (35%), simplificação do sistema tributário (30%) e criação de políticas de incentivo a essas operações (27%). Outros desafios ressaltados são o desenvolvimento de políticas que permitam a diversificação das exportações (7%), e a qualificação da mão de obra (1%). É o que indica a pesquisa "O Cenário do Comércio Exterior Brasileiro" realizada pela Amcham e divulgada nesta quinta-feira (26/05) no Café de Comércio Exterior na Amcham-São Paulo.

“O País tem grandes desafios para enfrentar em comércio exterior, que são justamente os gargalos que afetam negativamente a competitividade do País como um todo. É preciso diminuir os custos logísticos, reduzir não somente a carga, mas também a complexidade tributária e a burocracia”, disse Mara Lacerda, diretora de Produtos e Serviços da Amcham, responsável pela apresentação dos dados.

"A pesquisa é importante porque constitui um guideline de questões do comércio exterior que devemos trabalhar", acrescentou Welber Barral,
presidente do comitê de Comércio Exterior da Amcham e consultor na área.

O estudo identificou que deficiências de infraestrutura e alto custo logístico são os pontos que mais impactam negativamente as exportações e importações do País, segundo 24% dos consultados. Em segundo lugar, aparecem a complexidade do sistema tributário nacional e a alta carga tributária (21%% dos respondentes), seguida da burocracia aduaneira (19%). O câmbio foi indicado como o sexto fator limitador do comércio exterior, conforme a percepção de apenas 5% dos entrevistados.

Participaram da pesquisa da Amcham 103 companhias de pequeno, médio e grande portes de sua base de associados que fazem parte da cadeia de comércio exterior ou são impactadas por questões de comércio exterior. O levantamento foi realizado entre os dias 09 e 24/05. As perguntas foram respondidas online, sendo que 50% dos participantes eram CEOs e diretores e 37% gerentes.

Ações propositivas

Para 55% dos entrevistados, os próximos anos tendem a ser favoráveis para os exportadores brasileiros. Uma fatia de 31% vê um cenário de piora e outros 14% declaram não ser possível fazer essa avaliação no momento. “Há quase um equilíbrio, uma divisão clara nas perspectivas entre um cenário positivo e outro negativo ou marcado por incertezas”, explicou Mara.

Para ajudar na pavimentação desse caminho e facilitar o acesso de produtos e serviços brasileiros ao mercado externo, os consultados pela Amcham apontam um conjunto de medidas que deveriam ser adotadas pelo governo. Entre as principais, estão a desburocratização do Sistema Tributário Nacional e a desoneração dos tributos (item indicado por 25% dos respondentes), maior investimento em infraestrutura logística (24%),  ampliação dos acordos comerciais e de investimentos (15%), simplificação dos processos administrativos e aduaneiros (14%) e mais estímulos à pesquisa e ao desenvolvimento (10%).

Principais mercados

A pesquisa da Amcham buscou identificar os principais mercados das operações de comércio exterior no País. Quanto às importações, os principais fornecedores são Estados Unidos (28%), União Europeia (24%), China (19%), países do Mercosul (8%) e outros países da América Latina (4%). Em relação às exportações, os destinos mais relevantes são os países do Mercosul (26%), outros países da América Latina (19%), Estados Unidos (15%), União Europeia (11%) e China (5%).

O estudo apontou que 40% das empresas pretendem abrir escritórios em novos mercados, especialmente Estados Unidos, União Europeia e Mercosul. “Essa tendência é significativa porque 62% de nossa amostra são compostos de pequenas e médias empresas”, considerou Mara Lacerda.

Lucratividade

Na sondagem, 64% das companhias afirmaram que obtiveram lucratividade nas exportações em 2010, sendo que as demais declararam que tiveram prejuízos. Dentre as com resultados positivos, apenas 36% disseram que superaram os números de 2009.


As organizações indicaram ainda as medidas que podem efetivamente aumentar a lucratividade das exportações. As principais são: devolução de créditos tributários (66%); equalização da taxa de juros em financiamentos pré-embarque (23%); reorganização dos fundos e criação do Fundo Garantidor de Infraestrutura - FGIE (8%) e câmbio mais competitivo (6%).

 

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