Pesquisa Amcham: 93% dos empresários querem acordos de comércio, investimentos e bitributação com EUA

publicado 02/12/2019 17h34, última modificação 02/12/2019 17h34
Brasil – Questionados sobre as expectativas para o CEO Fórum Brasil-Estados Unidos em Washington, empresários citaram diálogo por Comércio e Investimentos
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Foto: Rafael Cerqueira/Unsplash

É predominante o desejo do empresariado brasileiro por acordos sobre comércio e investimentos e para evitar a bitributação com os Estados Unidos. Em pesquisa inédita realizada pela Amcham, direcionada a 85 CEOs e executivos brasileiros com negócios ou interesses nos Estados Unidos, 93% deles responderam que os acordos bilaterais são essenciais para aprofundar o comércio e os investimentos entre os dois países.

No levantamento feito entre os dias 19 e 26 de novembro, 37,7% apontaram a negociação de um acordo de comércio como a medida prioritária para o setor empresarial. Outros instrumentos relevantes indicados foram a negociação de um acordo de investimentos (28,2%) e de um acordo para evitar a bitributação (27,1%).

Os resultados da pesquisa estão alinhados ao sentimento geral dos empresários e autoridades que estiveram na 10ª reunião do CEO Fórum Brasil-Estados Unidos, que aconteceu em Washington nos dias 25 e 26/11. Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, que tem acompanhado os trabalhos do Grupo e esteve em Washington observou um clima muito produtivo entre os presentes.

“Sentimos um alto engajamento dos setores empresariais e dos governos dos dois países para fazer essa relação avançar”, afirma a CEO da Amcham. Ela explica que “o objetivo de longo prazo do setor empresarial é que o Brasil e os Estados Unidos possam adotar medidas com resultados comerciais no curto prazo e que, ao mesmo tempo, contribuam para avançar em direção a um acordo de livre comércio no futuro. Isso será importante para estimular o comércio e o investimento entre os dois países”.

Saiba o que aconteceu no mais recente encontro do CEO Fórum Brasil-Estados Unidos.

A EXPECTATIVA DO CEO FÓRUM BRASIL-EUA

A retomada das atividades do Fórum de Altos Executivos Brasil-Estados Unidos, também conhecido como CEO Forum, foi anunciada em março, como parte dos compromissos firmados durante a visita do Presidente Jair Bolsonaro a Washington.  A 10ª reunião do Fórum de CEOs aconteceu nesta segunda, ocasião em que os executivos que integram o Grupo apresentaram recomendações conjuntas aos dois governos sobre como aprofundar os laços comerciais e de investimentos entre Brasil e Estados Unidos.

Ao serem consultados sobre as expectativas em torno do CEO Forum, os empresários brasileiros que participaram na pesquisa da Amcham indicaram que os trabalhos do Grupo deveriam priorizar as áreas de comércio (31,8%), investimentos (25,9%) e tecnologia e telecomunicações (10,6%).

A CEO da Amcham comentou que as propostas apresentadas pelo CEO Forum se concentraram em quatro áreas: comércio, tributação e reformas; infraestrutura; telecomunicações e tecnologia; e saúde e capacitação de mão de obra. “As recomendações do Grupo permearam esses quatro grandes eixos. Elas abrangem medidas de curto e médio prazo a serem implementadas pelos governos, com apoio e participação do setor privado”, comenta.

GLOBAL ENTRY

Para 57,7% dos respondentes, a participação do Brasil no Programa Global Entry, que facilita a entrada de visitantes em território norte americano, irá gerar oportunidades e impactos positivos para as empresas brasileiras. Desse total, 63,3% considera que a entrada do Brasil no Programa será importante principalmente para prospectar novas oportunidades. Já os restantes 36,7% responderam que a medida favoreceria os negócios atuais.

Uma parcela de 12,9% dos empresários indicaram que, mesmo que a medida não afete sua empresa, pretende utiliza-la para viagens particulares.

O primeiro passo para a entrada do Brasil no Programa foi anunciado durante a reunião do CEO Forum deste semana, estando inicialmente restrita aos executivos que integram o grupo. Deborah Vieitas, CEO da Amcham, entende que o Global Entry é um passo importante para fomentar negócios e investimentos entre Brasil e Estados Unidos e que é fundamental que o governo brasileiro estenda rapidamente o Programa para todos os demais interessados. Apenas em 2018, cerca de 2,2 milhões de brasileiros visitaram os Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Comércio daquele país.

A plena participação do Brasil no Global Entry é uma das dez propostas para uma parceria mais ambiciosa entre Brasil e Estados Unidos, lançada pela Amcham neste ano. Os participantes do programa têm que cumprir pré-requisitos de qualificação e ser considerados viajantes de baixo risco. Eles não estão isentos da exigência de visto, mas terão sua entrada facilitada no momento da chegada aos Estados Unidos. Saiba mais aqui.

REAPROXIMAÇÃO

Questionados sobre o balanço da reaproximação entre Brasil e Estados Unidos após cerca de 250 dias desde o primeiro encontro entre os presidentes Trump e Bolsonaro, um terço (32,9%) considerou que o principal resultado foi político, em razão da maior convergência entre as posições e contatos institucionais entre os dois governos.

Outros 15,3% apontaram a cooperação como resultado determinante, com os dois governos avançando em ações conjuntas em áreas como defesa, energia, infraestrutura e padrões regulatórios. Por sua vez, 14,1% dos empresários consideram que o avanço em relação à negociação de acordos de comércio e investimentos foram o resultado central até o momento.

Em relação aos compromissos firmados na visita presidencial de março, os participantes consideraram como prioritário para o setor empresarial a construção de uma parceria para aprofundar as relações de comércio, investimentos e boas práticas regulatórias (40%). O apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na OCDE foi o segundo compromisso que mais recebeu votos, com 24,7%.

Também foram mencionadas as promessas para maior acesso a mercados nas áreas de trigo, etanol e carnes (10,6%), a plena participação do Brasil no Programa Global Entry (9,4%) e a criação ou retomada de mecanismos bilaterais de diálogo, como o Fórum de Energia e o Fórum de CEOs (7,1%).

Convidados a opinar sobre os resultados da relação entre Brasil e Estados Unidos em 2019, a percepção foi positiva para 72,9%. Entre esses executivos, 48,4% disseram ter verificado avanços importantes neste ano, enquanto 46,8% esperavam resultados mais relevantes, embora tenham uma percepção positiva. A avaliação foi excelente para 4,8%. Entre os respondentes, 27% entenderam que os resultados foram neutros (23,5%) ou negativos (3,5%).

FUTURO DO COMÉRCIO

Na opinião de 53% dos entrevistados, os ganhos comerciais e de investimentos em virtude do momento atual da relação bilateral somente ocorrerão no médio (36,5%) e no longo prazos (16,5%). Apenas 4,7% dos participantes acreditam em resultados reais em 2019. Por outro lado, 35,3% dos executivos não têm expectativa de ganhos concretos. 4,7% dos participantes não souberam informar.