EUA reconhecem o importante papel do Brasil na segurança energética global e querem mais parcerias

por daniela publicado 19/03/2011 13h01, última modificação 19/03/2011 13h01
Daniela Rocha
Brasília-Os dois países devem intensificar trabalho conjunto no setor de energia, declara David Sandalow, subsecretário executivo para Política e Assuntos Internacionais do Departamento de Energia Americano.

Os Estados Unidos reconhecem o papel relevante que o Brasil exercerá na segurança energética global, declarou David Sandalow, subsecretário executivo para Política e Assuntos Internacionais. Segundo ele, o trabalho conjunto entre os dois países nesse sentido envolve pesquisas e transferência de tecnologias, assim como parcerias entre empresas que podem trazer benefícios a ambas as nações.

“As descobertas de reservas de petróleo no pré-sal no Brasil são algo que contribuirá muito para a segurança energética do mundo. O Brasil também se destaca na área de biocombustíveis, especialmente o etanol, e em relação aos carros flex fuel. Vemos que no setor energético há muitas oportunidades de parcerias entre os dois países, entre governos e empresas”, disse Sandalow, que participou da Cúpula Empresarial Brasil- Estados Unidos, evento promovido por Amcham, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Brazil-US Business Council, em Brasília, neste sábado (19/03) que integra a agenda do presidente americano, Barack Obama, no País.

Sandalow reforçou que os Estados Unidos têm muito auxiliar o Brasil no campo da eficiência energética. “O Brasil pode aproveitar esse momento que antecede os eventos esportivos da Copa do Mundo e das Olimpíadas para reestruturar diversas edificações visando poupar energia”, afirmou.

Na contraparte, Márcio Zimmerman, secretário executivo do Ministério das Minas e Energia do Brasil, avaliou que o País necessita de investimentos, assim como suprimentos e instrumentos de inovação provenientes dos EUA. Ele está confiante de que a relação na área energética será mais estreita nos próximos anos.

“Por conta dessa maior interação bilateral, o intercâmbio energético nas Américas e no Caribe,  que hoje é de US$ 220 bilhões ou 12% do total no mundo, subirá substancialmente  se políticas eficientes forem adotadas”, enfatizou Zimmerman.

Debate

De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, de todo petróleo consumido pelos EUA,  dois terços representam a parcela importada. Para suportar a retomada do crescimento, o país necessitará comprar externamente uma quantidade maior e o Brasil se beneficiará. Além disso, a Petrobras acaba fechar a construção de uma plataforma offshore no Golfo do México, tipo de negócio que poderá ganhar fôlego nos próximos  anos, isto é, maior ênfase também na área de fornecimento. Porém, na visão de Gabrielli, o desafio está em políticas bilaterais mais efetivas na área energética. “Quando se fala em entrada no mercado americano, nos últimos tempos, todas as tratativas foram basicamente  entre empresas e não entre governos, cenário que precisa mudar”, comentou.

O presidente da Westinghouse Electric Company, Aris Candris, compartilhou dessa análise do presidente da Petrobras. “Os dois países, nos últimos anos, abordaram a política energética muito lentamente. É o momento de avançar.”

Para o presidente do conselho da Cosan, Rubens Ometto, no caso do etanol, o debate político entre os dois países é o mais complexo em relação às demais fontes energéticas. “Em relação ao etanol, o problema é só político, o que não é compreensível. Nos EUA, ainda há o `ranso` de que é um produto agrícola, não há a abordagem como combustível; sendo assim, há mitos protecionismo e subsídios”.

Segundo ele, o etanol, além de ser uma fonte agregadora na matriz energética, fundamental para segurança, é estratégico na sustentabilidade ambiental. “Com essas qualidades positivas, não é possível entender porque o etanol é taxado para entrar no mercado americano, e como o etanol americano recebe subsídios”, disse Ometto.

O presidente e CEO da General Electric na América latina, Reinaldo Garcia, acredita que os governos americano e brasileiro centrarão mais foco nesses temas daqui para frente. “É preciso reavaliar políticas, colocar foco nesses temas difíceis. O presidente Obama vem ao País com esse objetivo”, concluiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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