Mais empregos e exportações seriam gerados com a redução de entraves, segundo Embraer e GE

publicado 25/04/2017 10h37, última modificação 25/04/2017 15h56
São Paulo – Esforços do governo facilitaram exportações, mas é preciso insistir em medidas de longo prazo
Caminhos para Alavancar o Comércio Exterior Brasileiro

Gilberto Peralta, da GE (de microfone), e José Serrador, da Embraer (1º à esq.): cadeia produtiva interna precisa melhorar para o Brasil ganhar mercados

Grandes empresas, como Embraer e General Electric (GE), teriam condições de empregar e exportar mais se o custo Brasil [conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no país] fosse diminuído. Essas foram algumas das opiniões de Gilberto Peralta, presidente e CEO da General Electric (GE) do Brasil, e José Serrador, diretor de relações externas da Embraer, sobre o ambiente exportador brasileiro, no seminário ‘Caminhos para Alavancar o Comércio Exterior Brasileiro’ da Amcham – São Paulo, na terça-feira (18/4).

Empresariado, governo e instituições de fomento foram representados no debate pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e Fazenda, Receita Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

“Não adianta fazer promoção comercial se o Brasil não acertar a cadeia produtiva interna. Estou falando dos impostos, logística e procedimentos burocráticos daqui. Temos que baixar esses custos melhorando toda a cadeia produtiva, toda a estrutura brasileira”, segundo Peralta.

No Brasil, a GE é a quarta maior exportadora brasileira, liderada por sua operação de revisão e montagem de motores de aviação. Que, posteriormente, seguem para outros países. Peralta ressalta que a operação é altamente qualificada e foi ampliada depois da adesão à Linha Azul – regime de facilitação aduaneira da Receita Federal – a partir de 2003, e do Portal Único de Comércio Exterior, que diminuiu processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro. “Exportamos 500 motores no ano passado, o que gerou um faturamento de 2,2 bilhões de dólares”, revela o executivo.

Se as condições burocráticas e logísticas melhorarem, será possível contratar e exportar mais. “A melhoria do processo burocrático é um bom exemplo do que pode ser feito no país para melhorar as exportações. Quando isso melhora, a iniciativa privada responde”, ressalta o executivo. Facilitar processos gera resultados de curto prazo, mas Peralta defende a necessidade de modernizar a infraestrutura logística em longo prazo.

Para Serrador, da Embraer, se o governo criar condições favoráveis de investimentos, haveria maior desenvolvimento da indústria aeronáutica. Como exemplo, mais peças de aviões poderiam ser fabricadas por aqui. De acordo com o executivo, 56% da cadeia de fornecedores é baseada nos EUA. “Temos só 18% deles no Brasil, o que traz um desafio de adensamento enorme”, constata.

O México, que conseguiu adensar sua cadeia aeronáutica, tem a mesma quantidade de empregos que o Brasil sem fabricar um único avião. “Eles só fazem partes e componentes. Mas isso é um bom exemplo do potencial de emprego e renda criados com uma atuação coordenada de governo”, compara Serrador.

MDIC e CNI

Para eliminar barreiras à exportação, o governo investe no Portal Único e o Comitê Nacional de Facilitação do Comércio Exterior (Confac), afirma Flávio Augusto Trevisan Scorza, diretor de Competitividade no Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do MDIC.

A iniciativa foi criada para coordenar todos os órgãos governamentais envolvidos no comércio exterior e assim facilitar a aplicação de medidas de simplificação e redução da burocracia nas importações e exportações. Além disso, o Confac reunirá representantes do governo e da iniciativa privada para definir medidas de facilitação. “O principal aspecto do comitê é o espaço de diálogo entre governo e setor privado para identificar problemas e desenvolver soluções conjuntas”, segundo Scorza.

Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, reconhece os esforços do governo em trabalhar com a iniciativa privada para desenvolvimento do comércio exterior, mas disse que é possível fazer mais. Abijaodi se disse favorável à criação de um módulo de coleta unificada de todos os impostos que o exportador ou importador tem que pagar no processo, dentro do Portal Único.

“Trabalhamos hoje para rastrear todos os impostos, taxas e contribuições aplicadas pelos órgãos anuentes nas operações de comércio exterior. A partir daí, tentaremos fazer revisão no sistema de arrecadação e fazer um sistema de coleta concentrado, que vai ajudar o Portal Único”, detalha.