Exploração de novas oportunidades comerciais entre Brasil e Flórida é chave para geração mútua de empregos, diz governador do Estado americano

publicado 26/10/2011 11h45, última modificação 26/10/2011 11h45
André Inohara e Daniela Rocha
São Paulo - Rick Scott participou de evento da Amcham para prospecção de negócios bilaterais.
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Em visita ao Brasil, o governador da Flórida, Rick Scott, busca aprofundar a parceria comercial e os investimentos entre o Estado americano e a maior economia da América Latina.

Scott, que lidera uma delegação de mais de 200 empresas, participou nesta quarta-feira (26/10), em São Paulo, do evento “Doing Business with Florida”, realizado pela Amcham em parceria com a Enterprise Florida, agência de desenvolvimento econômico do Estado. O encontro foi um dos destaques da programação da comitiva no País, iniciada em 21/10 e concluída nesta terça. A agenda da missão incluiu reuniões com a iniciativa privada brasileira no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Vejo oportunidades significativas de a Flórida intensificar os negócios aqui, assim como o Brasil ampliar o fluxo comercial e de investimentos em nosso Estado”, destacou Scott.

Fomentar parcerias é uma das maneiras mais efetivas para a criação de vagas de trabalho, na visão do governador. “O Estado tem metas estabelecidas de geração de empregos, esse é um dos desafios da atualidade. Trata-se de uma questão importante também para o Brasil”, afirmou. A Flórida trabalha com um plano de criação de 100 mil postos anuais nos próximos sete anos. De janeiro a setembro, o Estado registrou um resultado líquido de 92 mil novos empregos.

Fluxo comercial

O Brasil é atualmente o principal parceiro comercial da Flórida. Em 2010, as exportações dos Estados Unidos ao País, via Flórida, somaram US$ 13,759 bilhões, um aumento de 29,6% sobre o ano anterior.

Já as vendas de mercadorias brasileiras aos EUA, via Flórida, atingiram US$ 2,177 bilhões no ano passado, um incremento de 9,4% em relação a 2009. O Brasil é o sétimo fornecedor dos EUA com entrada pela Flórida.

Portanto, a corrente de comércio bilateral Brasil-EUA, via Flórida, foi de US$ 15,937 em 2010. “Nos últimos anos, a troca comercial somou quase US$ 45 bilhões, o que é muito expressivo”, destacou Gabriel Rico, CEO da Amcham.

Rico lembrou que muitas empresas brasileiras estão internacionalizando suas operações passando pela Flórida. São companhias inovadoras de variados setores, entre elas, Suzano, Fibria, Citrosuco, Gerdau, Embraer, Odebrecht, Votorantim e Itautec.

A Flórida

O governador Rick Scott salientou na reunião da Amcham que, se a Flórida fosse um país, seria a 20ª economia do mundo. Isso se deve fundamentalmente ao ambiente regulatório pouco burocrático. De acordo com Scott, nos últimos anos ocorreram avanços no trabalho das agências e nas normas no Estado, facilitando a atuação empresarial. “A Flórida tem sido reconhecida como um dos melhores lugares para se fazer negócios.”

Scott ressaltou ainda como importantes fatores de atratividade do Estado sua localização geográfica estratégica; a extensa malha multimodal de transportes; e a mão de obra qualificada e multicultural.

Mesmo sendo um dos mais famosos destinos turísticos do mundo, a Flórida ainda vê muitas possibilidades de avanço nessa área. A simplificação no processo de concessão de vistos de entrada de brasileiros nos Estados Unidos representaria importante acréscimo de viajantes, defendeu Scott.

Embora o governador seja favorável à facilitação de vistos, admite que isso não acontecerá tão cedo. “No meu entendimento, a grande dificuldade está na legislação que precisa ser alterada”, afirmou. Para ele, isso tende a não acontecer na gestão de Barack Obama.

Levantamento do guia oficial de férias Visit Florida aponta que, em 2010, os turistas brasileiros gastaram US$ 1,398 bilhão na Flórida, 78% de aumento sobre 2009. Os brasileiros são líderes de consumo no Estado americano, na frente dos ingleses, venezuelanos, mexicanos, alemães e colombianos.

Nova Economia


O governo da Flórida, com o objetivo de atrair investimentos, garante incentivos fiscais às empresas, condicionados à geração de empregos, informou Ivan Barrios, vice presidente de Desenvolvimento de Negócios da Enterprise Florida. 

“Os incentivos fiscais estão ligados ao nível de geração de empregos,  a partir da contratação mínima de dez profissionais na Flórida. Além disso,  em determinados setores, os incentivos são maiores, englobando as áras de defesa e aeroespacial; alta tecnologia; indústria de transformação;  life sciences (biotecnologia e medicamentos);  indústria naval e serviços financeiros”, explicou Barrios.

Esses incentivos, conforme Rick Scott, visam justamente aumentar a participação desses setores da chamada “Nova Economia” no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.

Amcham e governos da Flórida

O relacionamento da  Amcham com o Estado da Flórida tem sido intenso. A entidade recebeu outros governadores do Estado americano: Jeb Bush, que exerceu dois mandatos entre 1999 e 2007, e Charlie Crist, entre 2007 e 2011.

Jeb Bush participou de um café da manhã na sede da entidade em São Paulo, em abril de 2007, para discutir os desafios para incrementar a produção de etanol. Charlie Crist, por sua vez, esteve na II Expo Florida, feira de negócios promovida pelo consulado americano em novembro de 2007, no Amcham Business Center, em São Paulo.

 

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