Inovação é mais eficaz que protecionismo, segundo Departamento de Comércio dos EUA

publicado 17/09/2013 13h00, última modificação 17/09/2013 13h00
Washington – Parlamentares brasileiros também se encontraram com representantes do BID e US Chamber
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O desenvolvimento de inovação é uma forma muito mais eficaz de dar competitividade à indústria. Em diálogo com os parlamentares brasileiros que visitaram os Estados Unidos nos dias 9 e 10/9, em uma missão conduzida pela Amcham, Walter Bastian, vice-secretário adjunto do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, disse que a prioridade de seu país é fomentar tecnologias de ponta, capazes de revolucionar o mercado consumidor.

Como exemplo, Bastian disse que os empresários americanos estão trabalhando em um tecido que muda de cor sozinho, conforme variação da luz ambiente. Para o vice-secretário, o foco dos Estados Unidos não é proteger suas indústrias, mas incentivar o surgimento de novidades que farão a diferença entre os consumidores.

Trata-se de um ponto que despertou a atenção dos parlamentares brasileiros, segundo Michelle Tchernobilsky, gerente de relações governamentais da Amcham. “Eles saíram pensando em como o Brasil precisa investir em um ambiente propício à inovação para ser relevante em algum setor”, destaca a gerente.

Os políticos brasileiros estiveram no Departamento de Comércio, como parte da programação de visitas a autoridades americanas. A agenda inclui encontros com autoridades ligadas ao comércio e investimentos.

Os dois senadores que participaram da missão foram Ana Amélia (PP-RS) e Vital do Rêgo (PMDB-PB), e os deputados federais eram Mendes Thame (PSDB-SP), Cândido Vaccarezza (PT-SP), Duarte Nogueira (PSDB-SP), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hugo Napoleão (PSD-PI) e Júlio Delgado (PSB-MG).

A importância do BID como fomentador de projetos

A comitiva também visitou a sede do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), e conheceu um pouco mais sobre o papel do banco como investidor estratégico, consultor e avalista de projetos.

Os critérios do BID para financiamento de projetos estão entre os mais rigorosos do mercado, pois envolvem relevância estratégica e qualidade, um selo de garantia que acaba atraindo outros investidores. “Cada bilhão investido pelo BID alavanca outros nove bilhões”, de acordo com Michelle, e o organismo pode atuar em obras de infraestrutura em todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal).

US Business Council é a favor de mais acordos internacionais

A missão também participou de um almoço organizado pelo Brazil-US Business Council (BUSBC). O especialista em relações internacionais do BUSBC, John Murphy, falou da importância dos tratados internacionais de comércio para abrir a economia e o avanço das discussões sobre liberalização do comércio. Para ele, o Brasil está perdendo terreno no comércio mundial, enquanto os Estados Unidos estão “se mexendo”.

Braço da US Chamber of Commerce , o BUSBC reúne as maiores empresas brasileiras e americanas para debater formas de estreitar as relações de negócios entre os dois países. O US Chamber of Commerce é a maior entidade empresarial dos EUA.

Os parlamentares brasileiros questionaram como o acordo dos Estados Unidos com a União Europeia aumentaria o fluxo de comércio, uma vez que o pleito por uma redução de tarifas entre as duas regiões não era tão alta. Murphy respondeu que o mais importante não era a equalização de tarifas, mas a padronização de critérios técnicos e fitossanitários que vão facilitar ainda mais o fluxo de mercadorias.

Murphy também se disse favorável à realização de um acordo de bitributação entre os dois países.

Assim como Murphy, Bastian (Departamento de Comércio) disse entender as dificuldades do Brasil em formar acordos bilaterais de comércio com os vizinhos devido à falta de consenso da agenda sul-americana, mas isso não significa que o Brasil não deva insistir na abertura econômica. “É que temos bons vizinhos (Canadá e México), somos muito sortudos”, comentou Bastian.

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