MDIC: meta de exportações de US$ 228 bi em 2011 segue factível

por daniela publicado 25/03/2011 15h19, última modificação 25/03/2011 15h19
Daniela Rocha
São Paulo - Para nova secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, perspectivas ao País são positivas; porém, conflitos na África e no Oriente Médio, assim como reflexos do tsunami no Japão são monitorados.
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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) continua trabalhando com a meta de exportações de US$ 228 bilhões em 2011, o que significa 13% a mais do que o registrado no ano passado.

Na avaliação da nova secretária de Comércio Exterior (Secex), Tatiana Prazeres, o resultado de janeiro até a terceira semana de março, que representa um superávit da balança comercial de US$ 2,362 bilhões, já demonstra que será possível atingir tal potencial. No acumulado do ano, as exportações alcançaram US$ 42,857 bilhões, um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2010; e as importações chegaram a US$ 40,495 bilhões, 22,8% superiores, na mesma base de comparação.

A secretária destacou que, até o momento, os conflitos políticos na África e no Oriente Médio, assim como os reflexos do tsunami no Japão não representaram impacto relevante nas vendas externas brasileiras - fatos que estão em monitoramento da Secex.

“O ano de 2011 começou muito bem para as exportações do Brasil, que aproveita principalmente a alta dos preços das commodities no cenário internacional, o que inclui produtos como petróleo, soja, carnes e café, entre outros. Em linhas gerais, as análises desse período inicial do ano são positivas e podemos considerar que atingiremos a meta de exportações US$ 228 bilhões. Porém, o governo permanecerá atento, monitorando movimentos da economia internacional”, explicou Tatiana, que participou nesta sexta-feira (25/03) do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo.

Na Líbia, segundo a secretária, ainda há problemas significativos para a entrada de produtos brasileiros. No Egito, havia preocupação com o setor de carnes brasileiros, mas não “houve maiores desgastes”. A Secex está atenta também à situação na Tunísia, ainda sem repercussões tão negativas ao comércio exterior brasileiro. 


Quanto ao Japão, os portos que recebem as exportações brasileiras não foram afetados. “Estamos atentos aos desdobramentos do tsunami, verificando ainda as formas, os setores brasileiros que poderão contribuir para a reconstrução do país. Além disso, lembro que o Brasil depende muito de componentes importados do Japão.” A grande incerteza ainda é relativa ao risco nuclear japonês, se houver maior alastramento da contaminação.

No radar

O Mercosul completa 20 anos neste sábado (26/03) e, segundo a secretária, o bloco tem trazido muitos benefícios so Brasil. Apesar das dificuldades enfrentadas para certas negociações, é preciso avançar em diversos instrumentos de facilitação de comércio. “A corrente de comércio na região cresceu fortemente em 2010, sendo que as exportações brasileiras subiram 43% em relação a 2009,  com 93% de produtos industrializados. As vendas brasileiras para o mundo subiram 26%, o que mostra a importância do Mercosul”, enfatizou.

Os Estados Unidos também terão tratamento prioritário pelo governo. A ideia é recuperar o espaço que o Brasil perdeu nos últimos anos, sobretudo com a crise financeira de 2008 e seus reflexos.  Segundo a secretária, esse é um desafio porque o mercado americano é maduro, não apresenta crescimento no ritmo de muitos emergentes. A Secex trabalhará para diversificar a entrada de produtos brasileiros porque hoje a pauta está muito concentrada em poucos itens.

 

A secretária comentou que a visita do presidente Barack Obama ao Brasil foi positiva e a assinatura do Tratado de Cooperação Econômica e Comercial (Teca) trará ganhos a ambos os países.“ O governo apoiará a assinatura de um tratado para evitar a bitributação entre os dois países para dinamizar as exportações e o comércio intra firmas”, acrescentou.

Em relação à China, hoje o maior parceiro comercial do País, o foco será trabalhar em novas oportunidades de negócios e na eliminação de barreiras sanitárias. Estes serão inclusive temas abordados na viagem que a presidente Dilma fará no mês de abril, quando terá reunião com o presidente chinês, Hu Hintao.

Políticas

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou na Amcham as políticas do governo federal voltadas ao incremento das exportações brasileiras neste ano:

• Política de Desenvolvimento Produtivo 2 (PDP2) - Consistirá basicamente em instrumentos e investimentos voltados à inovação para ampliar a competitividade da indústria brasileira no cenário global. As medidas deverão ser anunciadas em abril.

• Defesa Comercial - Fortalecimento de mecanismos e criação de novos instrumentos para combater as importações ilegais e desleais.

• Promoção Comercial – Nessa gestão, o MDIC tem alinhamento institucional favorecido com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o que beneficiará a exposição de bens e produtos brasileiros no exterior.

 Desburocratização e facilitação de comércio- A Secex se aproximará mais do setor privado para receber sugestões e aperfeiçoar o ambiente de negócios. Na secretaria, está sendo resgatado um grupo para trabalhar a facilitação. Por sua vez, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) também prosseguirá com suas atividades nesse sentido.

• Desoneração- O governo federal tem intenção de desonerar a folha de pagamentos e modificar as regras do Simples (tratamento tributário diferenciado para pequenas empresas). Hoje, o faturamento das exportações é computado, fazendo com que, muitas vezes as empresas percam o benefício. A ideia é que o faturamento das exportações não seja computado e que as companhias continuem recebendo o benefício. O problema é que hoje as exportações fazem muitas delas extrapolarem o teto previsto no sistema, perdendo o incentivo.


• Negociações internacionais – As principais são as tratativas para que se chegue à união aduaneira do Mercosul e a aproximação do bloco com a União Europeia. Além disso, o Brasil tem intenção de assinar um acordo estratégico de integração econômica com o México. A Rodada Doha de liberalização do comércio mundial também está em pauta, embora, conforme a secretária, seja cedo para saber se haverá avanços ao longo deste ano.

 Amcham

O CEO da Amcham, Gabriel Rico, entregou para a nova secretária de Comércio Exterior durante a reunião dois documentos com contribuições da entidade. O primeiro,  uma proposta do que seria um tratado efetivo, na perspectiva da iniciativa privada, para evitar a dupla tributação entre Brasil e Estados Unidos (Bilateral Tax Treaty - BTT). O segundo, um conjunto de 20 sugestões para aperfeiçoar a competitividade do País. São ações para resolver o déficit de mão de obra técnica, deficiências de infraestrutura, excesso de burocracia e baixa eficiência do Estado, resultantes do projeto “Competitividade Brasil – Custo de Transação”, iniciado em 2010 e com continuidade ao longo desse ano.

Outro documento da Amcham foi encaminhado a Tatiana Prazeres no início da semana, trazendo um conjunto de proposições para a melhoria dos serviços governamentais para exportação em portos e terminais, projeto conduzido por meio do comitê de Logística da Exportação da entidade em São Paulo.

Sobre a nova secretária

Tatiana Lacerda Prazeres, a nova secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), é servidora pública de carreira e analista de comércio exterior. Ela assumiu o cargo em substituição a Welber Barral. Sua nomeação foi publicada em 24/01 no Diário Oficial da União.


Tatiana trabalhou como gerente da área internacional da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Foi consultora de Relações Internacionais da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e funcionária da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra.

Ela é bacharel em Direito (UFSC) e em Relações Internacionais (Univali-SC), mestre em Direito Internacional (UFSC) e doutora em Relações Internacionais (UnB e Universidade de Georgetown, EUA).

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