Nova tarifa do aço nos EUA é um “retrocesso”, diz Roberto Giannetti da Fonseca

publicado 05/03/2018 15h15, última modificação 05/03/2018 16h07
São Paulo – Para consultor da Kaduna, onda de protecionismo “vira o mundo do avesso”
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Roberto Giannetti da Fonseca (Kaduna Consultoria): Nenhum país rico se desenvolveu sem aumentar o seu comércio exterior

Os Estados Unidos estão dando um passo para trás ao aumentar as tarifas de importação do aço e do alumínio, de acordo com o economista Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da consultoria Kaduna. “Acho que isso é um retrocesso a uma situação de neoprotecionismo que pode criar consequências para todos os países do mundo, inclusive o Brasil”, assinala, no webinar de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo na segunda-feira (5/3).

Uma delas, a volta do protecionismo no mundo, deve ter efeitos na eleição presidencial de outubro. “No momento em que pensamos que o Brasil precisa se abrir e se tornar mais competitivo, e acho que esse discurso vai prevalecer muito nessa campanha, o mundo vira do avesso”, lamenta.

O discurso de abertura internacional já começava a ser defendido pelos partidos, observa o economista. “Pelo menos alguns partidos políticos, como o próprio PSDB que participo, tem pensamento de fazer abertura mais agressiva e necessária para integrar a economia brasileira às cadeias globais de produção.”

Alegando razões de segurança nacional e revitalização da economia americana, o presidente  Donald Trump anunciou no dia 1º de março que aumentaria em 25% a importação de aço e 10% para o alumínio comprado de vários países.

Para Giannetti, o que os EUA estão fazendo é voltar ao passado. “Parece que estamos voltando à década de 1980, 1990, quando se tomavam essas medidas de proteção comercial sem medir as consequências”, acrescenta.

Efeitos da medida para o Brasil e o mundo

A nova tarifa trará consequências negativas para o comércio mundial. “Acho que é uma irresponsabilidade o que está havendo hoje, especialmente nessa nova tarifa sobre aço e alumínio. Vai ser um agravante na economia mundial, as retaliações reciprocas vão começar a acontecer e onde isso pode parar ninguém sabe com certeza”, afirma o economista.

Já o Brasil deve acompanhar com cautela o desenrolar da situação. “Temos que observar o que os outros países vão fazer. Não devemos de forma nenhuma ser o primeiro país a liderar protestos”, argumenta.

De acordo com Giannetti, a nova tarifa do aço deve fazer o Brasil perder de 1,5 bilhão a dois bilhões de dólares em exportações. “É um volume importante para o setor de aço, mas não é grande para o total da economia. Além disso, esse montante exportador pode ser direcionado a outros mercados.”

Independente da medida americana, Giannetti defende políticas de estado para aumentar o fluxo de comércio internacional e a competitividade. Nenhum país emergente se desenvolveu sem passar por um surto de exportação de comércio exterior. Nesse contexto, a produtividade é elemento central para gerar emprego e renda, argumenta. “A exportação gera muito emprego e permeia toda a economia de serviços. Se ela gera emprego, porque não estimula-la?”, indaga.

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