No Senado, Amcham defende relação com EUA e novos acordos de comércio

publicado 04/04/2014 10h55, última modificação 04/04/2014 10h55
Brasília – O CEO da Amcham, Gabriel Rico, apresentou seus pontos de vista em reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado
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No Senado Federal, o CEO da Amcham, Gabriel Rico, ressaltou a importância dos EUA como parceiro comercial e estratégico. “É a única relação que nos insere na cadeia global de valor”, disse, durante a audiência pública realizada na quinta-feira (3/4), pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal.

Rico menciona que há 6,3 mil empresas brasileiras que comerciam com os EUA. “É uma relação de capilaridade que fertiliza a economia brasileira como nenhum outro país. Como se isso não bastasse, da pauta de exportação, 72% das vendas brasileiras aos Estados Unidos são de manufaturados ou semi-manufaturados”, destaca.

A espionagem americana de autoridades e empresas brasileiras em 2013 tumultuou as relações entre os governos do Brasil e Estados Unidos, mas o episódio tem que ser superado em prol do avanço das relações políticas e comerciais entre os dois países. “Estou certo que será possível encontrar o caminho para redinamizar a agenda bilateral, dentro do respeito mútuo e confiança restaurada”, defende o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal.

Para falar sobre o futuro do relacionamento bilateral, Ferraço convocou na quinta-feira (3/4) uma audiência pública no Senado com a participação da Amcham, o Instituto Brasil do Centro Internacional Woodrow Wilson e o Ministério das Relações Exteriores.

Sete senadores assistiram à audiência, entre eles: Ana Amélia (PP-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Aníbal Diniz (PT-AC), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Cyro Miranda (PSDB-GO) e Jayme Campos (DEM-MT). A sessão também contou com a presença de Todd C. Chapman, ministro conselheiro da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. 

Lamentável episódio

Ferraço considerou o incidente da espionagem como “lamentável”, mas que “já repercutiu o bastante, tanto interna como externamente”. Ele serviu para que o Congresso tomasse providências para evitar novos casos de espionagem, o que inclui propostas para formulação de políticas de defesa cibernética.

“Estamos prestes a concluir um trabalho na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado, que está avaliando toda essa questão. Nosso relatório poderá contribuir para fortalecer o aparato da segurança cibernética brasileira, evitando a repetição do grave problema”, revela o parlamentar.

A importância do comércio Brasil – EUA

O mercado consumidor americano é muito exigente, e somente os melhores se estabelecem – exigindo das empresas um nível elevado de profissionalização. “Sem preço e qualidade, é muito difícil entrar. As 6,3 mil empresas têm que se esforçar muito para ter acesso a esse mercado”, ressalta Rico.

Em contrapartida, Rico lembra que o estoque de investimentos americanos no Brasil é de US$ 136 bilhões. “Isso ajuda a fomentar o comércio entre companhias brasileiras e americanas.”

A reconstrução do relacionamento

Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Centro Internacional Woodrow Wilson, disse que as relações bilaterais entre os governos brasileiro e americano estão se reconstruindo depois do escândalo de espionagem, sinalizado pela visita ao Brasil de dois representantes do primeiro escalão do governo americano em março: o Secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, e a Secretária de Estado Adjunta para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson.

“A visita de Lew é um sinal da Casa Branca de que ela compreende a preocupação manifestada em público sobre os prejuízos que a revelação das atividades da NSA [sigla em inglês da Agência de Segurança Nacional, responsável pela espionagem americana] e o adiamento da visita da presidente Dilma (em outubro de 2013) causaram e continuam a causar nos negócios. Em função dos incidentes, foram perdidos US$ 6,5 bilhões em negócios”, comenta Sotero.

Apesar do mal estar, iniciativas políticas estão sendo feitas para reaproximar os dois países. “O desejo de retomada do diálogo esteve presente mesmo em questões derivadas à espionagem. O governo americano aceitou o convite do Brasil de participar do comitê de coordenação da conferência internacional sobre governança da internet em São Paulo, que será em abril”, exemplifica.

De sua parte, o Ministério das Relações Exteriores afirma estar se empenhando para elevar o grau de relacionamento com os Estados Unidos. “É uma relação que deve ser de iguais”, pontua o embaixador Carlos da Rocha Paranhos, Subsecretário-geral Político do MRE.

O embaixador defendeu que os negócios com os Estados Unidos sejam aumentados. “Os EUA continuam sendo o alvo principal de promoções comerciais do Brasil.”

Senadores comentam relação bilateral

“É de grande importância a proposta lançada pela Amcham de negociação de um acordo de livre comércio entre Brasil e Estados Unidos. Os EUA são um parceiro de primeira hora, e o governo brasileiro não deve ficar distante dessa parceria.” (Cyro Miranda/PSDB-GO)

“Do ponto de vista econômico, os dois países estão condenados, no bom sentido, a uma parceria cada vez mais intensa. Para facilitar ainda mais, é preciso desamarrar entraves burocráticos, questões legislativas e segurança jurídica.” (Ana Amélia/PP-RS)

“O Brasil tem uma relação de US$ 60 bilhões ao ano com os EUA. Tudo que vendemos para o mercado norte-americano representa apenas 1% do total de compras externas do país. A relação é amplamente favorável ao crescimento recíproco.” (Aníbal Diniz/PT-AC)

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