Michigan oferece chance de participar do maior fluxo comercial do planeta

por andre_inohara — publicado 24/05/2013 14h41, última modificação 24/05/2013 14h41
São Paulo – Corrente comercial EUA-Canadá movimentou US$ 617 bi em 2012, atrás apenas da China: US$ 536 bi
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Localizado na região dos Grandes Lagos (EUA), o Estado de Michigan abriga indústrias diversificadas e possui uma movimentada relação com o Canadá, o maior parceiro comercial dos americanos. O dinamismo econômico da região é um dos motivos que justificam as empresas brasileiras realizarem mais negócios por lá, disse o vice-governador de Michigan, Brian Calley.

“Somos uma entrada para a América do Norte, com acesso aos mercados dos EUA e Canadá”, afirma Calley, que esteve no Brasil na primeira quinzena de maio, chefiando uma missão comercial para fomentar parcerias bilaterais.

Michigan faz fronteira com o Canadá, o que torna o Estado uma passagem obrigatória de comércio bilateral. Dados do US Census Bureau de 2012 apontam que o Canadá é o maior parceiro comercial dos EUA, sendo responsável por uma corrente de comércio (exportações mais importações) de US$ 617 bilhões. A China, segunda maior parceira dos EUA, movimentou US$ 536 bilhões.

Em 15/5, Calley se reuniu com representantes do setor privado na Amcham-São Paulo e participou do lançamento da edição impressa do Michigan Highlights, guia de negócios contendo informações econômicas a respeito do Estado, e voltado a investidores.

Michigan Highlights integra a série States Highlights da Amcham, e foi feito em parceria com a  MEDC (Michigan Economic Development Corporation), agência de desenvolvimento econômico do Estado.

Além do fluxo constante de comércio, o Estado promoveu algumas reformas estruturais. “Quando consideramos nossa competitividade, é preciso levar em conta o ambiente regulatório, tributário e a força de trabalho de Michigan. Todas essas coisas, juntas, criam oportunidades para as companhias brasileiras estarem em Michigan e fazer parte desses avanços”, acrescenta o vice-governador.

Leia mais: Michigan, estado berço da indústria automobilística dos EUA, quer atrair empresas brasileiras

Veja abaixo a entrevista de Calley ao site da Amcham:

Amcham: O senhor esteve no México e agora veio a São Paulo. Quais os objetivos de sua viagem à America Latina?

Brian Calley: Adoraríamos contar a história de Michigan e o que está acontecendo em nosso Estado. Temos uma base industrial avançada, com alta concentração de cientistas e engenheiros que estão fazendo coisas incríveis. Mas ultimamente temos que competir ao redor do mundo, então precisamos de parcerias nas mais importantes regiões do mundo. Procuramos estabelecer relacionamentos de negócios com grandes, pequenas e médias companhias. Queremos intensificar as parcerias entre as Américas.

Amcham: Que atrativos o Estado de Michigan oferece às empresas brasileiras?

Brian Calley: Para as companhias brasileiras que gostariam de estar perto das principais firmas automotivas na América do Norte, Michigan é o lugar. Mas as parcerias entre nossas duas regiões fazem sentido. Somos uma entrada para a América do Norte, com acesso aos mercados dos EUA e Canadá. E fizemos uma reforma tributária estadual para a pessoa jurídica, que reduziu em 86% o valor dos impostos. Também promovemos reformas trabalhistas e regulatórias que tornaram Michigan um lugar mais atrativo para negócios.

Amcham: Há algum setor em especial que Michigan procura?

Brian Calley: Existe uma cadeia de suprimentos na América do Norte que passa pela América do Sul, a respeito das indústrias automotiva e aeroespacial. As parcerias nessas áreas e através dos continentes nos tornarão mais fortes. É claro que automotivo é o maior setor, mas há muitas oportunidades dentro do setor fabril, engenharia química, moveleiro, farmacêutica e alimentos. Também estamos começando o processo de fabricação de helicópteros e outras aeronaves no segmento de defesa.

Amcham: Como melhorar a balança comercial Brasil – Michigan?

Brian Calley: O Brasil é um dos nossos dez principais parceiros no mundo. Isso não é surpresa, se consideramos a dinâmica desse mercado. Quando você vê trinta milhões de pessoas ascendendo para a classe média nos últimos dez anos, é como se tivesse surgido um novo país. Isso representa grandes oportunidades, e também alguns desafios. É por isso que achamos que a parceria entre nossas duas nações podem ser aprofundadas.

Amcham: A indústria automotiva foi uma das principais responsáveis pelo avanço do PIB americano no primeiro trimestre. O que explica tanta eficiência?

Brian Calley: Como no resto do mundo, enfrentamos tempos difíceis desde 2008. O crescimento do PIB tem aumentado nos EUA e mais ainda em Michigan, o que se deve em grande parte pela competitividade da indústria manufatureira. O setor automotivo foi um dos responsáveis pela melhora, assim como varias outras indústrias. Quando consideramos nossa competitividade, é preciso levar em conta o ambiente regulatório, tributário e a força de trabalho de Michigan. Todas essas coisas, juntas, criam oportunidades para as companhias brasileiras estarem em Michigan e fazer parte desses avanços.

Amcham: Em que pese a boa situação da indústria, a cidade de Detroit – sede das grandes fabricantes de veículos – está com dificuldades fiscais. O que o governo estadual está fazendo para ajudar a cidade?

Brian Calley: No Estado de Michigan, temos dez milhões de pessoas e cerca de 500 mil vivem em Detroit. Particularmente, a cidade tem tido dificuldades ao longo da última década e o estado de Michigan nomeou agora um gestor financeiro que conduzirá o processo de saneamento das finanças. Considerando o Estado como um todo, temos experimentado um grande crescimento nos últimos anos, tanto que tivemos um dos dez maiores crescimentos do PIB dos EUA. Ao mesmo tempo, há certas áreas em que precisamos nos dedicar mais e a cidade de Detroit é uma delas.

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