Inteligência intercultural é fundamental para sucesso de missões internacionais

por giovanna publicado 01/02/2011 12h45, última modificação 01/02/2011 12h45
Porto Alegre – É importante saber lidar com pensamentos diferentes e entender hábitos de outras localidades para chegar a um entendimento comum, afirma consultor.
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A compreensão da cultura de um país estrangeiro é o ponto mais crítico para o êxito de missões internacionais, segundo Jaime Betts, diretor da consultoria Ethos Intercultural.  De acordo com ele, a inteligência intercultural permite reconhecer o sistema de valores de uma nacionalidade através do comportamento e das crenças das pessoas. Com isso, compreendem-se as regras sociais e de comunicação e se evitam estresse e perda de produtividade em viagens de negócios.

“O modo de dizer as coisas muda muito de uma cultura para a outra e, por isso, é importante saber lidar com pensamentos diferentes, entender como funcionam as localidades e conhecer a própria cultura para conseguir chegar a um entendimento comum sobre o que está sendo definido. O grande problema de missões comerciais é que o empresário vai a uma feira, troca materiais de divulgação e produtos, mas, quando retorna, não faz ideia de como conduzir as parcerias porque não possui inteligência cultural”, observou Betts, que participou do comitê de Comércio Exterior e Logística da Amcham-Porto Alegre na última terça-feira (25/01).

Inteligência cultural é um conceito ainda recente, que surgiu há cerca de 15 anos no mundo. Os Estados Unidos são o país que mais produz conteúdo sobre o assunto e, nos últimos tempos, também o sudeste asiático vem dedicando mais atenção ao tema. No Brasil, o processo é novidade, objeto de apenas três ou quatro obras em português. “A área que está mais enfronhada com a inteligência cultural é a da diplomacia”, explicou Betts.

Missão à China

Entre 11 e 23/04, a Amcham realizará sua 2° Missão Comercial para a China. A delegação será composta por empresas associadas à entidade e irá à 109° Canton Fair, maior feira multissetorial do mundo, e a feiras de eletrônicos, informática e automobilismo nas cidades de Hong Kong e Xangai. Os participantes também participarão de workshops, visitas técnicas e encontros de matchmaking.

Aos futuros integrantes do grupo, Betts lembra que os chineses têm regras próprias de comunicação que precisam ser observadas. “No Brasil, utilizamos o modelo americano, muito mais direto e objetivo. O chinês não responde ‘não’ de cara. Ele conta uma história, fala de forma indireta e, a partir daí, temos de entender”, disse.

Betts alerta também para o fato de que, do ponto de vista do ocidental, não é preciso ter um bom relacionamento pessoal para se fazer negócios; já para os orientais, se não houver essa relação, não se fecham parcerias. Há que se lembrar ainda que a China tem uma cultura milenar.

“O Ocidente já enxerga um mercado potencial de consumidores de 1,5 bilhão de pessoas na China e quer fazer parte desse meio. Porém, ainda está despreparado, assim como os chineses, para  entender o modo de fazer negócios de cada diferente cultura. Isso vale para todos os países”, finalizou Betts.

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