Na CBN, Gabriel Rico fala das perspectivas de uma parceria estratégica com os EUA

publicado 10/09/2013 09h46, última modificação 10/09/2013 09h46
São Paulo – CEO da Amcham acompanha, nos EUA, as discussões acompanhado por oito parlamentares brasileiros
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Um Projeto de Lei que tramita no Congresso dos Estados Unidos prevê o estabelecimento de uma parceria estratégica com o Brasil, o que significaria que as discussões bilaterais seriam tratadas no mais alto nível de relacionamento e daria alta visibilidade ao País.

“Se essa lei foi aprovada no Congresso americano, todos os acordos e diálogos bilaterais seriam reportados diretamente à Presidência dos EUA, e o Congresso teria que acompanhar essas relações de forma oficial, contínua e transparente”, disse o CEO da Amcham, Gabriel Rico, em entrevista na terça-feira (10/9) ao jornalista Milton Jung, da Rádio CBN.

Rico está nos EUA acompanhando as discussões com oito parlamentares brasileiros e seus colegas americanos. Além disso, o CEO da Amcham considera que os dois países estão fazendo um “grande esforço” para concretizar a visita da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos em outubro.

Veja abaixo a entrevista de Rico:

CBN: O que significa ser um parceiro estratégico?

Gabriel Rico: Esse status foi concedido pelos EUA apenas à China, o que significa a sua importância como a segunda potência econômica do mundo. Se o Brasil tivesse, se essa lei for aprovada no congresso americano, significa que todos os acordos e diálogos bilaterais seriam sempre reportados diretamente ao nível da Presidência dos EUA, e o Congresso teria que acompanhar essas relações de forma oficial, continua e transparente. O Brasil teria alta visibilidade dentro do Executivo e Legislativo americanos.

CBN: E do ponto de vista dos acordos comerciais, o que poderíamos esperar com a aprovação do projeto?

GR: Atingindo esse nível, teríamos a perspectiva do aumento de investimentos, fluxo de comércio e outros benefícios da relação, que também passam pela interação maior na área da educação, com projetos que aumentariam o fluxo de brasileiros nos EUA e vice-versa. É algo bastante importante para o Brasil, entretanto essa é uma iniciativa do Congresso (dos EUA), de um deputado que vai apresentar o projeto de lei entre hoje e amanhã, e estamos trazendo o apoio de oito parlamentares brasileiros que vão se inteirar do projeto. É um momento de interação maior entre o legislativo brasileiro e americano, e de alguma forma prepara o caminho positivo para a provável visita da presidenta Dilma em outubro.

CBN: Como as denuncias de espionagem dos EUA no Brasil prejudica o andamento do projeto?

GR: Temos um momento delicado no campo diplomático e político, mas as relações comerciais continuam intensas. É um fluxo de comércio de mais de US$ 70 bilhões por ano, o nível nunca esteve tão alto. Viemos para os EUA de varias regiões do Brasil, com vôos lotados. O fluxo de turismo continua intenso e os negócios estão acelerados. O meio empresarial objetiva que esse fluxo seja cada vez mais forte. Há boa vontade, percebemos em todas as áreas de governo que visitamos ontem (9/9), e não foram poucas, que o assunto seja resolvido e há otimismo para que aconteça.

CBN: Não há um constrangimento em relação às noticias divulgadas recentemente?

GR: Não foi o que apareceu nas reuniões que tivemos ontem. Estivemos no BID (Banco interamericano de Desenvolvimento), falando dos projetos de investimento no Brasil sobre várias áreas. Estivemos no Departamento de Comércio, e inclusive no de Estado, que cuida da política. Claro que eles sabem que é um momento delicado, mas vemos grande esforço para superar esse incidente. Fomos recebidos pelo embaixador de manhã, e tínhamos mais de 150 pessoas em clima de otimismo para que a visita aconteça. Não tenho certeza, mas há grande esforço de ambas as partes e a questão do embaraço diplomático seja superada.

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