EUA são parceiro essencial do Ciência Sem Fronteiras, afirma Dilma em Washington

por marcel_gugoni — publicado 09/04/2012 19h58, última modificação 09/04/2012 19h58
São Paulo – Presidente brasileira debateu parcerias estratégicas nas áreas de infraestrutura, energia e educação com Barack Obama e incentivou cooperação entre universidades.
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A inovação é o principal motor do crescimento, e na cooperação em pesquisa e educação o Brasil vê os Estados Unidos como maior aliado. A presidente Dilma Rousseff visitou o americano Barack Obama nesta segunda-feira (09/04), em Washigton, e afirmou que os EUA são parceiro fundamental do Ciência Sem Fronteiras, programa que até 2014 pretende conceder bolsas a estudantes de graduação e pós de áreas consideradas estratégicas para a economia brasileira.

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“Esperamos com muita força uma cooperação porque consideramos os EUA um parceiro essencial no Ciência Sem Fronteiras”, afirmou Dilma no encerramento do “Seminário Brasil-EUA: Parceria para o Século 21”, promovido pelo Itamaraty, com a parceria da Amcham, US Chamber e Confederação Nacional da Indústria (CNI). “É um programa especial, porque, ao mesmo tempo em que cria oportunidade, estreita relações entre as pessoas.”

Dilma defendeu que as universidades americanas, como o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Harvard, abram suas portas aos estudantes brasileiros e que o mesmo ocorra com a vinda de pesquisadores americanos no Brasil. “Queremos dar bolsas de estudo a 100 mil estudantes”, afirmou ela. Dessas, 20 mil estarão voltadas para intercâmbio entre Brasil e EUA.

Durante o encontro entre os dois líderes de estado nesta segunda (09/04), foram assinados acordos com 14 universidades americanas. “É do nosso extremo interesse estreitar as relações econômicas e as parcerias na área de inovação”, revela a brasileira.

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“É necessário que ampliemos o intercâmbio educacional, científico e tecnológico entre empresas. Tenho consciência de que em várias áreas o Brasil tem oportunidade de parcerias, como aeronáutica, petróleo e agropecuária”, explica Dilma. “Os EUA, como líderes em produção de conhecimento e em inovação, podem encontrar parcerias em que todas as partes tenham algo a contribuir.”

O desenvolvimento de pesquisas deve beneficiar o setor privado como um todo, mas queremos atingir “principalmente as médias e as pequenas empresas, que devem ter um salto de competitividade na estrutura produtiva do Brasil”. Segundo ela, as grandes companhias no geral já são capazes de formar sua própria mão de obra conforme suas necessidades, mas as médias e pequenas precisam de maior apoio.

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As áreas abrangem engenharias e demais tecnologias, ciências exatas e biológicas, computação e tecnologias da informação, tecnologia aeroespacial, produção agrícola sustentável, petróleo e gás, energias renováveis e nanotecnologia, entre outras áreas técnicas.

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Mercado consumidor

Dilma ressaltou que a economia brasileira manteve seu crescimento em meio à crise apostando no mercado interno e no consumo da população. “Nossa economia baseada em crescimento de renda transformou a classe baixa em classe media, que hoje é mais da metade da população e a maior força para o crescimento do País.”

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“Mas como nenhuma região está imune às turbulências que afetam as finanças internacionais, tenho certeza de que a saída da crise não está em políticas recessivas e na regressão de políticas sociais”, declarou.

Para Dilma, a questão cambial precisa ser resolvida para manter o crescimento dos países emergentes. “Se a política monetária vem desacompanhada de investimento, produz nos emergentes situações de competição adversa de câmbio valorizado e competitividade afetada, o que compromete os investimentos e o crescimento”, explica

“O Brasil repudia todas as formas de protecionismo, inclusive esta que se afigura como protecionismo cambial.”

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Para Dilma, a cooperação é a melhor forma de sair da atual crise “mais forte e potencialmente mais pujante”. “O Brasil sabe da importância dos EUA nessa conjuntura de crise e para a reconstrução da prosperidade internacional. Por isso damos muita importância à parceria entre Brasil e EUA para o século 21. Temos sido parceiros num diálogo de nações iguais.”

 

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