Internacionalização das empresas brasileiras tem apoio do governo e entidades privadas

publicado 29/08/2014 12h16, última modificação 29/08/2014 12h16
São Paulo – Para Apex-Brasil e ABF, companhias têm alto potencial para conquistar mercados de fora
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Durante o evento que a SelectUSA, agência federal de promoção comercial dos Estados Unidos, realizou na Amcham – São Paulo na quarta-feira (27/08), a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a ABF (Associação Brasileira de Franchising) disseram que o Brasil precisa aumentar o grau de inserção na economia mundial.

“Somos um segmento que cresce dois dígitos há dez anos e queremos fazer negócios nos Estados Unidos. O potencial de crescimento de nossas marcas é muito grande, e acreditamos na vocação exportadora do franchising”, disse Cristina Franco, presidente da ABF.

Cristina disse que as franquias brasileiras faturaram R$ 115 bilhões em 2013, o que corresponde a 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). “De acordo com a consultoria World Franchising Consult, somos o terceiro país em número de marcas e o sexto em unidades. É uma indústria que tem credibilidade para alçar vôos maiores”, argumenta a dirigente.

Maurício Borges, presidente da Apex-Brasil, disse que a entidade pode ajudar as empresas brasileiras com consultoria de mercado e contatos comerciais. “Temos acesso a vários bancos de dados do mundo para exportação e importação. Podemos ajudar as empresas a localizar mercados para seus produtos e também as regiões de maior potencial”, de acordo com Borges.

Chilli Beans

Duas das empresas brasileiras de maior sucesso no exterior, a Chilli Beans e a JBS, foram convidadas para contar suas experiências no mercado americano. A marca Chilli Beans, do ex-roqueiro Caíto Maia, conquistou a América com óculos e relógios inspirados em temas nacionais, como o futebol e a superstição popular.

O uso de quiosques dentro de shopping centers permitiu a experimentação do produto, uma estratégia que se revelou acertada. “Tenho quiosques de sete metros quadrados que faturam cerca de R$ 300 mil por mês. Além disso, meu índice de perdas e furtos é menos de 1%”, comenta.

Nos Estados Unidos, a estratégia teve de ser mudada. O consumidor americano não está acostumado a comprar em quiosques, por isso foi necessário montar lojas. Depois de alguns anos, as lojas americanas começam a dar lucro, de acordo com Maia. O sucesso nos EUA e a entrada de um novo sócio, o Gávea Investimentos, motivam Caíto a dobrar de tamanho nos próximos anos. “Em cinco anos, quero ter 1.200 lojas pelo mundo”, disse. Atualmente, a Chilli Beans tem 600.

JBS

A janela de oportunidades aberta pela crise de 2008 nos Estados Unidos fez com que o frigorífico JBS iniciasse nessa época seu processo de internacionalização, conta Henrique Meirelles, presidente do Conselho Consultivo da J&S, holding que controla o grupo.

Capitalizada em 2007 por um bem-sucedido programa de abertura de capital, a JBS entrou no mercado americano por meio da aquisição do frigorífico Swift na mesma época. Nos anos seguintes, comprou a marca de aves Pilgrim’s Pride nos EUA e, posteriormente as operações da concorrente Tyson Foods na América Latina, consolidando a posição de maior frigorífico do mundo.

Para Meirelles, mais companhias brasileiras vão se internacionalizar. “O crescimento menor da nossa economia é um driver para a busca de melhores oportunidades no exterior. A inserção global é fundamental para qualquer país, como se pode atestar pelo sucesso dos países asiáticos que, em dado momento, se lançaram para o mundo.”

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